Cielo abre a temporada de balanços com a expectativa de analistas por bons resultados

Analistas projetam elevação do lucro líquido e ganho em participação de mercado, mas receita deverá diminuir diante do menor volume de transações no período

A empresa de maquininhas de cartão Cielo (CIEL3) divulga nesta quinta-feira (26), após o encerramento das negociações na B3, seus resultados financeiros referentes ao quarto trimestre de 2022, cercados de otimismo pelos agentes do mercado, mesmo com dados menos favoráveis vistos em prévias do setor de varejo.

“As perspectivas são muito positivas, lembrando que o quarto trimestre é sazonalmente mais forte no varejo, portanto a Cielo se beneficia desse volume de pagamentos, mas além disso, nós estamos de olho no controle de custos que a empresa promoveu, que deve mostrar uma melhora operacional e um resultado melhor que o do ano passado”, segundo o analista da Suno Research, João Daronco.

Para o analista de renda variável da Nexgen Capital, Heitor Martins, a Cielo deve apresentar resultados fortes no período, em linha com outras empresas do setor financeiro e seguindo a tendência de aumento dos ganhos da empresa nos últimos trimestres.

O banco americano Goldman Sachs, em relatório, afirmou que a Cielo deve ser a empresa adquirente que mais vai ganhar participação de mercado – ou market share – nos últimos três meses do ano.

Segundo os analistas, espera-se que volume total de pagamentos (TPV) desacelere, na comparação anual, já que a atividade de varejo deve vir mais fraca, como mostram indicadores econômicos preliminares. Mas mesmo com um crescimento menor do volume, este vai ser maior que o do setor.

Os analistas da Genial Investimentos elevaram, na segunda-feira (23), a recomendação da ação da companhia de neutra para compra, com a justificativa de que em 2023 ela irá enfrentar um cenário de competição mais “racional”, além de esperar por uma elevação nas taxas de serviços.

O “cenário mais racional” apontado pela Genial diz respeito à forte competição no setor desde a quebra do duopólio, que foi chamada pelos analistas de “guerra das maquininhas”, onde muitas adquirentes mantiveram suas taxas de serviço muito baixas, de formas até não sustentáveis, apenas para ganhar marcado.

O Goldman Sachs apontou no seu relatório que apesar do consumo estar reduzido pelo aumento nas taxas de juros, a Cielo irá, de certa forma, se beneficiar do aumento das taxas das concorrentes.

Ganho de participação de mercado

O banco americano projeta um incremento de 0,80 ponto percentual no market share da Cielo no quarto trimestre, aumentando a fatia do mercado para 27,6%, contra 11,6% da Stone e 11% da PagSeguro, empresas com listagem na bolsa de Nova York.

Venda acertada

Para os analistas da Genial, Eduardo Nishio e Wagner Biondo, a decisão de venda da Merchant e-Solutions foi acertada, pois era um ativo um detrator nos ganhos da Cielo Brasil e da Cateno, com prejuízo de R$ 41,0 milhões no quarto trimestre.

Projeções e números

Para o resultado do quarto trimestre, Nishio e Biondo projetam uma evolução na rentabilidade, com o indicador de lucro líquido crescendo 54,4% na comparação anual, chegando a R$ 463,0 milhões.

Já para todo ano de 2023, a Genial projeta expansão dos resultados, marcados por uma carteira reprecificada, mesmo diante de volumes menores por conta do cenário macro mais desafiador somado a uma menor emissão de cartões por parte dos bancos e fintechs.

O Goldman Sachs espera que a Cielo traga uma receita de R$ 2,7 bilhões no quarto trimestre, 11% menor na comparação anual, no entanto, o lucro líquido deve aumentar 32% na mesma base de comparação, para R$ 444 milhões.

Segundo o consenso, que é a mediana das projeções dos analistas de mercado, coletada e tabulada pela empresa de dados Refinitiv, a Cielo deve reportar receita de R$ 2,94 bilhões, Ebitda de R$ 1,18 bilhão e lucro líquido de R$ 441,2 milhões no quarto trimestre.