Santander vê dólar a R$ 5; XP eleva projeções para inflação, juros e PIB

Mudanças no cenário econômico foram anuncias em relatórios divulgados nesta quinta-feira

Foto: Pixabay

O banco Santander revisou suas perspectivas para o dólar e para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para os próximos anos. As mudanças foram anunciadas em relatório divulgado nesta quinta-feira.

O Santander reduziu sua projeção para a taxa de câmbio no fim de 2022 de R$ 5,40 para R$ 5. Para o fim de 2023, a alteração foi de R$ 5,25 para R$ 4,80 e, para 2024, a mudança foi de R$ 4,90 para R$ 4,70. Já para o IPCA de 2022, o banco aumentou sua perspectiva de de 6% para 7,9% e, em 2023, de 3,7% para 4%.

Comentando o câmbio, o Santander explica a valorização do real nos últimos meses mas pondera suas perspectivas. “Avaliamos que o real foi favorecido por uma combinação da taxa de juros elevada (inclusive com aumento do diferencial em relação aos juros externos), dos preços crescentes das commodities (sendo o Brasil um importante país produtor em todos os segmentos), e de um certo distanciamento (econômico, político e geográfico) do epicentro das atuais tensões geopolíticas”, diz o documento.

“Seguimos antevendo enfraquecimento do real frente ao patamar atual no 2S22, na esteira da normalização mais célere da política monetária nas economias avançadas e de alguma volatilidade gerada pelo debate sobre os rumos da política econômica a partir de 2023. Porém, entendemos que a alta nos preços de commodities e uma provável mudança estrutural na alocação de recursos dedicados a mercados emergentes, ambos derivados do conflito Rússia-Ucrânia, juntamente a um diferencial de juros ainda significativo deverão resultar em uma taxa de câmbio mais apreciada do que imaginávamos”, diz o relatório.

Explicando sua revisão para o IPCA, o banco menciona o impacto da guerra na Ucrânia no preço das commodities, que gerou uma pressão adicional no indicador. O banco diz acreditar que, “os preços mais voláteis (em particular, aqueles itens relacionados a “inflação importada”) deverão produzir um pico inflacionário (no critério de inflação acumulada em 12 meses) em maio deste ano. Contudo, o maior risco para o cenário de desinflação adiante vem dos serviços, que tendem a ser mais inerciais.”

Além do câmbio, o Santander também revisou o resultado primário do setor público de 2022 de -0,8% do Produto Interno Bruto (PIB) para 0% e, também, a dívida bruta do governo geral de 2022 de 84,8% do PIB para 80,6%.

Já a expectativa de crescimento do PIB de 2022 foi mantida em 0,7%, mas a de 2023 passou de -0,2% para -0,3%. Para 2024, continua em +1,5%, assim como a Selic ao fim de 2022, que já estava em 13,25%.

Inflação e juros maiores

A XP também revisou seu cenário macroeconômico para o Brasil, elevando as projeções para Produto Interno Bruto (PIB), inflação e juros neste ano.

A previsão para o crescimento da economia em 2022 passou de zero para 0,8%. A estimativa de IPCA foi de 7% para 7,4%. Já a projeção para a Selic ao fim do ciclo e do ano mudou de 12,75% para 13,75% (altas de um ponto em maio e em junho), ajustando-se à fala recente do presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, que reconheceu que o IPCA de março surpreendeu para cima.

Para os economistas da XP, apesar da surpresa recente com os índices de preços — notadamente o IPCA de março — estar concentrada em itens mais voláteis, como alimentos e combustíveis, há sinais de que a inflação está ficando mais inercial. Uma evidência disso, segundo eles, é que o repasse de custos ao consumidor final tem sido mais forte do que a média histórica.

Outro motivo para a inflação continuar pressionada, na avaliação dos economistas, é que a atividade se mostrou mais resiliente do que o esperado no início deste ano, o que tornará a inflação de curto prazo menos sensível à desaceleração econômica esperada para o segundo semestre.

Isso levou a XP a subir, principalmente, sua projeção de inflação de serviços (de 6,2% para 7,4%), que é um setor mais sensível à dinâmica da atividade e, portanto, poderia desacelerar mais, na visão anterior da casa.

Caio Megale, economista-chefe da XP, explica que a projeção de IPCA não está em 8%, como já é o caso de algumas instituições, porque certos fatores ainda podem segurar um pouco a inflação, como uma acomodação recente, embora em patamares elevados, das commodities.

Além disso, Megale diz que o câmbio nesse patamar de R$ 4,70 por dólar ou R$ 5, como projeta a XP para o fim do ano, parece equilibrado. A menos que, pondera ele, o banco central americano tenha de fazer um ajuste muito agressivo nos juros – ultrapassando muito a faixa de 2,5%, para 5% a 6%, e alterando o fluxo de capitais para emergentes – ou que haja uma surpresa interna “muito diferente” na dinâmica das eleições – por exemplo, uma discussão que abandone a dívida/PIB como uma métrica importante.

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