IF Hoje: Semana intensa fecha com relatório do mercado de trabalho nos EUA, o Payroll

Nas últimas leituras, o Payroll superou - por muito - as projeções do mercado

Finalmente chegou a sexta! Após uma semana repleta de dados, quatro decisões de política monetária, eleições no Congresso, rumores de novos rombos contábeis e as questões políticas, o drive do dia será em torno da divulgação do Payroll nos Estados Unidos, que pode indicar os próximos passos da inflação e da direção dos juros na maior economia do mundo.

Às 10h30 (Brasília) o Bureau de Estatísticas de Trabalho divulgará o relatório de empregos não-agrícola nos Estados Unidos, conhecido por Payroll. Divulgado sempre na primeira sexta-feira do mês, o evento de hoje ganha uma atenção especial por sair logo após a decisão de juros do Fed, que elevou a taxa de juros em 0,25 ponto percentual, para faixa entre 4,50% e 4,75%.

O consenso do mercado é que seja anunciada a criação de 175 mil empregos no mês de janeiro, mas o relatório costuma surpreender, e na última divulgação ficou muito acima do consenso, com a criação de 223 mil vagas, ante a projeção de 200 mil.

Por que o Payroll é importante?

O Payroll abrange toda a folha de pagamento dos setores de comércio e serviços dos EUA, sendo importante para ter um diagnóstico sobre a arrecadação de impostos federais, o consumo e a distribuição de renda. É mais um termômetro da economia americana.

Os números do mercado de trabalho dos EUA fornecem uma ideia clara se a economia está acelerando ou desacelerando.

O nível de desemprego nos Estados Unidos está atualmente em 3,5%.

Com o aumento do emprego, a tendência é que as pessoas consumam mais, o que pode acelerar a inflação. É por isso que o mercado financeiro costuma reagir negativamente quando o relatório traz números muito aquecidos em uma situação de pressão inflacionária.

Para controlar a inflação, o Federal Reserve retira dinheiro de circulação ao desestimular a economia por meio do aumento da taxa de juros, que pode levar a maior economia do mundo a uma recessão econômica.

E o que acontece na economia dos EUA acostuma afetar o mundo todo.

Fora isso

Na Europa, a França vai apresentar seus dados de produção industrial, a zona do euro sua inflação ao produtor de dezembro e de todo ano de 2022, e o Brasil seus dados de produção industrial de dezembro, PMI composto, PMI de serviços e global.

Mercado ontem

O dólar fechou a sessão em queda de 0,32%, a R$ 5,04, tendo reduzido a intensidade da descida na reta final do pregão, pois ao longo do dia chegou a cair mais de 2%, a R$ 4,94. A última vez que o dólar havia testado níveis inferiores a R$ 5 foi em 10 de junho de 2022.

No mercado acionário, o Ibovespa fechou em queda de 1,72%, aos 110,14 mil pontos. O índice foi pressionado pelo Copom mais duro em relação a manutenção da taxa de juros e pelas ações de Vale e Petrobras.

Entre as commodities, o petróleo Brent – utilizado pela Petrobras como parâmetro para sua política de preços – fechou em queda de 0,81%, a US$ 82,17 por barril.

O comunicado do Comitê de Política Monetária do Banco Central ficou no radar, após o comunicado indicar a manutenção dos juros patamares elevados por mais tempo.

Com o dólar demonstrando poder romper a resistência de R$ 5, as empresas aéreas decolaram na bolsa, diante da perspectiva de redução de custos com combustível e leasing de aeronaves. Perto do fechamento, as ações da Gol (GOLL4) subiam 13,40%, a R$ 8,47, e as da Azul (AZUL4) 7,41%, a R$ 12,47.

Bancos

As ações do setor financeiro tiveram um alívio ontem, após semanas apanhando com o escândalo Americanas.

Com o Copom indicando que pode manter os juros altos por mais tampo, os bancos se beneficiam disso, aplicando spreads maiores e vendo o resultado no balanço financeiro.

O Santander, que divulgou um balanço considerado ruim, abriu o pregão de ontem em queda, mas inverteu o sentido e fechou em alta de 0,18%. Outras ações de bancos também avançaram. Itaú (0,62%) e Bradesco (1,50%). Banco do Brasil (-1,89%) e BTG Pactual (-4,77%) destoaram e caíram.