Quais investimentos rendem mais de 1% ao mês?

E saiba ainda como a Selic pode mudar tudo isso em breve

Quanto é um bom rendimento para os seus investimentos? Com a alta da taxa Selic nos últimos anos, o número de 1% ao mês passou a ser mirado como um patamar mínimo. Mas qual investimento rende mais de 1% ao mês e como preservar essa renda com o atual ciclo de corte nos juros?

De cara, precisamos separar em duas caixas. Nós temos produtos de renda fixa, com rentabilidade combinada no momento da aplicação e que rendem acima desse patamar. Por outro lado, temos ativos de renda variável que podem ou não ter essa rentabilidade a depender de fatores de mercado.

“Vai variar do perfil de cada pessoa, dos riscos que o investidor está disposto a correr. Estamos em um momento mais positivo para o mercado, mas a renda variável é diferente da renda fixa, em que você assegura uma rentabilidade combinada”, explica João Furtado, assessor da Miura Investimentos.

Qual investimento rende mais de 1% ao mês na renda fixa?

Hoje, ainda há ativos de renda fixa ainda alcançam essa rentabilidade bruta, antes de descontados os impostos, como opções para quem busca saber como investir e ter retorno mensal.

Apesar do Banco Central ter reduzido a taxa Selic, o patamar atual de 13,25% ao ano ainda é alto e garante boa remuneração para os principais produtos de renda fixa.

Primeiramente, um fato: esse não é o caso da poupança, mesmo que a caderneta seja isenta de imposto de renda.

Com a Selic acima de 8,50% ao ano, a poupança rende 0,50% ao mês mais a taxa referencial (TR). Na média, a poupança está rendendo cerca de 8,34% ao ano, o que corresponde a 0,67% ao mês. Portanto, se você se pergunta qual investimento rende mais de 1% ao mês, a poupança não é a sua resposta.

Para que você possa avaliar as opções disponíveis no mercado, uma informação importante. Uma taxa de rentabilidade a partir de 12,68% ao ano, quando convertida em rendimento mensal, supera a marca de 1% ao mês.

Importante ponderar que em geral os produtos oferecem essa faixa de rendimento bruta, não líquida. A palavra “líquida” aqui é bastante importante, uma vez que é preciso considerar taxas e impostos que incidem sobre a maior parte dos ativos e derrubam a rentabilidade para algo abaixo desse patamar.

Tesouro Selic

O Tesouro Selic é uma modalidade de investimentos públicos com rentabilidade equivalente à taxa Selic mais um pequeno percentual, que hoje oscila de 0,07% a 0,15%. Assim, rendendo entre 13,32% e 13,40%, o título entrega mais de 1% em rentabilidade bruta – 1,05% ao mês, sendo mais precisa.

O investimento no Tesouro Direto está sujeito a uma tributação gradual, que vai de 22,5% nos primeiros seis meses a 15,00% após 2 anos. Portanto, na ponta do lápis, um investimento de um ano no Tesouro Selic tem um rendimento líquido de 10,60% (ou 0,84% ao mês), descontada a tributação de 20% sobre a rentabilidade.

Da mesma maneira, o especialista ouvido pela Inteligência Financeira pondera: isso se manterá enquanto a Selic se mantiver no patamar atual. Há a perspectiva de mais cortes nas próximas reuniões do Copom e, assim, o tesouro Selic também será afetado.

“O Tesouro Selic é pós-fixado. Assim, ele tem a rentabilidade atrelada à taxa básica de juros. Hoje ele entrega mais de 1,00%. Mas daqui a 45 dias o Copom se reúne e ele pode não entregar mais”, diz Furtado.

CDB: a vez dos prefixados

A maior parte dos produtos do tipo CDB oferecido pelas instituições financeiras também é pós-fixada. Ou seja, com um rendimento atrelado ao CDI, taxa que costuma ficar próxima da Selic. Um CDB regular com liquidez diária vai oferecer uma rentabilidade em torno de 100% do CDI.

Assim, também oferece uma rentabilidade atual de pouco mais de 1% ao mês com a perspectiva de pagar menos com a queda da Selic e um rendimento líquido abaixo desse patamar após o desconto dos impostos.

No entanto, há alternativas no mercado de CDBs que podem resultar em uma rentabilidade líquida acima dos almejados 12,68% ao ano.

Uma é a dos CDBs pós-fixados com rentabilidades mais altas (como 125% ou mais do CDI) e a outra é a dos CDBs pré-fixados, com taxa de rendimento definida no momento da aplicação. “Quando é assim, você vai receber aquele rendimento faça chuva ou faça Sol”, explica João Furtado.

Mas por que agora? De acordo com o assessor da Miura Investimentos, os prefixados pagam mais quando a taxa atual é mais alta e não vão ser afetados com a queda. No entanto, ele faz um alerta: geralmente os prazos de resgate são bem mais longos. Portanto, o dinheiro pode ficar preso todo esse tempo e as condições mudarem.

“O ideal é que o investidor não contrate um produto desse tipo com um prazo muito longo. Temos previsão da queda da Selic para os próximos anos, mas se ele for para um CDB com 4 ou 5 anos a Selic pode voltar a subir lá na frente e prejudicá-lo”, diz.

Da mesma maneira, os investimentos em CDBs são protegidos pelo FGC apenas em até R$ 250 mil por instituição. Assim, você deve ter isso em mente ao investir em CDBs de instituições menos consolidadas que ofereçam rentabilidade maior.

LCI e LCA: isentos de imposto de renda

Outra alternativa para ficar o mais perto possível do 1% ao mês, afirma João Furtado, são as Letras de Crédito Imobiliário (LCI) e as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA).

Apesar de renderem em geral um pouco menos de 100% do CDI, as LCI e LCA têm uma grande vantagem: são isentas da cobrança de imposto de renda.

Assim, segundo estimativas de Carlos Castro, sócio fundador da SuperRico, entre os principais produtos de renda fixa, são as que mais chegam perto de um rendimento líquido de 1% ao mês. Com uma taxa de rentabilidade na faixa de 90% do CDI, ou 11,93% ao ano, os ativos batem na casa de 0,94% mensais.

Onde investir para ter rendimento de 1% ao mês

ProdutoRendimento bruto anualRendimento bruto mensalIR em 1 anoRendimento líquido anualRendimento líquido mensal
Poupança8,34%0,67%0,00%8,34%0,67%
LCI/LCA (90% CDI)11,93%0,94%0,00%11,93%0,94%
Tesouro Selic13,25%1,04%20,00%10,60%0,84%
CDB 100%13,25%1,04%20,00%10,60%0,84%
CDB 110%14,58%1,14%20,00%11,66%0,92%
CDB 125%16,56%1,29%20,00%13,25%1,04%
Calculadora de Carlos Castro, planejador financeiro e sócio fundador da SuperRico

Qual investimento rende mais de 1% na renda variável

A mágica da renda variável é que, com uma tolerância maior a risco, os rendimentos também podem ser maiores. A contrapartida é que há um risco, por isso esse tipo de ativo é recomendado em geral a investidores mais experientes.

Fundos imobiliários

Para começar com um ativo mais atrativo aos mais conservadores, os FIIs podem permitir um rendimento próximo ou igual ao patamar desejado considerados os dividendos desses fundos, o lucro com os aluguéis.

“Hoje é super plausível montar uma carteira de fundos imobiliários rendendo 0,8%, 0,9% ao mês com os rendimentos isentos de imposto de renda, além da possibilidade de ter um ganho de capital com esses ativos mais atrativos com a Selic mais baixa”, diz João Furtado.

Ações

O mercado está cheio de histórias de boas compras de empresas na baixa, que se valorizaram e deram grandes margens de lucro. Isso sempre pode se repetir, mas não dá para contar com os ovos da galinha, afinal diariamente há centenas de analistas e investidores procurando o próximo grande sucesso do mercado.

Da mesma maneira, há bons ensinamentos de quem montou uma carteira voltada a obtenção de dividendos, como os investidores Luiz e Louise Barsi, que recentemente concederam entrevista à Inteligência Financeira. Luiz, o “rei dos Dividendos”, inclusive, revelou em que ações investe atualmente.

De maneira geral, as perspectivas para o mercado como um todo são boas, de acordo com João Furtado. Há a expectativa de que a aprovação da pauta econômica no Congresso, a queda dos juros e a entrada de capital novo na bolsa possa levar o Ibovespa para a casa de 130 mil pontos. Na segunda-feira (7), por exemplo, o índice fechou em pouco mais de 119 mil pontos.

Portanto, de acordo com o especialista, há opções e perspectivas para que o investidor consiga encontrar oportunidades de rentabilidade superior a 1% ao mês nessa frente. Sempre reforçando que as perspectivas podem se alterar de acordo com fatores de mercado e que rendimento passado não é garantia de rentabilidade futura.

Crédito privado

Outra alternativa que João Furtado listou na conversa com a Inteligência Financeira é a busca por produtos de crédito privado. O especialista estima que após a desconfiança com a crise provocada pela fraude nas Americanas, o mercado passou a pagar prêmios mais altos para ativos desse tipo.

De acordo com o assessor da Miura Investimentos hoje é possível encontrar produtos do tipo oferecendo rentabilidades equivalentes ao IPCA mais 7,00% ao ano, por exemplo. No entanto, tratam-se de opções de alto risco, pois ao investir no empréstimo a empresas há o risco da saúde financeira das companhias.

Portanto, para quem se pergunta qual investimento rende mais de 1%, há opções de rentabilidades maiores para diferentes perfis de investidor e apetite de risco.

Qual investimento rende 2% ao mês?

Em entrevista recente à Inteligência Financeira, Lucas Queiroz, head de estratégia em renda fixa do Itaú BBA, respondeu qual investimento rende 2% ao mês e, afinal, se é possível obter esse retorno.

De acordo com o especialista, investimentos que rendem 2% mensalmente estão muito acima da média de rentabilidade brasileira. E, para um mercado emergente e volátil, isso não é pouca coisa. Queiroz também deu dicas para quem busca rendimento nesse patamar. Leia mais no link abaixo.