Selic baixa: o que acontece com o seu bolso quando os juros caem?

Investimentos, consumo e financiamentos vão sofrer impacto no médio e longo prazos; veja o que dizem os especialistas

Você deve estar se perguntando sobre o que muda na sua vida com a Selic mais baixa. Pois saiba que a queda dos juros básicos não diz respeito apenas aos seus investimentos. A redução vai afetar também outras áreas.

A seguir, a Inteligência Financeira explica o que acontece quando a taxa cai.

Selic menor: efeito no médio e longo prazo

De acordo com Gustavo Cruz, estrategista-chefe da RB Investimentos, os efeitos da diminuição da taxa de juros serão percebidos mais no médio e no longo prazo.

“Para pensar em economia real, para sentir o efeito, demora. No curtíssimo prazo, há bastante impacto nos investimentos porque tudo que é atrelado ao CDI vai pagar um pouco menos (leia abaixo). Isso vai estimular os bancos, os gerentes e os agentes autônomos a recomendar mais produtos de renda variável, ou seja, mais produtos que não sejam atrelados ao CDI”, afirma Cruz.

Para André Fialho, analista de renda fixa da Genial Investimentos, a queda no longo prazo é algo complexo de se avaliar, porque passa “por diversas questões difíceis de mensurar, como a mudança na presidência do Banco Central no fim do ano que vem ou a ocorrência de algum fator climático que pode alterar o preço dos alimentos”.

“Mas, seguindo o livro texto de economia, o BC está colocando a Selic mais próxima dos juros neutros, que é aquele nível de juros que mantém a economia em equilíbrio, com crescimento e inflação estáveis”, avalia Fialho.

Qual o impacto da Selic baixa no crédito e no consumo?

A taxa Selic é uma referência para o custo das linhas de crédito em geral. Quando ela está em patamares elevados, a tendência é que os empréstimos e financiamentos fiquem mais caros.

Isso porque normalmente os bancos e outras instituições financeiras passam a cobrar juros mais altos nessas operações. Já quando a taxa diminui, os juros do crédito ficam mais baratos.

Consumo

Crédito e consumo andam praticamente de mãos dadas. Sendo assim, quando os empréstimos e financiamentos ficam mais caros, consequentemente o nível de consumo tende a diminuir. Nesse sentido, o custo dos produtos e serviços aumenta também.

Por isso, a tendência é de que, com a queda da Selic, o consumo aumente. Por outro lado, a elevação da taxa causa uma redução das compras.

A economia real vai sentir mais o impacto da queda da taxa básica de juros mais para frente, defende Gustavo Cruz. “Muito porque você começa a ver financiamentos mais baratos em automóveis e imóveis, por exemplo. Nas compras de eletrodomésticos, as parcelas começam a ficar mais fáceis de se colocar no orçamento doméstico, então, isso também é um benefício”, afirma o estrategista-chefe da RB Investimentos.

Impacto nos investimentos

De modo geral, uma taxa Selic alta beneficia os investimentos de renda fixa, que oferecem uma remuneração baseada em juros. É o caso dos títulos públicos do governo federal, dos CDBs emitidos pelos bancos, das letras de crédito e das debêntures, entre outras opções.

Todos esses papéis tendem a ter uma rentabilidade maior em tempos de Selic alta. Assim, com a queda da taxa de juros, o retorno deles também diminui.

“A gente já está vendo os clientes demandando aqui na plataforma dívidas atreladas ao IPCA, e não ao CDI, com essa perspectiva de queda da Selic”, relata Gustavo Cruz, da RB Investimentos.

André Fialho, analista da Genial, defende que o investidor fique atento ao comunicado do Copom, que trará “mais detalhes dos fatores que fizeram com que se iniciasse o ciclo de queda na Selic e quais indicações dará para os próximos movimentos, se haverá um corte de magnitude maior, por exemplo”.

Em resumo, como a Selic afeta os preços e os investimentos?

Os efeitos da queda (ou aumento) da Selic são sentidos por todos os brasileiros, bancos e até investidores estrangeiros.

Em resumo, se a taxa Selic diminui:

  • O crédito fica mais acessível, já que os bancos tendem a baixar as taxas de juros;
  • E a inflação tende a subir.

Por outro lado, se a taxa de juros aumenta:

  • Os preços tendem a baixar ou ficar estáveis, como uma consequência do controle da inflação;
  • E os juros de crédito, parcelamento e cheque especial ficam mais altos.

Quais investimentos são afetados diretamente pela Selic?

A Selic tem forte influência na taxa de remuneração de diversos investimentos e, como resultado, qualquer mudança nela impacta a rentabilidade desses produtos financeiros. São eles:

  • Títulos do Tesouro Direto (Tesouro Selic);
  • Caderneta de poupança;
  • E investimentos de renda fixa.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é um título público cuja rentabilidade está indexada à taxa Selic. Quando a taxa Selic é reduzida, também fica menor a rentabilidade do título. Por outro lado, um aumento na taxa Selic torna os títulos públicos mais vantajosos.

Caderneta de poupança

A rentabilidade da poupança tem como referência os juros básicos. Quando a Selic está abaixo de 8,5% ao ano, a poupança rende, ao mês, 70% da Selic mais a TR (taxa referencial). No entanto, quando a Selic fica acima de 8,5% ao ano, a poupança rende 0,5% mais a TR.

Ou seja, a partir do nível de 8,5% ao ano da Selic, que é o atual, a poupança para de acompanhar a taxa básica. E quanto mais a Selic subir, mais para trás a poupança fica.

Investimentos de renda fixa

Mudanças na taxa Selic impactam o CDI, um dos índices de rentabilidade mais usados por investimentos de renda fixa. Ou seja, quando a taxa Selic diminui, o CDI também fica mais baixo.

CDBsLCIs, LCAs e LCs são os investimentos mais comuns que usam o CDI como indicador de rentabilidade. Assim, eles terão sua remuneração afetada com a mudanças na Selic.