LCA ou CDB: qual investimento rende mais?

As regras para a cobrança de Imposto de Renda são decisivas na hora dessa resposta, alertam especialistas

Quando falamos em renda fixa, há uma série de produtos disponíveis para os investidores. Da variedade vem a tarefa de escolher em quais investir para compor a sua carteira. Por exemplo, LCA ou CDB? Qual dos dois rende mais? E qual vale mais a pena investir hoje?

Para responder essas perguntas e te ajudar a se guiar nesse escolha, a Inteligência Financeira ouviu Ricardo Matte, sócio fundador e CEO da Vincit Capital, e Simone Carvalho, CEO do grupo NanoCapital.

Para começar, vamos esclarecer a sopa de letrinhas e explicar o que é cada um desses dois produtos.

LCA é sigla para Letra de Crédito do Agronegócio. É um título de renda fixa emitido por instituições financeiras, com o objetivo de financiar atividades do setor do agronegócio.

Por outro lado, CDB é sigla para Certificado de Depósito Bancário. Também é um título de renda fixa emitido por bancos. No entanto, o objetivo do CDB é captar recursos para financiar as atividades do próprio banco, como linhas de crédito.

LCA ou CDB: o que os produtos têm de semelhante e de diferente?

Antes de escolher onde investir, é importante entender como cada produto funciona. No caso, LCA e CDB guardam diversas semelhanças. Além de serem títulos de renda fixa emitidos por instituições financeiras, ambos contam com a garantia do Fundo Garantidor de Créditos (FGC).

O FGC assegura investimentos de até R$ 250 mil por CPF e por instituição, limitados a R$ 1 milhão a cada quatro anos. Portanto, uma segurança para o investidor em caso de dificuldades na instituição financeira que emitiu aquele título.

A principal diferença e o fator que será decisivo na hora de responder qual rende mais, LCA ou CDB é a tributação. Enquanto a LCA é isenta de Imposto de Renda, o CDB está sujeito à tabela regressiva da renda fixa. Ou seja, a cobrança que parte de 22,5% para investimentos de até 180 dias e cai progressivamente até chegar a 15% após 720 dias.

Outro fator é o que foi citado acima: a forma como é utilizado pela instituição o dinheiro investido. Enquanto o CDB é voltado para as atividades dos bancos, a LCA está ligada à concessão de créditos ao agronegócio. É por isso, inclusive, que a letra de crédito conta com a isenção de imposto, uma forma do governo incentivar o setor.

O que rende mais, CDB ou LCA?

Tanto o CDB quanto a LCA possuem títulos com diferentes taxas e modalidades de rentabilidade. Por exemplo, podem ter taxas prefixadas, pós-fixadas (atreladas a um percentual do CDI) ou híbridas (seguir a inflação mais um percentual do CDI).

Na prática, o que acontece é que, em razão da isenção de IR, as letras de crédito costumam oferecer taxas nominais mais baixas. No entanto, a depender do prazo de investimento, as LCAs podem render mais que os CDBs justamente por contarem com a isenção de IR.

“Em termos líquidos, muitas vezes as LCAs acabam rendendo mais que CDBs, devido à isenção de IR”, explica Ricardo Matte.

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Ou seja, a resposta final vai depender da taxa ofertada e do prazo de investimento, que impacta em qual o percentual de IR que incidirá sobre o CDB.

Calculadora de investimentos ajuda em comparação

A Calculadora de Renda Fixa da Inteligência Financeira também nos ajuda nessa tarefa. Considerando 10 mil cenários possíveis, a partir do método preditivo do íon, a ferramenta permite termos uma projeção média de qual o retorno esperado em cada um dos produtos simulados.

Então, ao simularmos o investimento de R$ 1 mil em um prazo de um ano, tem-se que a maior rentabilidade entre os dois produtos é a do CDB prefixado, com um rendimento estimado de R$ 135,50 em 12 meses. Depois viriam a LCA prefixada (R$ 127,65), o CDB pós-fixado (R$ 113,80), a LCA pós-fixada (R$ 111,17), o CDB IPCA+ (R$ 99,39) e a LCA IPCA+ (R$ 97,46).

Lembrando que se trata de uma projeção. Tanto estimativas de mercado quanto rentabilidade passada nunca são garantia de rendimento futuro. Você deve investir sempre considerando seu perfil de investidor e nível de tolerância a riscos, buscando orientação profissional quando necessário.

Qual a melhor aplicação no momento, LCA ou CDB?

Como dissemos, o investidor deverá levar em conta a diversidade de produtos existentes entre LCAs e CDBs, tanto no que diz respeito à modalidade de rentabilidade quanto a taxa praticada e o risco do emissor. Instituições mais tradicionais, com menor risco de crédito no mercado, costumam ofertar taxas menores, e vice-versa.

Da mesma forma, há CDBs e LCAs que têm restrições de liquidez, prazos de carência e vencimentos mais longos. Isso pode elevar as taxas ofertadas, mas “travar” o dinheiro do investidor.

“Investidores devem avaliar suas necessidades de liquidez, horizonte de investimento e e sensibilidade a impostos ao escolher CDB e LCA”, afirma Simone Carvalho. A especialista argumenta que o CDB pode ser mais vantajoso para aplicações mais longas, em que reduz a incidência do IR.

Ricardo Matte reforça a importância da diversificação.

“Não concentrar todo o seu investimento em um único banco ou produto. A diversificação ajuda a mitigar riscos”, diz ele, que também reforça a importância de analisar o emissor, verificar a liquidez e comparar as taxas de rentabilidade. “Considerando esses pontos, o investidor pode tomar decisões mais informadas e alinhadas com seus objetivos”.