Como bancar a formatura? Veja como se planejar e onde investir

Dica número 1: quanto antes você começar, melhor será

Já imaginou passar 4 anos acumulando R$ 1 milhão de reais para a formatura junto com sua turma, e, da noite para o dia, descobrir que todos vocês perderam o dinheiro?

Pois foi o que aconteceu com uma turma de medicina da USP. A presidente da comissão de formatura, Alicia Dudy Muller, sacou os R$ 937 mil reais para a formatura, sem o consentimento dos colegas.

Resultado: ela perdeu tudo em “aplicações ruins” e tentou reaver o dinheiro apostando em loterias. O caso foi parar na polícia, que investiga o crime de apropriação indébita.

A dúvida que sobra dessa história é: como garantir que a turma vai ter uma formatura linda e emocionante, sem o risco de cair em um golpe?

Pensando nisso, reunimos dicas para você se planejar para ter a formatura dos sonhos, investindo na melhor opção.

Quando começar a investir para a formatura?

Juntar R$ 1 milhão para a formatura, valor que já foi o prêmio do BBB, parece um sonho muito distante.

Mas não precisa ser.

Independente do objetivo – uma formatura milionária ou um jantar para os familiares – quanto mais cedo você começar a investir, melhor.

Isso porque, segundo Lai Santiago, educadora financeira da fintech de crédito Open Co, o tempo é o seu maior amigo.

“Quem tem mais tempo pode investir tendo os juros a seu favor. Por isso é melhor começar a investir o quanto antes.”

Quanto investir na formatura?

Lai fez as contas para a gente.

Se pegarmos uma turma com 20 alunos que querem juntar um milhão em 24 meses, cada um precisaria pagar R$ 1.960,00 por mês.

Se quiserem juntar em menos tempo, como em 12 meses, por exemplo, o valor a ser acumulado mensalmente seria maior, de R$ 4.033,00.

Com isso, se começar a juntar antes, ou seja, com mais meses de antecedência, será preciso destinar uma parcela menor.

Contudo, é preciso planejamento e pesquisa.

Até porque, a quantidade de jovens endividados vem crescendo no Brasil.

Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), a maioria dos endividados em 2022 eram jovens.

Por isso, antes de qualquer movimentação financeira, é importante se planejar individual e coletivamente, para que não pese para ninguém e a formatura não seja uma dor de cabeça. 

Cuidado ao investir 

Apesar do crime cometido contra os formandos da USP, essa história acendeu um alerta: os cuidados ao investir.  

Em especial quando estamos tratando de um dinheiro que é coletivo, é preciso ter o dobro de cuidado com a administração.

Mas isso não significa que uma só pessoa deva se responsabilizar por todo o dinheiro de um grupo.

Para Lai, em hipótese alguma o valor deve ser acumulado em uma conta de um dos estudantes.

É uma dica um tanto óbvia, mas, que pode passar em branco no calor da correria do dia a dia das provas e trabalhos.

Existem empresas especializadas em organizar formaturas e que devem ser avaliadas criteriosamente pela turma.

Isso deve ser feito com calma e cuidado, e pesquisado em sites como o Reclame Aqui. 

Qual é o passo a passo para organizar uma formatura?

A educadora financeira, então, reuniu cinco dicas:

  1. Comece a planejar a formatura o quanto antes para reduzir o valor a ser arrecadado mensalmente;
  2. Escolha adequadamente os investimentos a serem realizados com o valor arrecadado;
  3. Contrate uma empresa especializada para realizar a gestão do dinheiro da formatura, que tenha um bom histórico e reputação no mercado;
  4. Acione um advogado para apoiar na assinatura dos contratos;
  5.  Exija transparência e relatórios constantes para manter o controle do dinheiro.

Em que investir para ter uma formatura milionária?

Para Lai, não importa se a formatura é de milhões ou de centavos: o ideal é buscar alternativas mais conservadoras e de alta liquidez.

Por isso, ela indica os CDBs de liquidez diária que rendam ao menos 100% do CDI, contas remuneradas e o Tesouro Selic.

Entretanto, um alerta: só não pode esquecer que, no caso do CDB, existe um teto para cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos) de R$250 mil por instituição.

Caso o valor investido ultrapasse essa quantia e o banco venha a quebrar, tudo o que exceder a cobertura do FGC será perdido.

Agora, caso você e sua turma decidam tocar no dinheiro apenas em um prazo determinado (2, 4 ou 6 anos), podem investir em CDB, LCI, LCA ou LC (todos com cobertura do FGC), que são investimentos seguros.

Esses títulos, em geral, dão retorno acima da Selic.

Além disso, se vocês começarem a investir com bastante antecedência, a rentabilidade em todas essas opções será a melhor se não retirar o dinheiro do investimento.

É importante lembrar que essas sugestões se mantêm para todos os valores disponíveis para investir, mas, dependendo da quantia disponível, pode ser que alguns produtos de determinados bancos entreguem mais rentabilidade. 

Isso significa que, independente de quanto sua turma consegue investir mensalmente, é muito importante fazer uma pesquisa aprofundada em fintechs e bancos digitais para comparar as ofertas de renda fixa e contas remuneradas, porque essas instituições tendem a apresentar retornos mais competitivos.

A educadora financeira pontua ainda que a importância de ter atenção principalmente com as contas remuneradas.

“No caso das contas remuneradas torna-se imprescindível conferir para onde está sendo direcionado o investimento e qual o grau de risco dos ativos e/ou títulos que as compõem. Essas informações devem ser fornecidas pelo banco quando solicitadas. Caso o risco seja moderado ou arrojado, a conta remunerada não é adequada para tal”. 

Colaborou Anne Dias