Dólar caindo: é hora de comprar a moeda dos EUA para viagens ao exterior?

Especialistas apontam caminhos para investir e correr menos riscos

Com o dólar caindo (no pregão desta quarta-feira, 20, ele chegou a R$ 4,88), a pergunta inevitável é: este é um bom momento para quem planeja viajar ao exterior comprar a moeda norte-americana? Para especialistas, é natural que o brasileiro enxergue o momento como uma oportunidade para investir em dólar. Especialmente se a pessoa tiver gastos no exterior em breve. E isso não está errado.

Entenda como você deve se comportar

“Primeiro, é importante considerar que há um risco de o real se valorizar mais”, disse André Galhardo, consultor econômico da Remessa Online. Ele cita a desaceleração maior de economias na Europa e nos Estados Unidos. A pausa no ciclo de alta dos juros norte-americanos, aposta que ganhou força recentemente, tende a contribuir para enfraquecer o dólar.

De qualquer maneira, o investidor já pode ter certeza sobre o caminho a ser adotado pelo Federal Reserve (Fed), pois nesta quarta-feira (20) o banco central norte-americano divulgou sua nova taxa básica de juros. E é a mesma. O FOMC (Comitê Federal de Mercado Aberto) decidiu manter a taxa de juros nos Estados Unidos no intervalo de 5,25% a 5,50%.

Mesmo com uma Selic eventualmente começando a cair, a leitura dos economistas é de que os juros brasileiro em relação ao exterior ainda deve manter um quadro favorável para entrada de recursos estrangeiros no país, fortalecendo o real.

Mas o BC não fala em dólar a R$ 5,10?

Além disso, há fatores domésticos favoráveis, como a eventual aprovação da reforma tributária, afirmou Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora. Ele estima o dólar gravitando entre a mínima de R$ 4,70 e a máxima de R$ 5,10 nos próximos meses.

Na outra ponta, há riscos geopolíticos globais, como o da guerra na Ucrânia, que têm potencial de provocar volatilidade no mundo todo.

Numa visão mais ampla do mercado, a expectativa para o dólar é de alguma recuperação nos próximos meses. Segundo o Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central com instituições do mercado financeiro, a mediana das estimativas indica a divisa norte-americana a R$ 5,10 no final deste ano.

Para os economistas consultados, porém, essa leitura coordenada pelo BC se move mais lentamente e tende a vir mais para baixo.

Mas afinal, compro ou não compro?

Neste cenário, uma recomendação dos especialistas é ir comprar dólares em lotes menores, em vez de fazer tudo de uma vez. Mas tomando o cuidado para que as taxas envolvidas em cada operação, como a de delivery, não encareçam demais as transações e ponham essa estratégia a perder.

Uma alternativa mais recente, as contas internacionais de fintechs como Avenue e Nomad, pode facilitar bastante a vida de quem vai gastar em moeda estrangeira.

Essas contas dispõem de cartão de débito que pode ser usado para pagamento em moeda local. Além de usarem o câmbio comercial – na prática, o preço da moeda é menor do que o câmbio turismo -, as transações sofrem uma alíquota de IOF de 1,1%, contra 5,38% no cartão de crédito e nos cartões pré-pagos, explica Juliana Benvenuto, especialista de desenvolvimento da Avenue.

Para quem quiser saber mais

Para quem quiser se aprofundar um pouco mais, há um caminho ainda melhor. As contas exclusivas para investimento no exterior sofrem incidência de 0,38% de IOF.

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Neste caso, o recurso pode ser aplicado em papéis líquidos, como títulos governamentais, com liquidez diária. Quando a pessoa estiver perto de usar os recursos, transfere a soma para a conta corrente na mesma instituição.

É importante atentar nesse caso que não se pode sacar recursos de conta de investimento para pagar contas, sendo necessária a transferência para uma conta corrente.

Há ainda outro caminho, diz Galhardo. Como os juros no Brasil ainda estão altos, o poupador pode aplicar recursos na renda fixa doméstica, numa proteção para minimizar eventual risco de desvalorização do real.

“A opção nesse caso seria comprar um CDB com liquidez diária, por exemplo, já que a renda fixa ainda oferece boa rentabilidade”, acrescentou.