Vale a pena investir em ouro?

Metal teve rendimento ruim em 2021, mas se mostra como boa alternativa em ano de muita turbulência

Vale a pena Investir em Ouro
– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • O ouro sempre foi visto como proteção contra a inflação, que é a grande preocupação mundial
  • O metal é uma opção de investimentos para o longo prazo

Nas décadas de 1980 e 1990, o apresentador Silvio Santos dava barras de ouro para os vencedores de seus games. Ninguém nunca entendeu aquilo muito bem, mas, em se tratando de ouro, ninguém nunca questionou. Afinal, eram barras e mais barras. Agora, vamos à vida real do investidor: em que pé que anda o rendimento do metal? Em 2021, o brasileiro que investiu em ouro perdeu para o dólar, CDI, euro e até para a poupança. Mas teve mais lucro do que o Ibovespa, segundo levantamento feito pela consultoria Economatica, entre 31/12/2020 e 10/12/2021, conforme a tabela abaixo: 

Compare o rendimento do ouro com as principais aplicações em 2021:

  • Ouro: -0,32%
  • CDI: 3,08% 
  • Euro: 2,94% 
  • Poupança: 2,03% 
  • Ibovespa: -11,26% 

No mundo todo, a cotação do ouro caiu em média 6% em 2021, segundo a BlackRock. A explicação é que os investidores têm feito saques dos fundos de índice lastreados em ouro. Só o SPDR Gold Shares, o maior ETF com foco em ouro, registrou saídas líquidas de mais de US$ 10 bilhões ao longo do ano, o maior volume desde 2013 e equivalente a cerca de 193 toneladas de ouro.

O que você tem a ver com isso?

E daí? E daí que o ouro sempre foi visto como proteção contra a inflação, que é a grande preocupação mundial. “Especular com ouro é arriscado, uma vez que é um mercado bastante volátil. Porém, para o investidor com horizonte de médio ou longo prazo, o ouro é uma excelente opção para adicionar retorno à carteira, porque você pode se proteger em momentos de instabilidade econômica global e também para diversificação”, afirma Sandra Blanco, estrategista-chefe da Órama Investimentos. 

Sandra completa o raciocínio com um dado importante: com relação à inflação, o ouro vem apresentando valorização real ao longo dos vários anos e descorrelação com os índices de preços. “Instituições internacionais compram ouro para proteção contra fatores macroeconômicos. A expansão dos balanços dos Bancos Centrais, com as medidas para socorrer as economias na pandemia, aumentou os preços dos ativos, com o Fed imprimindo dinheiro”, afirma Sandra. E, importante que você saiba: a correlação do ouro no mercado internacional com o dólar é negativa. Então, se um sobe o outro cai, e vice-versa. E essa independência entre ativos é importante para sua carteira.

Fábio Carvalho, CEO e sócio fundador da Delta Flow Investimentos, explica que o ouro é uma commodity e não apenas uma moeda. “Grandes investidores acabam buscando o ouro e o dólar como uma proteção de carteira. Na realidade, o ouro acaba sendo o porto seguro do mercado financeiro”, afirma Fábio. 

Como investir em ouro? 

Existem algumas formas de ter o ouro em carteira que vão além das barras do Silvio Santos. Uma é por contratos futuros de ouro na Bolsa de Valores, através do código (OZ1D ouro, 250g e OZ2D ouro 10g). Outra é por fundos de investimentos que, obviamente, tenham o ativo na carteira. Há também a possibilidade das ETFs. “Neste caso, você pode até abrir conta no exterior e investir em ETFs por lá”, afirma Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. Claro, você pode ter barras do metal em um cofre, mas isso é cada vez mais escasso no mercado, além da questão da segurança e a logística empregada para levar o metal daqui para lá.  

Sandra Blanco faz um alerta: “O contrato padrão negocia 250g de ouro, hoje R$ 328/g = R$ 82.000.  O investidor que aplicar valor menor do que esse perde dinheiro na compra e recebe menos na venda. As principais razões para investir em ouro devem ser diversificação, liquidez e descorrelação com outros ativos”. 

Para qual perfil de investidor o ouro é interessante? 

Quem tem perfil mais moderado para arrojado pode se sair melhor tendo ouro em carteira. “Outro modelo de investidor que se adequa melhor à commodity é o que carrega posições no exterior e em renda variável, para dar equilíbrio à carteira. É muito difícil estimar o preço do ouro, já que ele depende de inúmeros fatores, como a inflação, taxa de juros, eventos geopolíticos, reservas de Bancos Centrais, demanda dos joalheiros”, afirma Sandra Blanco. 

E nunca, nunca, nunca mesmo seja imediatista investindo em ouro. Fazer day trader com títulos atrelados a ouro, portanto? Jamais. “Ele sempre é uma opção de investimentos para o cliente que busca rentabilidade a longo prazo”, completa Fábio Carvalho, da Delta Flow Investimentos.

É cilada, Bino 

Mas, o ouro não é para qualquer um. Se você é mais conservador, fuja do ouro, porque a volatilidade é alta. “E ainda tem o risco cambial, com preço do internacional se mexer bastante, de até 30%. É ativo bem arriscado, perfil conservador tem que ter pouco deste ativo”, afirma Rodrigo Knudsen,da Vitreo. 

Investir ou não em ouro?

Antes de tomar a decisão, você precisa saber que o ouro não rende como as ações que contam com o poder dos dividendos. “Ele tem variação de preço e da cotação do dólar contra o real. Mas não é como ativo de renda fixa que tem juros, ou da variável, com dividendos ou JCP. É só uma commodity, cujo preço flutua com a oferta e demanda. E protege contra inflação. Se tem inflação desenfreada mundial ele tem força”, afirma Rodrigo Knudsen, gestor da Vitreo. 

Então, vamos às vantagens e desvantagens para você investir em ouro: 

Vantagens 

  • É uma proteção de capital em momento de crise ou oscilação do mercado; 
  • Produto escasso, por isso sempre terá valor no mercado; 
  • Opção para diversificar seus investimentos; 
  • Não pode ser impresso como dinheiro, portanto, não perde valor;
  • É considerado reserva de valor; 
  • Em um cenário de estresse de mercado, o ouro é um ativo procurado pelos investidores.

Desvantagens

  • É um investimento de alta volatilidade
  • O ouro não gera rendimentos ou dividendos; 
  • No Brasil, os impasses políticos e a situação econômica refletem no preço da commodity pelo lado do câmbio; 
  • Os investidores podem migrar para outros ativos rapidamente, o que mexe com a cotação; 
  • Não tem cobertura do FGC.

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