Poupador não se anima com Tesouro Prefixado

Segundo o Tesouro Nacional, esses foram os papéis que menos venderam nos últimos meses

Ilustração representa inflação
– Ilustração: Marcelo Andreguetti/IF

Pontos-chave

  • Aceleração da inflação e da taxa de juros elevam o risco do papel
  • A avaliação é que títulos IPCA+ protegem mais em um cenário como esse

Nos últimos meses, os papéis Tesouro Prefixado tentaram de tudo para chamar a atenção do investidor, com taxas na casa dos 12%, que, por muito pouco, não chegaram aos 13% de rentabilidade. Juros considerados altos, se comparados aos valores do início do ano. Mas não adiantou. Segundo o Tesouro Nacional, esses foram os papéis que menos venderam nos últimos meses, ao contrário do mais cotado, o IPCA+. E o principal motivo não precisa nem ser investidor para conhecer: inflação.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo -15 (IPCA-15), considerado a prévia da inflação brasileira, ficou em 1,17% em novembro, após alta de 1,20% em outubro, segundo o IBGE. No resultado acumulado em 12 meses, o IPCA-15 ficou em 10,73% em novembro.

O aumento nos preços pode explicar por que o grupo mais demandado pelos investidores foi o indexado à inflação (Tesouro IPCA+ e Tesouro IPCA+ com juros semestrais) em outubro, cuja participação nas vendas atingiu 46,7%. Os títulos indexados à Selic (Tesouro Selic) corresponderam a 37,8% do total e os prefixados, a 15,5%.

De acordo com o gestor de renda fixa da AF Invest, Maurício Valadares, os números mostram a estratégia defensiva do investidor. “Ficaram cautelosos com essa aceleração muito rápida da inflação e da taxa básica de juros, e os títulos IPCA+ e Selic protegem o investidor nessa alta. Os prefixados se tornam um papel muito arriscado em um cenário como esse.”

O risco citado pelo especialista vem da ideia de que os títulos prefixados não são recomendados para ciclos de juros em alta, como o que estamos vivendo agora. Isso porque, se o investidor aposta no Tesouro Prefixado com as taxas atuais, pode ter um retorno médio menor do que a Selic efetiva, caso a taxa básica de juros ultrapasse a que foi contratada pelo investidor para o período. “Quem comprar um título com taxa de 12% ao ano, contrata esse retorno anual para a vigência do papel, sendo que a Selic pode ser maior do que esse valor, e o investidor vai acabar perdendo uma oportunidade melhor de alocar esse dinheiro”, explica a estrategista-chefe da Órama, Sandra Blanco.

Os papéis do Tesouro IPCA+ estão com essa bola toda porque pagam a inflação do período, observando qual o prazo escolhido, mais um percentual pré-fixado, o equivalente ao juro real, se mantiver o investimento até o prazo final de vencimento.


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