Ações da Nasdaq e mais: gestores preparam novos ETFs de dividendos

Buena Vista vai lançar em breve novo produto dessa categoria, que rapidamente está ganhando popularidade entre investidores que buscam renda passiva

A gestora Buena Vista Capital anunciou na sexta-feira (14) o lançamento de um novo ETF com pagamento mensal de dividendos, com ações de tecnologia.

Assim, sob o ticker QQQ11, o Buena Vista Nasdaq-100 High Income ETF tem lançamento previsto para 27 de junho na B3 e sua carteira será composta de papéis de empresas listadas na Nasdaq.

Segundo gestor da Buena Vista, Renato Nobile, o produto tem como atrativo o fato de investir em algumas das empresas mais inovadoras do mundo.

Criado em 1999, o Invesco QQQ original da Nasdaq é 60% composto pelo setor de tecnologia, incluindo ações de Apple, Microsoft, Nvidia e Amazon.

Mas o ETF também inclui papéis de empresas inovadoras dos setores de saúde, indústria e consumo.

Segundo informações da gestora do ETF, quem tivesse investido no produto US$ 10 mil há uma década, teria US$ 55 mil no final de março passado.

No Brasil, a gestora de Nobile e equipe já tem no mercado o Buena Vista US High Income (SPYI11), que espelha o índice norte-americano NEOSSPYI (SPYI) e investe em gigantes dos Estados Unidos, incluindo Meta, Berkshire Hathaway  e Tesla. O produto oferece dividendo médio superior a 1% ao mês, desde seu lançamento, em novembro.

Nubank pretende lançar novos ETFs

O Nubank, pioneiro em ETFs de dividendos, está aumentando a prateleira de ETFs e planeja lançar novos produtos nos próximos meses, segundo Andrés Kikuchi, head da NuAsset.

“A gente olha com muitos bons olhos o produto”, disse Kikuchi.

O primeiro listado da categoria de dividendos mensais veio em setembro passado, o Nu Renda Ibov Smart Dividendos (NDIV11).

O ETF tem como referência o índice Smart Dividendos B3, que inclui 21 empresas do Ibovespa com histórico de dividendos nos últimos 6 anos.

O Itaú lançou nesta semana o DIVD11, ETF cujos proventos são pagos todo décimo dia útil de cada mês.

A cota espelha-se no IDIV B3 Price Return, que considera o pagamento dos dividendos aos acionistas.

O que são ETFs de dividendos

Primeiramente, ETF é a sigla em inglês para exchange-traded fund, o que significa cotas de fundos negociados em bolsa.

Há uma variedade desses papéis no mercado, tanto de renda fixa quanto variável, imobiliários ou mesmo de criptomoedas e eles têm índices como referência.

Nos Estados Unidos, onde essa indústria existe há mais tempo, os ETFs já têm patrimônio superior a US$ 8 trilhões e mais de três mil fundos listados.

Por aqui, os ETFs existem há 20 anos. Hoje, há mais de 500 mil investidores nesse mercado no Brasil, distribuídos em mais de cem ETFs, segundo dados da B3.

ETFs de dividendos: resgatar ou reinvestir?

Há anos, existem ETFs de ações pagadoras de dividendos no Brasil, mas os proventos eram sempre reinvestidos na compra de mais cotas.

Mas são do ano passado os primeiros ETFs de ações que pagam dividendos em dinheiro mesmo.

Dessa forma, o produto surgiu como alternativa para investidores em busca de renda passiva.

Segundo a Investo, gestora que também trabalha com ETFs, o investidor deve ficar atento à questão tributária antes de se decidir por um dos modelos.

Os dividendos pagam na fonte Imposto de Renda de 15%.

Contudo, os dividendos ficam isentos se forem reinvestidos na compra de mais cotas. Ou seja: não vale a pena resgatar os dividendos e depois reinvesti-los.

Cuidado com o Leão!

Um cuidado que o investidor deve ter ao negociar com ETFs de ações de dividendos é com a tributação.

No caso de dividendos, o Imposto de Renda ocorre na fonte, isto é, acontece automaticamente no ato do resgate.

Porém, se o investidor vender cotas, precisará emitir um Documento de Arrecadação de Receitas Federais (Darf) e pagar 15% sobre a valorização da cota, se o ganho superar R$ 20 mil.

Por exemplo:

  • O investidor compra R$ 200 mil em ETFs, algum tempo depois o valor total das cotas sobe para R$ 260 mil e ele decide revendê-las.
  • Sobre o ganho, ou seja, os R$ 60 mil, o investidor deve emitir uma Darf para pagar o equivalente a 15% desse ganho, ou R$ 9 mil.

BDRs de ETFs

Há ainda a opção dos BDRs de ETFs, ou seja, recibos de cotas de fundos originalmente negociados em bolsas no exterior.

Só a Global X, da Mirae Asset, tem 29 deles listados na B3, incluindo cinco com pagamento mensal de proventos.

São eles:

  • Global X Nasdaq 100 Covered Call ETF (BQYL39) – compra ações do Índice Nasdaq 100 e vende as opções de compra correspondentes no mesmo índice.
  • Global X U.S. Preferred ETF (BPFR39) – investe numa cesta de ações preferenciais dos Estados Unidos.
  • Global X SuperDividend (BSDV39) – investe nas 100 maiores empresas pagadoras de dividendos do mundo.
  • Global X SuperDividend U.S. (BDVD39) – investe nas 50 maiores empresas pagadoras de dividendos dos Estados Unidos.
  • Global X SuperDividend REIT (BSRE39) – investe nos 30 maiores REITs pagadores de dividendos do mundo.

Porém, o especialista de produtos da Global X, Flávio Vegas, explica que os dividendos distribuídos pelos BDRS têm tributação diferente.

Em vez dos 15% como acontece no Brasil, os dividendos são sujeitos a uma alíquota de 30% na fonte (como acontece no ETF dos Estados Unidos).

Além disso, para o investidor que não tenha residência fiscal nos Estados Unidos, incidem também taxas de 3% a 5% para o banco emissor dos BDRs.

Na venda da BDR vale a mesma alíquota de 15% sobre os ganhos (20% para day trade). Este produto não tem a benefício de isenção de IR para operações de até R$ 20 mil por mês.

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