Em que investir em 2024? Especialistas mostram onde seu dinheiro pode render mais

Entenda qual será o cenário econômico e quais os investimentos devem entrar no seu radar

2023 termina com recorde na Bolsa e as criptomoedas presenteando os investidores com uma exuberante alta, com o bitcoin subindo quase 160%. Já o dólar amargou uma queda de 8% e foi o pior investimento de 2023. Mas, e no próximo ano? Será que os ativos vão se comportar da mesma maneira? Afinal, onde investir em 2024?

Pedimos a quatro especialistas que orientassem sobre onde investir em 2024. São eles: Erica Santos, coordenadora comercial da Nova Futura Private; Jaqueline Kist, especialista em mercado de capitais e sócia da Matriz Capital; Nicholas McCarthy, diretor de Estratégia de Investimentos do Itaú Unibanco e Rodrigo Cohen, analista de investimentos e co-fundador da Escola de Investimentos.

A seguir, confira como deve ser o cenário e as recomendações de investimento para 2024.

O que deve movimentar o cenário econômico em 2024?

Quais são os principais destaques econômicos no Brasil e o mundo em 2024? Segundo o diretor de Estratégia de Investimentos do Itaú Unibanco, Nicholas McCarthy, estes devem ser os principais pontos de atenção do investidor no próximo ano:

Destaques do cenário internacional

  • Após os bancos centrais dos países desenvolvidos praticamente anunciarem o fim do ciclo de alta dos juros, o tema central para 2024 será quando os juros podem cair;
  • A dinâmica da inflação tanto nos países desenvolvidos como no Brasil vai ser chave para definir a extensão e magnitude do corte de juros;
  • Nos EUA, a inflação segue em queda gradual. O núcleo do indicador, no entanto, tem apresentado ritmo mensal compatível com uma inflação acima da meta. Por isso, acreditamos que será necessária uma política restritiva por período estendido;
  • Na Europa, a queda da inflação tem se mostrado mais abrangente. Aliada à situação mais frágil da atividade econômica, sugere que o Banco Central Europeu deva iniciar seu processo de flexibilização monetária antes do Fed;
  • A expectativa de novos programas de estímulo econômico na China e os múltiplos descontados para os pares desenvolvidos reforçam a visão de que as bolsas emergentes devem ter boa performance à frente.

Destaques do Brasil

  • No Brasil, a atividade econômica se mostra mais resiliente, mas vemos alguma desaceleração, com o PIB avançando 0,1% no terceiro trimestre;
  • O processo de desinflação gradual continua, e acreditamos que essa dinâmica mais favorável para a inflação deve continuar em 2024;
  • O Banco Central termina o ano com mais uma queda de 50 pontos-base na taxa Selic, para 11,75% a.a.;
  • Nesse contexto de conjuntura doméstica mais favorável, aliada a menores riscos associados ao cenário externo, mantivemos nossas recomendações para a carteira local inalteradas;
  • A valorização da bolsa nas últimas semanas vem em linha com nossa perspectiva para a renda variável, que ocupa boa parcela em nossas carteiras recomendadas;
  • Na renda fixa pré, as taxas apresentaram uma forte compressão. A decisão tomada em nosso último encontro de incrementar a parcela investida nesta classe foi acertada;
  • Por fim, seguimos otimistas com juro real e sem alocações em moedas.

Onde investir em 2024?

Com base nestas avaliações, McCarthy diz que decidiu seguir com uma alocação acima do neutro em títulos com grau de investimento nos EUA. O mesmo para bolsas de mercados emergentes. Já no cenário interno, o executivo ressaltou que enxerga os papéis remunerados pelo IPCA+ como uma excelente oportunidade de investimento para o momento.

Ele justifica a escolha pela proteção inflacionária que essa categoria de títulos públicos proporciona. Além disso, McCarthy também chama a atenção para o nível de remuneração do papel, que está próximo de 6% ao ano acima do IPCA.

Aposta nas criptomoedas

A principal aposta do analista de investimentos Rodrigo Cohen, co-fundador da Escola de Investimentos sobre onde investir em 2024 são as criptomoedas. “Mesmo tendo subido bem em 2023, 2024 é o ano do halving do bitcoin. Por isso existe uma grande chance de que esse ativo se valorize bastante.”

Porém, ele alerta o investidor para o fato de que o bitcoin é um mercado de muita oscilação e volatilidade alta. Ainda assim, considera que o investimento deva ser uma boa oportunidade.

A imagem traz diversas moedas de bitcoin em uma superfície preta, com uma delas em destaque e em um tamanho maior.

O que é o halving?

Segundo o Mercado Bitcoin, halving, do inglês half (metade), é o corte de 50% na produção de novas moedas no Bitcoin. Esse evento ocorre automaticamente a cada 4 anos e foi projetado para reduzir o efeito inflacionário na emissão

Renda variável

O analista acredita que 2024 deve ser um ano muito promissor para a economia mundial e do Brasil. Assim, com a queda dos juros no Brasil e no mundo, a renda variável também deve continuar se destacando. “Mas isso não significa que todos os setores da bolsa devem subir. Aconselho a sempre ficar de olho nos preços do petróleo e minério, porque nunca sabemos como vai ser. Outro bom setor para ficar de olho são os bancos. Com a queda de juros e maior possibilidade de crédito, são companhias que podem aumentar lucros no ano que vem.”

Renda fixa

Outra aposta do analista é na renda fixa. “Mesmo com juros caindo e possivelmente atingindo os 9%, ainda assim representam um bom retorno na renda fixa, ainda mais para a reserva de emergência. A renda fixa vale a pena pelo juro real que paga, não apenas o juro nominal. Apesar de estar caindo, a Selic se mantém em um nível alto. Como a inflação está caindo também, o juro real, que é a Selic menos a inflação, está alto. Isso significa que ainda vale a pena investir na renda fixa, pois ela ainda remunera muito bem o investidor.”

Diversificação

Antes de investir, porém, o investidor precisa saber o seu perfil de risco, saber que investimento é para ser planejado a longo prazo. Além disso, não deve colocar todos os ovos na mesma cesta, por mais que muitas vezes essa pareça ser a opção mais atraente.

Foco na diversificação

Erica Santos, coordenadora comercial da Nova Futura Private, projeta novos cortes na Selic para 2024. Além disso, espera também que o Fed, o banco central dos Estados Unidos, realize pelo menos três novos cortes de juros na taxa norte-americana. Ela ressalta ainda que o Brasil entra em 2024 sob um novo conjunto de regras fiscais e uma meta de déficit zero.

Diante desse cenário, onde investir?

Como McCarthy, Erica também acredita que os títulos atrelados à inflação representem uma grande oportunidade na renda fixa, além de títulos prefixados. Ela ressalta que a Selic mais baixa deve representar um aumento de fluxo de investidores na Bolsa de valores. “Isso já aconteceu em 2023, com a bolsa fechando o ano acima de 134 mil pontos. Então para clientes mais arrojados, consideramos uma boa opção de investimento para o próximo ano.”

Erica lembra que a diversificação de portfólio continua sendo essencial para os investimentos tanto no Brasil como no exterior. Além disso, é preciso monitorar os investimentos constantemente e fazer realocações sempre que necessário. “Além disso, é preciso respeitar seu perfil de investidor.”

Aumento gradual do risco das carteiras

Para Jaqueline Kist, especialista em mercado de capitais e sócia da Matriz Capital, 2024 promete ser um ano muito interessante para os ativos de risco. Isso ocorre à medida que os bancos centrais diminuem as taxas de juros e os investidores passam a buscar por maiores rentabilidades na bolsa. Esse movimento já foi antecipado pela bolsa brasileira com o fechamento deste ano. Então, onde investir em 2024?

Para se proteger da volatilidade que deve ser observada ao longo do ano, Kist aconselha o investidor a diversificar o capital. “Isso permite sustentar possíveis balanços na carteira ao longo do ano, especialmente no caso dos investidores que estão aumentando sua exposição ao risco”, diz.

Investimentos para 2024

Assim, as recomendações de investimento da especialista são as seguintes:

Renda Fixa Internacional

Há espaço de entrada em boas taxas no início do ano, enquanto o ciclo de cortes não se iniciar. O ambiente de atividade ainda se mostra resiliente e a inércia inflacionária persistente, o que sugere um novo nível estrutural de juros. Além disso, o ano de eleição nos Estados Unidos também deve acrescentar alguma volatilidade ao mercado perante a discussão fiscal e o ambiente político.

Ações ligadas ao setor de consumo

Com o cenário de queda de juros e retomada econômica, no Brasil, pode pode ser interessante se posicionar em setores ligados à expansão do crédito. São eles: construção civil, educação, ações de transportes e varejo. São setores mais voláteis, justamente por sua relação muito próxima com o cenário de renda no país, então vale acompanhar muito próximo às alterações no cenário macroeconômico ao longo do ano.

Criptomoedas

Com o avanço das questões regulatórias facilitando o acesso de novos ETFs de criptomoedas nas bolsas americanas e brasileiras, alta das criptomoedas no ano acumulada acima de 100% e o Bitcoin, por exemplo, ainda há um preço de 2/3 da sua máxima, o próximo ano tem a tendência de ser muito positivo para as criptomoedas, dada a já comentada persistência de uma inércia inflacionária.

Fundos Multimercados

Bons multimercados contam com gestão especialista em navegar as diferentes classes de ativos por seu mandato amplo e flexível. Nesse cenário, especialmente bons gestores de juros e câmbio se beneficiam com cenário de volatilidade de juros e perda do poder de compra das moedas. Multimercados que trabalham bem também a renda variável doméstica e global devem observar uma valorização em cenário otimista de queda dos juros, caso a inflação convirja para a meta seguindo as expectativas.

Fundos e Renda Variável Global

Em cenário de queda de juros, também é momento de se posicionar em ativos de valor no exterior, para acompanhar a valorização das melhores empresas do mundo com a melhora do cenário de consumo. Essa classe ainda deve observar mais volatilidade no início do ano e entendo que a alocação deve ser com cautela, principalmente por conta do cenário de eleições americanas.