Como o Banco Central controla os juros no Brasil?

Conheça os critérios que decidem os custos de uma dívida ou o rendimento de um ativo financeiro

A cada 45 dias o mercado financeiro concentra a atenção em um evento que mexe com toda a economia: a reunião do Copom. É nela que o Comitê de Política Monetária do Banco Central decide os rumos da Selic, a taxa básica de juros do Brasil – como acontece nesta quarta-feira (2). A Selic influencia os juros cobrados em empréstimos e financiamentos, assim como o retorno de investimentos. 

Os critérios do Banco Central 

Para decidir se a Selic aumenta, diminui ou fica no mesmo patamar, o Banco Central leva em consideração a situação da inflação no Brasil. Por aqui, o principal índice de preços é o IPCA. “Se a inflação está subindo significa que há uma demanda aquecida. Neste cenário, o Banco Central sobe a taxa de juros para tentar conter essa inflação”, explica Bruno Musa, economista e sócio da Acqua Vero Investimentos. 

Como a inflação é o aumento de preços, a elevação da Selic chega para desaquecer a economia, já que os juros cobrados em empréstimos, financiamentos e cartões ficam mais altos, o que desencoraja o consumo. Com uma demanda menor, é natural que a inflação também desacelere.

Tudo isso é feito para atingir a meta para a inflação definida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN). Resumindo: o CMN estabelece um limite para o ano e o Banco Central adota medidas para alcançá-lo. “Atualmente estamos muito próximos da meta [de 4,75%], já que o Banco Central brasileiro foi o primeiro no mundo a começar a subir taxa de juros prevendo uma inevitável inflação”, explica Bruno. 

Como o Banco Central controla a taxa de juros? 

Voltando para a famosa reunião, nela se concentram nove membros do Copom, incluindo Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central. “Todos têm voto igual na reunião que começou terça-feira (1) e termina hoje (2) – quando o Copom divulga a decisão. Ali os membros analisam métricas e decidem se a taxa de juros subirá, cairá ou continuará a mesma”, ressalta Bruno. A taxa pode subir (ou cair) 0,25 ponto percentual, 0,5; 1,25; 1 e por aí vai. 

Qual é a previsão da taxa Selic para 2023?

De acordo com o último Boletim Focus, a previsão para a Selic no fim de 2023 é de 12%. A taxa de juros no Brasil atualmente está em 13,75% e a expectativa é de que o Copom comece um movimento de corte na próxima reunião, que acontecerá nesta quarta. “O que podemos esperar é um corte de 0,25%, sendo 0,5% algo mais agressivo”, ressalta Bruno.

Qual é a maior taxa de juros do mundo?

Atualmente, a Argentina ocupa o primeiro lugar com a maior taxa de juros na lista de países que formam o G20. A taxa do país, que vem enfrentando um descontrole inflacionário, está em 97% ao ano. O Brasil terminou o 1º semestre de 2023 em 3º lugar, com juros de 13,75% – perdendo apenas para a Turquia, com 15% ao ano.