Você sabe avaliar as dicas dos influenciadores?

Recomendações de investimentos devem ser vistas com cuidado

Títulos prefixados: você deve fugir deles?
– Ilustração: Marcelo Andreguetti

Pontos-chave

  • Fique atento se há conflito de interesse
  • É preciso entender os riscos da indicação

Os influenciadores digitais conseguem mais engajamento quando falam de produtos financeiros do que quando tratam de assuntos gerais do mundo dos investimentos, revela uma pesquisa da Anbima realizada em parceria com o IBPAD (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados). Tendo como base 406 mil postagens de 277 personalidades da internet, feitos de fevereiro a dezembro de 2021, o levantamento apontou que conversar diretamente sobre os ativos rendeu 44,5% mais curtidas, comentários e compartilhamentos do que abordar os demais temas de uma forma generalizada.

“Cada vez mais, a busca das pessoas é por algum tipo de aconselhamento. Elas querem saber quais as opções de investimento adequadas para elas, como escolher e como investir na prática”, diz Marcelo Billi, superintendente de Comunicação, Certificação e Educação de Investidores da Anbima. “Então faz todo sentido que conteúdos que expliquem um produto didaticamente gerem mais audiência e engajamento que a explicação de conceitos e dicas de educação financeira de forma mais geral”, destaca.

Criptomoedas entraram na pauta

Conforme o estudo, três produtos concentraram 72,8% de todas as menções sobre aplicações: moedas, ações e criptomoedas. Em seguida, apareceram os dividendos e os fundos imobiliários. “O comportamento do câmbio puxou as moedas para o maior número de citações, superando inclusive as ações, que, ao longo do ano passado, dominaram as conversas dos influenciadores nas redes sociais”, detalha Billi. “As criptomoedas são novidade e despertam muito interesse tanto de investidores mais experientes quanto das pessoas que estão dando os primeiros passos”, acrescenta o representante da Anbima.

Como avaliar as dicas dos influenciadores?

O investidor que consome o conteúdo das redes precisa entender os riscos envolvidos antes de tomar uma decisão influenciado por famosos. A observação é da economista Patrícia Palomo, gestora de recursos e conselheira da Planejar. “Posso resgatar meu dinheiro a qualquer tempo? Posso vir a perder dinheiro? Quanto?”, lista a especialista sobre as primeiras indagações que podem ser feitas ao avaliar uma dica.

Não tenha medo de ficar de fora das novidades

Analisar se o ativo faz sentido dentro da carteira, se está dentro do perfil de investidor, da tolência ao risco da pessoa e se atende os objetivos traçados em um determinado horizonte também são fatores importantes. A gestora ressalta os perigos de não considerar todos esses pontos. “O investidor fica mais suscetível aos vieses comportamentais associados a essas ofertas de produtos, como o FOMO (fear of missing out, na sigla em inglês), que é o medo de ficar de fora da novidade que está todo mundo participando e acabar investindo em algo que não vai ser adequado ao seu perfil”, explica. “Depois que o produto dá problema e o investidor percebe que não deveria ter investido nele, aí já é tarde. Ter um plano é fundamental para não cair em ciladas”, reforça Palomo.

Detalhes que precisam ser conhecidos

O acesso a informação sobre ativos financeiros é muito importante para que o investidor tenha mais assertividade na hora de tomar sua decisão, considera a economista. Ela alerta, no entanto, para um potencial conflito de interesse nas recomendações, principalmente se o influenciador estiver sendo pago para fazer uma propaganda do produto.

“Há um interesse econômico de uma das partes por trás daquela informação. Quem é que está pagando por essa dica? A resposta dessa pergunta precisa ficar clara ao investidor. Se é um pagamento único e fixo para falar e explicar as vantagens do produto ou se o influenciador recebe uma participação dos lucros que a venda daquele produto vier a gerar”, detalha a economista. “O incentivo que a participação nos lucros incorre é do influenciador tentar atrair o maior público possível para investir no produto e isso pode não ser necessariamente bom para o público”, completa.

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