Itaú: Acelerar corte da Selic agora seria risco para expectativas de inflação

Discussão sobre ampliar ritmo de redução dos juros deve ficar para o fim do ano, avalia o banco

O Copom (Comitê de de Política Monetária do Banco Central) deve anunciar na quarta-feira (20) um novo corte de 0,50 ponto percentual na taxa Selic, de 13,25% para 12,75%. Na avaliação do Itaú Unibanco, a decisão do colegiado tem pouco espaço para surpresas, principalmente no sentido de ampliar o ritmo de queda dos juros básicos da economia.

“As autoridades estabeleceram uma barra relativamente alta para a aceleração do processo de flexibilização, ao menos no curto prazo, que exigiria uma reancoragem mais forte das expectativas, uma ampliação mais acentuada do hiato do produto ou uma inflação de serviços substancialmente menor”, diz o Itaú em relatório assinado pelo seu economista-chefe, Mario Mesquita.

O documento da instituição segue destacando que, desde a última reunião do Copom, o conjunto de informações evoluiu de maneira ambígua.

“Por um lado, foram divulgados dados mais benignos de inflação, com recuo dos núcleos de serviços. Por outro, o PIB do segundo trimestre surpreendeu para cima, o ambiente externo se tornou mais complexo (com aumento dos juros longos nos Estados Unidos e economia ainda resiliente), as dúvidas locais sobre o cumprimento da meta de orçamento equilibrado em 2024 se intensificaram, e o real depreciou em relação ao dólar”, aponta o texto.

Assim, o Itaú reitera a expectativa de um corte de 0,50 ponto da Selic, para 12,75%, com o comitê reforçando, por ora, que há unanimidade para manutenção do ritmo.

“Portanto, sem abrir espaço para discussão de aceleração do ritmo de cortes no curto prazo”, afirma o banco.

Mas por que a instituição financeira não vê no momento uma brecha para uma baixa de 0,75 dos juros?

O relatório diz que o balanço de riscos para a inflação deve continuar sendo descrito pelo Copom como simétrico, com as autoridades adicionando que anteveem um hiato do produto mais estreito que o utilizado atualmente pelo comitê em seu cenário de referência.

“Em seu guidance, o Copom provavelmente manterá a sinalização de serenidade e moderação na condução da flexibilização monetária, a fim de que se consolide o processo de desinflação e a ancoragem das expectativas em torno de suas metas”, sustenta o texto.

“Entendemos que seria prematuro abrir espaço para discussão de aceleração de corte neste momento, dado o risco que tal comunicação atrapalhe o processo de convergência das expectativas de inflação”, explica o banco.

“No entanto, olhando para além da reunião que se aproxima, acreditamos que a dinâmica mais benigna da inflação de serviços, assim como a esperada desaceleração da economia (que deve ficar mais evidente ao longo da segunda metade do ano), devem permitir cortes maiores na virada do ano (isto é, em dezembro), bem como um ciclo mais profundo. Com isso, nossa expectativa é que a taxa Selic encerre 2023 em 11,50%, e 9,00% em 2024″, completa o Itaú.