Vai receber a PLR? Saiba o que fazer com o dinheiro extra

Bancos pagam PLR até o fim do mês de março; renda fixa e variável te ajudam a fazer o dinheiro render

Todo o ano, muitos profissionais ficam na expectativa do pagamento da PLR. Afinal de contas, quem não quer receber uma grana extra, não é mesmo? Aliás, a Participação nos Lucros e Resultados, a PLR, é um programa de remuneração variável que visa incentivar os colaboradores das empresas a contribuírem para o sucesso financeiro da companhia. “É uma forma de recompensar os funcionários de acordo com o desempenho da organização”, diz Fábio Baptista, diretor executivo da Agilizza Automação Fiscal. O pagamento da PLR, portanto, é definido junto aos sindicatos de cada categoria.

Quando os bancos vão pagar a PLR em 2024?

No caso dos bancos privados, por exemplo, o depósito da primeira parcela do montante precisa ser feito até o dia 1º de março. Já nos bancos públicos, as regras podem variar. Enquanto a Caixa pagará a antecipação no dia 31 de março, o Banco do Brasil (BBAS3) segue o critério de pagamento da PLR em até dez dias úteis após a data de distribuição dos dividendos ou JCP-Juros sobre Capital Próprio aos acionistas.

E se você faz parte desse setor, com certeza já deve estar bastante ansioso para saber o valor a receber, e claro, o que fazer com toda essa grana.

Pensando nisso, nós da Inteligência Financeira conversamos com alguns especialistas que deram dicas de como se planejar para usar o pagamento da PLR de forma sustentável.

Como funciona a Participação nos Lucros e Resultados?

Mas antes, vale saber que, geralmente, a PLR é um percentual do lucro gerado pela atividade do negócio no ano. “Por isso, a Participação nos Lucros não é uma remuneração obrigatória e não possui valor fixo. De um modo geral, atingindo-se uma meta preestabelecida, os colaboradores farão jus à parte especificada do resultado, definida entre os empregadores, o sindicato da categoria e os colaboradores”, explica José Carlos de Souza Filho, professor da FIA Business School.

Ainda de acordo com Souza Filho, na modalidade mais comum do pagamento da PLR, os valores são igualitários para todos. “Alcançou-se o resultado, divide-se o valor entre todos. Importante assinalar que isto não caracteriza salário ou benefício trabalhista. Também pode ser definida em função da avaliação do desempenho do profissional em termos individuais, conforme a Lei 10.101 de 2000”, pontua.

Além disso, os cálculos da PLR são baseados em fórmulas predefinidas pela empresa, considerando metas financeiras, operacionais e individuais. Normalmente, a área de recursos humanos ou finanças é responsável por esse cálculo.

“Existe dentro da PLR dos bancários um valor que é 90% do salário e mais 10% do valor fixo. Então, como é uma coisa regularizada, existe uma distribuição de 2,2% do lucro líquido de uma maneira linear a todos os trabalhadores com o teto se definindo em cada negociação”, afirma Hulisses Dias, analista CNPI e mestre em finanças.

Um dindim agora e outro ano que vem

Inclusive, o pagamento da PLR é feito em duas vezes, mas não é uma obrigação. “A Lei 10.101/2000 apenas estabelece que esta bonificação não pode ser paga mais do que duas vezes por ano e que precisa haver um intervalo de pelo menos um trimestre entre um pagamento e outro. Fora isto, não existe outra regulamentação pertinente”, diz o professor da FIA.

Segundo Fábio Baptista, isso é feito para incentivar a retenção de funcionários. “Dessa forma, a primeira parcela é paga ao longo do ano como antecipação, e a segunda é condicionada ao cumprimento das metas anuais”, comenta.

Além disso, Hulisses Dias acredita que a PLR costuma ser paga em duas vezes porque as pessoas não têm uma educação financeira para conseguir lidar com uma grande remuneração uma vez no ano. “Então, quando o funcionário recebe o pagamento em duas parcelas, ele pode administrar melhor essa entrada de recursos. Afinal de contas, esse dinheiro extra tende a mexer com o emocional, principalmente quando esses valores são muito maiores do que o salário base do funcionário”, diz.

Diferença entre a PLR dos bancos e de outras empresas

A Participação nos Lucros e Resultados nos bancos pode ter algumas peculiaridades, mas em essência, funciona de maneira semelhante a PLR em outras empresas. As diferenças podem estar nas metas específicas do setor bancário e nos critérios de avaliação.

“Por outro lado, para os bancos, existe uma regra definida, obtida através de negociação com o sindicato dos bancários, em que se considera 54% do salário do bancário mais um valor fixo de R$ 1.832,93, limitado a R$ 9.832,78 com isenção de Imposto de Renda para valores até R$ 7.407,11. A partir deste valor, as alíquotas são crescentes (quanto maior o valor, mais alta a taxa), que podem ser de 7,5%, 15%, 22,5% e 27,5%”, pontua José Carlos de Souza Filho.

Portanto, para os bancos as regras são mais determinísticas e regulamentadas. E acabam por serem distribuídas regularmente, até porque,vamos combinar, os bancos dificilmente apresentam prejuízos. No caso das empresas, as regras são mais flexíveis em termos da obrigatoriedade da distribuição. Mas em ambos os casos, existe um limite de duas distribuições por ano.

Pagamento da PLR pode variar de acordo com o cargo

E como já é de se esperar, o valor da Participação nos Lucros e Resultados muda conforme a função do colaborador dentro do banco ou de qualquer outra empresa. Afinal, cada nível hierárquico pode ter metas e responsabilidades diferentes na contribuição para os resultados da empresa.

“Os executivos de alto escalão, por exemplo, precisam de PLR para estarem alinhados com os sócios daquela empresa e com a retenção de talento. Além disso, esse tipo de remuneração faz com que o turnover, ou seja, o desligamento de executivo seja menor, exatamente porque eles estão tendo uma fatia maior do resultado da empresa atrelado aos seus resultados em si”, explica Dias.

O que fazer com o dinheiro extra do pagamento da PLR?

Bem, a gente sabe que você está na expectativa de ver o montante da Participação nos Lucros e Resultados pingar em sua conta. Mas é preciso um pouco de cautela para não sair por aí usando esse dinheiro “sem eira nem beira”.

Por isso, separamos algumas dicas do que você pode fazer com esse valor extra que está por chegar.

1. Pague dívidas

Essa sempre terá que ser a sua prioridade. Portanto, uma pessoa endividada no curto prazo pode e deve utilizar o dinheiro da PLR para a quitação ou redução de compromissos em que exista uma cobrança elevada de juros, tais como cheque especial e cartões de crédito, especialmente no rotativo.

2. Antecipe débitos

Com a PLR é possível adiantar pagamentos que são feitos de maneira anual. Por exemplo, a renovação da matrícula da escola, material escolar, IPTU, IPVA, entre outros, que tem uma característica de impactar o orçamento das famílias, principalmente ali no começo do ano.

3. Guarde para imprevistos

Ter uma reserva de emergência é extremamente importante para evitar que você precise pegar algum empréstimo caso surja um imprevisto. “A reserva de emergência deve contemplar ali entre seis e doze meses de gastos daquela família ou daquele indivíduo, sem que ele tenha que abrir mão da sua qualidade de vida”, afirma Hulisses Dias.

Por isso, a dica é investir parte do pagamento da PLR pensando em reserva de emergência em algum investimento de liquidez diária, como CDB, por exemplo. Assim, fica mais fácil a retirada da grana.

4. Realize algum sonho

Seja um projeto pessoal ou aquela viagem que você está querendo fazer há bastante tempo, parte do pagamento da PLR pode – e deve – ser usado para sua diversão. Especialistas indicam usar algo em torno de 15% a 20% do montante recebido para realizar algum sonho.

5. Invista em aprendizagem

Conhecimento, claro, também é investimento, por isso, aplicar parte do dinheiro em algum curso que esteja em vista pode contribuir para melhorar a sua carreira. Assim, no futuro, você pode subir de cargo, ter um salário maior, e olha só, uma PLR mais avantajada.

Mas também vale investir em educação voltada às finanças. Desse modo, você poderá tomar decisões mais conscientes, afinal de contas, terá uma maior inteligência financeira.

6. Aplique parte do pagamento da PLR

E aí, quando a gente fala de investimentos, é sempre necessário ter uma análise do seu perfil de risco e um mix entre renda fixa e renda variável. “Claro que é preciso estar sempre de olho nos três princípios básicos de um bom investimento, que é a diversificação, o baixo custo e a alta liquidez”, pontua o analista.

Dito isto, algumas opções de investimentos apontadas pelos especialistas que podem fazer parte da sua carteira vinda do pagamento da PLR envolvem tanto a renda fixa quanto a renda variável.

“Renda fixa são títulos de menor risco que podem ser prefixados ou pós-fixados, sendo que a diferença entre eles consiste no fato de que nos prefixados, a taxa de remuneração é definida integralmente no início da transação. Já no pós-fixado, o rendimento está atrelado a um indexador que corrige monetariamente a moeda (exemplo: IPCA + 2% ao ano). Nesse caso, o valor final do investimento dependerá do indexador, mas garante a correção do rendimento com base em um índice”, esclarece José Carlos de Souza Filho.

Como exemplo, então, temos o Tesouro Direto, CDB, LCI, LCA, entre outros. “O Tesouro Direto são títulos públicos, de baixo risco, com diferentes prazos e rentabilidades. Pagam Imposto de Renda sobre os rendimentos e têm boa liquidez”, afirma Fábio Baptista.

Já os CDBs são certificados bancários que possuem rendimento pré ou pós-fixados. “Geralmente, a liquidez é alta e a facilidade de resgate é positiva. Outro título importante é a Caderneta de Poupança, que embora tenha um rendimento fixo [e menor do que os outros produtos], não incide IR”, diz o professor da FIA Business School. Assim como a LCI, que é ligado ao setor imobiliário, e a LCA (setor agrícola), que também são isentos de imposto.

E na renda variável?

Para quem tem um perfil mais experiente e que não tenha problemas com maiores riscos, pode ser interessante investir em renda variável. Isso porque, nesse grupo de ativos financeiros, a volatilidade é maior. Ou seja, existe uma maior oscilação das taxas de rendimento. Por outro lado, o retorno financeiro pode ser maior na comparação com os produtos da renda fixa.

Portanto, se você pretende usar parte do pagamento da PLR para entrar no mundo da renda variável, é indicado começar com os fundos imobiliários (FIIs). “Isso porque a volatilidade é menor, além de ter a vantagem de receber uma renda recorrente quando investido por pessoa física, sem a tributação do Imposto de Renda”, conta Hulisses Dias.

Outra opção são as ações de empresas. “São partes das instituições negociadas na bolsa. Têm maior risco, podem valorizar ou desvalorizar, e pagam Imposto de Renda sobre o ganho de capital”, pontua Baptista.

Bora usar o pagamento da PLR com consciência?

Vale reiterar aqui que essas são apenas alternativas de ativos financeiros. O dono do dinheiro é você. Por isso, estude e analise com calma qual tipo de investimento é melhor para os seus objetivos.

O importante é você ter consciência de como irá usar o dinheiro vindo do pagamento da PLR. E mais: não se esqueça que o primeiro passo é tentar eliminar as dívidas. Feito isso, você pode passar para as próximas etapas sem medo de ser feliz.

“A PLR é uma ótima oportunidade de melhorar a saúde financeira e o bem-estar financeiro pessoal. Planejar o uso desse dinheiro com responsabilidade é essencial para alcançar objetivos financeiros de longo prazo e garantir a segurança financeira. Considerar a diversificação dos investimentos e buscar orientação de um consultor financeiro pode ser muito útil”, finaliza o diretor executivo.