Queda das ações nos EUA, empresas brasileiras na Bolsa, desglobalização

Isabella Carvalho e Victor Vietti falam sobre a possibilidade do Brasil fechar o ano sem nenhuma empresa ter aberto capital na Bolsa, a queda das ações nos EUA e a desglobalização no mundo

No Manhã Inteligente desta terça (3), Isabella Carvalho e Victor Vietti falam sobre a possibilidade do Brasil fechar o ano sem nenhuma empresa ter aberto capital na Bolsa. Eles também comentam a queda das ações americanas e um possível processo de desglobalização no mundo.

Brasil pode terminar o ano sem novas empresas na Bolsa

Após 44 empresas brasileiras abrirem capital em 2021, o maior número em 14 anos, o país pode encerrar 2022 sem nenhuma oferta pública inicial. De acordo com a CVM, desde janeiro 22 empresas já desistiram de fazer IPOs. Entre elas a CSN Cimentos, a Madero e a Selfit Academias. O clima desfavorável para os IPOs acontece por um conjunto de razões, como o ano eleitoral, juros altos e a guerra na Ucrânia.

Ações em queda nos EUA

A liquidação das ações nos Estados Unidos ainda tem muito espaço para piorar, de acordo com Michael Wilson, estrategista-chefe de renda variável do Morgan Stanley. Na visão dele, o S&P 500 tem potencial para cair aos 3.800 pontos no curto prazo, podendo chegar aos 3.460. Isso seria uma queda entre 8% e 16% em relação aos níveis atuais.

Fazendo um paralelo, abril foi o pior mês em mais de dois anos para as ações dos Estados Unidos. O S&P 500 caiu 8,8% e o Dow Jones caiu quase 5%. É o pior desempenho mensal para os índices desde março de 2020. Já a Nasdaq recuou mais de 13% no mês passado. Foi o pior resultado desde outubro de 2008. As ações de tecnologia têm puxado os índices para baixo, já que elas são muito sensíveis às taxas de juros mais altas nos Estados Unidos.

Desglobalização volta à pauta mundial

Com a guerra na Ucrânia, economistas, especialistas em relações internacionais e gestores de recursos voltaram a discutir a desglobalização. Considerando a possível redução do comércio global e do fluxo financeiro entre países, pode ser que o mundo passe a conviver com mais inflação, juros mais altos e menos crescimento econômico.

Larry Fink, CEO da BlackRock, que é a maior gestora de recursos do mundo, disse em uma carta anual aos acionistas no fim de março que tendências como a desglobalização, a inflação e a transição para energias limpas devem ter impactos nas empresas, na precificação delas e nos portfólios dos investidores.

Por outro lado, Rafaela Vitória, que é economista-chefe do banco Inter, considera que ainda é muito cedo para dizer que há uma tendência de desglobalização, e que só daqui a alguns anos, a partir da observação dos dados sobre o comércio global, será possível entender o alcance desse movimento.


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