Veja as 10 ações que mais caíram em janeiro – e o que você pode aprender com o prejuízo

Enquanto teve papel que subiu mais de 30%, há os que perderam 26%

Qualquer investidor pode especular?
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • O período é de transição: uma empresa de valor tende a ter um desempenho melhor
  • Companhias em fase de crescimento têm performances piores

O Ibovespa teve um janeiro bem diferente, com alta acumulada de quase 7%, aos 112.143 pontos. Mas nem todas as 92 ações que o compõem fecharam no azul. Enquanto teve papel que subiu mais de 30% no intervalo, teve quem perdeu 26%, como é o caso da empresa de hospedagem e serviços na nuvem Locaweb, emissora da ação do índice que apresentou o pior desempenho em janeiro. Em média, as 10 ações que mais se desvalorizaram tiveram recuo de 15,62% no mês.

Empresas do setor de tecnologia em baixa

A Locaweb desponta como a de pior desempenho por um fator que também prejudicou a empresa de fidelidade Méliuz (-10%), e também o Banco Inter no mês (que caiu 9%, mas acabou escapando do ranking das dez maiores quedas nos últimos pregões do mês): o fato de serem associadas ao setor de tecnologia, ou que dependem de crescimento para justificar as cotações.

Danielle Lopes, sócia e analista da Nord Research, explica: “Estamos em um período de transição, em que “empresas de valor”, que são as empresas de múltiplos mais baixos, tendem a ter desempenho melhor, enquanto as de “crescimento”, que operam com múltiplos mais altos, tendem a ter performance pior. Isso porque quem compra empresa de múltiplos altos está apostando que, lá na frente, a empresa terá resultado bom que faça jus ao múltiplo alto”, diz. Por múltiplos ela quer dizer a relação entre medidas de valor de mercado e indicadores como lucro, resultado operacional ou receita das empresas (lembrando que muitas empresas de tecnologia nem lucro ainda dão).

A analista explica que quando os juros estão mais elevados, o valor presente das ações é menor porque as análises começam a incorporar um cenário mais desafiador e incerto no futuro.

O caso Inter

Nicolas Merola, analista da Inversa, diz que, no caso do Inter, assim como de outras empresas de tecnologia – já que ele é mais considerado uma companhia de tecnologia do que um banco propriamente dito —, elas ainda estão em fase de investimento e crescimento, e a maior parte do seu valor está em um futuro mais distante. “Além de não ser beneficiada de um ambiente de juros mais altos, sua carteira de crédito é pequena, o que prejudica a cotação da ação”, diz. Ele cita ainda que um grande fluxo de venda vinda de um fundo que chegou a ter 10% do capital da companhia também catalisou a queda.

Ainda sobre o Inter, Alvaro Bandeira, economista-chefe do banco Modalmais, explica que há um movimento dos investidores por preferirem empresas mais maduras e sólidas do que quem ainda promete entrega. “O Banco Inter é muito mais alavancado e ele seguiu o movimento de outras empresas de tecnologia lá fora, como o banco digital Nubank. A queda foi muito mais por conta de uma realocação de recursos por parte de investidores em empresas mais maduras, de resultados, boa governança e política definida de distribuição de resultado, como os grandes bancos Bradesco, Itaú, Banco do Brasil”, diz. “Em um cenário de maior risco, você opta por maior segurança”, completa.

Sobre a movimentação de gestores de recursos, Rodrigo Crespi, analista da Guide Investimentos, explica que é comum, em momentos como esse, em que há uma certa debandada de investidores de fundos de ações e multimercados para migrar para renda fixa (juros altos atraem mais a renda fixa), que os gestores tenham que se desfazer de papéis para pagar os resgates.

“Os resgates acabam impactando bastante o preço das ações, principalmente as de menor valor de mercado porque os gestores precisam, muitas vezes, desmontar posições para pagar o investidor; eles acabam se desfazendo das companhias com a menor capitalização de mercado. Num cenário como esse, em que o setor de tecnologia é afetado pelos juros, e as empresas são menores, elas são alvo de negociação”, diz.

Além disso, é comum empresas de tecnologia que visam crescimento tomarem muito crédito para manter o ritmo de expansão dos negócios. Mas, com juros mais altos, o custo do capital também fica maior.

“Se os bancos se beneficiam de uma lado da alta dos juros, essas outras empresas de crescimento, que precisam se alavancar, sofrem muito com o ciclo de aumento da Selic. Como estão muitas envidadas, ou custo de dívida aumenta ou o custo de novas captações de dinheiro também aumenta. Tecnologia e varejo tendem a sofrer bastante com ciclo de juros”, explica Felipe Vella, analista de renda variável da Ativa Investimentos.

Quais lições você pode tirar de um prejuízo?

Como você já deve saber, investir nem sempre é ganhar dinheiro, principalmente quando o assunto é renda variável e ativos mais arriscados. Ainda mais com o mercado volátil como o brasileiro neste 2022. Primeiro erro é achar que Bolsa de Valores é um lugar para ganhar dinheiro rápido. Lição número 1: não tenha pressa na renda variável. Justamente porque a rentabilidade dela muda você precisa de tempo, porque em um momento vai ganhar dinheiro, depois perder e depois volta a ganhar.

Lição número 2:  deixe a emoção de lado. Não compre ativos ainda mais arriscados, mesmo que tenham um potencial maior de lucro. Pense macro, olhe para o futuro e volte para a regra número 1. Estude mais o mercado financeiro antes de fazer novas escolhas. 

Com reportagem do Valor Investe


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