3 estratégias para você investir em ações: veja os riscos e as oportunidades de cada uma delas

São formas distintas de investir, com objetivos diferentes e para todos os tipos de investidores

Quando as taxas de juros caem, os investidores passam a olhar para a possibilidade de correr um pouco mais de risco e investir em ações em busca de maior rentabilidade. Mas o que muitos iniciantes que buscam saber como investir em ações não sabem é que há diferentes estratégias para atuar na bolsa de valores.

São formas distintas de investir, com objetivos diferentes e níveis também diversos de tolerância a risco. “Não é sobre a melhor estratégia, é sobre aquela a qual a pessoa mais consegue se adaptar. Existem alguns fatores a se considerar, como a disponibilidade para se dedicar ao investimento, o perfil de investidor e o momento de vida”, explica Filipe Villegas, estrategista de ações da Genial Investimentos.

“A pessoa precisa pensar o quanto ela pode se dedicar. Se ela vai ficar acompanhando e operando ali diariamente, se ela vai olhar semanalmente, se só quer acompanhar a cada três meses”, diz o especialista. “Mas o investidor primeiro precisa identificar o seu perfil. E é uma questão mais ingrata, porque a pessoa geralmente se considera mais corajosa do que ela realmente é”, completa.

Como investir em ações? Veja 3 estratégias

Filipe Villegas cita, em entrevista à Inteligência Financeira, três possíveis estratégias para quem quer saber como investir na bolsa de valores. Vale ressaltar que o investidor sempre deve considerar seu perfil de investidor, seus objetivos e sua tolerância a risco antes de fazer qualquer investimento.

1ª estratégia: Busca por dividendos investindo em ações

O estrategista de ações afirma que uma das principais formas de investir na bolsa de valores é aplicar em empresas buscando receber, de tempos em tempos, uma parte dos lucros dessas companhias, os chamados dividendos.

De acordo com Villegas, essa estratégia é recomendada também para quem está começando ou uma pessoa que já construiu patrimônio. Em ambos os casos, o objetivo é obter uma renda adicional. Dessa maneira, também é uma estratégia que não requer um acompanhamento tão intenso.

Por isso, as ações priorizadas aqui são aquelas com posição de mercado consolidada e que sejam boas pagadoras de dividendos. Isso, mesmo que, por outro lado, não tenham tanto potencial de valorização como outros papéis.

“Uma empresa que paga bons dividendos tem baixo nível de alavancagem, atua em uma área em que ela esteja sozinha ou seja líder, e por isso não tem necessidade de ter grandes investimentos. É o tipo de empresa que costuma ser mais conservadora”, explica Filipe Villegas.

Para adotar essa estratégia, é importante, de acordo com o especialista, que o investidor analise o dividend yield (DY), a taxa de retorno percentual dos dividendos. Para ser considerada uma boa pagadora, o ideal é que o DY fique acima de 5% e que seja recorrente. “É sempre importante identificar essa taxa anual e a recorrência. Quanto maior o histórico, maior o nível de confiança”, diz.

2ª estratégia: Valorização no curto prazo

Aqui estamos falando de um perfil de investidor diferente ao mencionado na estratégia anterior. Para buscar operar no mercado de forma intensa, buscando oportunidades de valorização no curto prazo, é importante ter um maior conhecimento e disponibilidade para gerir os investimentos. Acompanhando, por exemplo, a temporada de balanços.

“O investidor que tem essa característica mais imediatista ele tem que já ter um certo conhecimento do mercado. Ter condição de valiar cenário macroeconômico, entender análise técnica e gráfica. Tem que gostar de dinamismo e de botar a mão na massa”, explica Filipe Villegas, da Genial.

Nessa estratégia, afirma o especialista, o plano é saber identificar oportunidades de compra e venda de ações, levando em conta as principais técnicas de análise e o acompanhamento das condições macroeconômicas e dos fluxos de notícias sobre as empresas.

“O ideal é que ela consiga acompanhar o mercado. Normalmente, as pessoas pecam bastante nesse sentido, porque o escopo é grande, vai do contexto macro à cotação do minério de ferro”, afirma o estrategista de ações.

É importante também adotar essa prática de forma gradual, de modo a poder se acostumar com os movimentos do mercado.

“Quando você aprendeu a dirigir, você não começou dominando todas as regras, soltando a embreagem, pensando o que ia fazer. Conforme a vivência no trânsito, simplesmente acontece”, compara Filipe, que cita o fator emocional como crucial, que a pessoa conheça seus limites e tolerâncias com perdas e adversidades.

3ª estratégia: Valorização no longo prazo

Outro possível objetivo é o de buscar uma valorização significativa no longo prazo, identificando papéis de empresas promissoras, com potencial de crescer. “São empresas de crescimento. É muito comum fazermos essa associação com empresas de tecnologia”, explica o estrategista de ações.

Ele pondera que são empresas que usualmente tem esse fator da inovação. Companhias que hoje ainda são pequenas e estão alavancadas, demandando mais investimentos. No entanto, empresas nas quais o investidor aposte que no futuro, passada a fase de crescimento, possam se consolidar e valer muito mais do que valem hoje.

De acordo com o especialista, o importante para esse investidor é a paciência e o longo prazo para a aplicação. “Geralmente, indicamos que a pessoa tenha o tempo a seu favor. Não conseguimos mensurar em quanto tempo a pessoa vai ter o retorno”, diz Filipe Villegas.

Esse é um investidor do chamado “buy and hold”, ou seja, compra e mantém. Por outro lado, não significa que ajustes na carteira não possam ser feitos com o tempo. “Temos o investidor buy and hold, mas tem o investidor de longo prazo com uma atuação mais tática. Se tiver uma situação macroeconômica mais desafiadora, ele pode resgatar para voltar depois ou mudar a sua carteira”, afirma.