É ruim mas é bom: por que o Ibovespa subiu 1,54% após vendas do varejo apontarem economia fraca

IBGE informou, nesta quinta-feira, que as vendas do comércio em setembro caíram 1,3% em relação a agosto e 5,5% ante o mesmo período do ano passado; expectativas eram de altas de, respectivamente, 0,6% e 4,3%

(Foto: Amanda Perobelli/Reuters)

O Ibovespa, principal índice acionário da Bolsa brasileira B3, operou em alta em toda a quinta-feira (11). Mas, logo cedo, o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) informou que as vendas do comércio em setembro caíram 1,3% em relação a agosto e 5,5% ante o mesmo período do ano passado, quando as expectativas eram de altas de, respectivamente, 0,6% e 4,3%. A queda é um sinal inequívoco de economia fraca; então, por que a Bolsa está avançando?

Primeiro, é importante lembrar que o mercado financeiro só existe por causa da diversidade de opiniões entre quem investe. Na Bolsa, os preços das ações são definidos no jogo entre vendedores e compradores, cada um com a sua opinião sobre as perspectivas para o papel.

Então, as leituras do cenário podem ser bem diversas. Hoje, a visão que mais se impõe é a de que, com o varejo tão debilitado, o Banco Central vai ter que pegar menos duro no aumento dos juros para não jogar a economia em uma recessão.

Até o início da semana, os especialistas estavam apostando que o Copom (Comitê de Política Monetária) elevaria a taxa básica Selic em 1,5 ponto percentual em sua última reunião do ano, para 9,25%. Quando, na quarta (10), o IBGE divulgou que o IPCA (Índice de Preços ao Consumidor Amplo) ficou em 1,25% em outubro, jogando o acumulado de 12 meses para 10,67%, surgiram especialistas defendendo uma alta de 2 pontos percentuais. Essa ideia perdeu força, no entanto.

Além disso, houve uma redução das incertezas relacionadas às questões fiscais, com o encaminhamento da aprovação da PEC dos Precatórios. Com isso, pelo terceiro dia seguido, o Ibovespa subiu. De acordo com o jornal Valor Econômico, após ouvir fontes do mercado, os investidoes aproveitaram o cenário de mais clareza do Orçamento para voltar a demandar papéis penalizados pela volatilidade recente, depois de meses de tensões elevadas nos mercados com a indefinição do montante dos gastos extraordinários para o ano que vem.

Depois de subir mais de 2%, o Ibovespa fechou em alta de 1,54%, a 107.595 pontos.

Entre as maiores altas, se destacaram a plataforma de descontos Méliuz (+10,34%, R$ 4,27), a companhia aérea Azul (+9,83%, a R$ 29,04) e a siderúrgica CSN (+7,46%, a R$ 22,75).

Lideraram as baixas Via (-12,48%, a R$ 6,17), Braskem (-2,94% a R$ 48,15) e RaiaDrogasil (-2,39%, a R$ 22,89).

Via

A forte desvalorização da Via (ex-Via Varejo) veio após uma surpresa desagradável para investidores. No balanço do terceiro trimestre, a companhia informou um gasto de R$ 1,2 bilhão com processos trabalhistas, o que, combinado à uma receita menor, levou a dona das Casas Bahia e Ponto Frio a um prejuízo líquido de R$ 638 milhões. Os dados foram recebidos de maneira negativa por analistas.

Dólar

O dólar comercial terminou o pregão em queda de 1,74%, a R$ 5,4041. O dólar turismo está a R$ 5,6138.


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