Nubank: analistas veem resultados positivos, mas inadimplência gera cautela

Desde o IPO, em 8 de dezembro, quando foi precificado a US$ 9, o papel do banco digital acumula queda de 50,2%

Sede do Nubank, em São Paulo (Foto: Divulgação)

Depois de abrirem a sessão em alta, as ações do Nubank oscilam entre leves perdas e ganhos nesta terça-feira, após a divulgação do balanço do primeiro trimestre na noite de ontem. A maioria dos analistas interpretou os resultados como positivos. O lucro ajustado veio acima do esperado e o ritmo de conquista de clientes continua muito forte. Porém, o aumento da inadimplência gera cautela.

Por volta das 11h55, as ações do Nubank operavam literalmente estáveis, a US$ 4,35. Ontem, antes do balanço, elas tiveram forte queda, mas no after market foram para o terreno positivo, na esteira do lucro. De qualquer forma, não estão muito distantes da mínima histórica de US$ 3,69 atingida na quarta-feira. Desde o IPO, em 8 de dezembro, quando foi precificado a US$ 9, o papel do banco digital acumula queda de 50,2%.

Para o Citi, os números do Nubank vieram acima do esperado. “O Nubank superou nossas expectativas, que já eram acima do consenso, registrando sólido crescimento de clientes (principalmente por meio de canais orgânicos, com baixos custos de aquisição de clientes), maior engajamento (refletido no crescimento da receita média por cliente ativo) e volume de compras e depósitos historicamente altos.”

Eles apontam que o crescimento da carteira de crédito impulsionou as tendências gerais de expansão do resultado. Os analistas apontam que, embora os investidores estejam preocupados com o risco resultante, ou seja, o aumento do provisionamento para perdas de crédito e da inadimplência, a empresa abordou isso. “Como esperado, a metodologia de provisão por perda esperada, a normalização de crédito pós-pandemia e a sazonalidade são os fatores determinantes para grande parte da mudança [na inadimplência]”.

Para o UBS BB, apesar da surpresa negativa com a inadimplência, todas as outras métricas operacionais vieram melhores do que o esperado. “Apesar do sinal amarelo com a magnitude do aumento do índice de inadimplência, gostamos dos resultados do Nubank, especialmente considerando o impacto que a expansão da base de clientes e do crédito deve gerar nos resultados de médio e longo prazo.”

Eles apontam que a base de clientes cresceu, com maior nível de ativação e receita crescente por usuário. A receita de tarifas também aumentou bastante, em um trimestre que seria sazonalmente mais fraco, em meio a volumes processados maiores, o que indica que o Nubank segue ganhando participação de mercado.

“A empresa continua a crescer em ritmo acelerado, conquistando mais 5,7 milhões de clientes, para atingir 59,6 milhões e uma impressionante taxa de ativação de 78%. Além disso, 54% da base de clientes ativos agora está usando o Nubank como seu banco principal. Isso levou a um crescimento extraordinário da carteira de 166% na comparação anual e uma receita 11% superior ao que prevíamos. Embora a inadimplência tenha se deteriorado mais do que o esperado, isso foi parcialmente devido à sazonalidade e à mudança de mix, e o índice permanece bem abaixo da média do sistema financeiros e dos níveis pré-pandemia”, diz o Goldman Sachs.

Com uma visão mais cautelosa, o Itaú BBA disse que o aumento do custo de crédito e das despesas ofuscou o crescimento da receita. “No geral, os resultados mostram uma boa execução em termos de crescimento de receita, mas o Nubank também está enfrentando os desafios de custo e crédito que geralmente vêm com ele. Esperamos que isso continue pressionando seu valuation.”

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