O ano de 2022 traz cenário desafiador para IPOs

Com juros ainda altos, poucas empresas devem ir para a Bolsa; especialistas se mostram pessimistas, tirando um ou outro setor para você ficar de olho

Ilustração traz representação abstrata de um IPO: a oferta pública inicial de ações de uma empresa
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • Perspectivas de baixo crescimento econômico desanimam a abertura de capital
  • B3 registra 28 empresas na fila para estrear no mercado de capitais

O mercado de capitais viveu uma explosão de IPOs nos últimos dois anos, que pode ser comparada apenas ao movimento visto em 2007. Os juros baixos e crescimento de investidores na Bolsa de Valores levaram as empresas a buscar capital privado na B3. Neste ano, porém, o ritmo já foi menor e as perspectivas para 2022 não são as melhores. 

No ano passado, 28 empresas brasileiras abriram capital aqui no Brasil – a conta não considera as empresas que fizeram IPO fora do país. Em 2021, 44 companhias venderam uma parte de seus negócios a investidores. Em 2007 foram 64 IPOs. 

Hoje, a fila de IPOs no Brasil tem 28 empresas. Muitas delas já suspenderam os processos por causa das condições de mercado, mas continuam elencadas pela CVM na fila. É o caso de Madero, CSN Cimentos e da marca de cosméticos Coty. 

Fonte: Comissão de Valores Mobiliários (CVM)

Cenário desafiador

O ano que começa em pouco mais de duas semanas deve trazer um cenário mais desafiador para abertura de capital das empresas. “Em geral, as janelas de IPO ocorrem em momentos de estabilidade do mercado, quando a economia está indo bem e em períodos de baixo ruído político”, diz João Daronco, analista da Suno Research. 

O último boletim Focus, divulgado pelo Banco Central mostra como as expectativas para 2022 estão baixas. Economistas esperaram um crescimento de 0,5% do PIB (Produto Interno Bruto), aumento de 5,02% da inflação e Selic a 11,5% ao ano. 

Não dá para prever o futuro, mas se tem algo que não podemos esperar no ano que vem é baixo ruído político. Além das polêmicas que envolvem o atual governo, o país vai escolher um presidente, processo que naturalmente gera ruídos. 

Para Matheus Jaconeli, economista da Nova Futura Investimentos, fazer IPO no atual cenário é um risco. “Quando uma empresa vai para o mercado para captar, espera uma taxa de crescimento econômico razoável, já que isso ajuda no valuation, mas estamos com perspectiva de pouco crescimento econômico no ano que vem”, explica o especialista. 

Setores para você ficar de olho

Mesmo diante de um horizonte nublado, os especialistas apontam alguns setores que podem se destacar no ano que vem e você pode ficar de olho – sempre lembrando que as empresas não têm histórico de negociação e, portanto, o risco é grande. Matheus Jaconeli aponta o setor de meios de pagamento como um dos fortes candidatos. Suas outras apostas são: setor imobiliário, energia e logística, que pode ser beneficiado pelo aumento de exportações. 

Porém, o economista faz uma ressalva. “Esses IPOs podem não ter bom desempenho porque ainda veremos as taxas de juros subindo”, afirma Matheus. Ou seja, os processos podem acontecer, mas isto não significa que serão bem sucedidos. 

Já João Daronco, da Suno Research, aposta no agronegócio como motor de IPOs em 2022. “O agro segue muito bem e o próximo ano deve ser muito forte para empresas do setor. Se eu tivesse que apostar minhas fichas em algum setor, seria neste”. 


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