Bolsa está barata e deve se valorizar no ano que vem, apostam pesos-pesados do mercado

Cenário estável para renda fixa nos EUA e no Brasil abre espaço para valorização das ações, dizem gestores

A bolsa de valores brasileira está barata? Para alguns dos principais nomes do mercado, a resposta é sim. Segundo gestores de peso, os papéis de empresas listadas, de uma forma geral, ainda têm muito o que andar nos próximos meses. E o bom desempenho do Ibovespa em novembro, dizem, já é um sinal disso.

A alta da principal cesta de ações da B3 no mês reflete a precificação antecipada do mercado financeiro sobre a manutenção de juros dos Estados Unidos, na próxima reunião de dezembro, e as expectativas dos investidores profissionais para o ano que vem, que esperam por um 2024 bem mais animado para a renda variável do que tem sido até agora este 2023.

“A bolsa está barata”, resume Marcelo Pacheco, diretor de investimentos da asset do Banco do Brasil, a maior gestora do país, com R$ 1,5 trilhão sob administração.

“Qualquer que seja a análise que a gente faça, mesmo que se retire a Petrobras e Vale dessa lista, empresas importantes e que todos concordam que estão baratas, a gente chega às mesmas conclusões. O mercado de ações está muito barato no Brasil”, diz ele.

Bolsa opera com ‘desconto excessivo’

Na opinião do gestor, o mercado de ações opera no Brasil, neste momento, com um “desconto excessivo”, em virtude de fatores internacionais e nacionais. No exterior, os Treasuries são os grande causadores do fenômeno. Por aqui, ele destaca os prêmios altos paras as NTN-Bs e a diferença dos títulos prefixados de longo prazo.

“A gente tem muita gordura ainda nos juros, tanto na Selic spot (juros negociado à vista), que tem uma gordura gigante, quanto nas projeções de taxas futuras, ou seja, nos DIs futuros, que embora já precificam algum corte, também têm gordura”, diz.

Procura por juros deixou bolsa barata

Trocando em miúdos, ele diz que os investidores institucionais deixaram de comprar bolsa até agora porque os juros pagos pela renda fixa ainda estão altos demais, embora na prática esse juro já poderia estar bem mais baixo do que o atual.

“Eu não me surpreenderia se a discussão sobre acelerar o corte de juros Selic pelo Banco Central voltasse a ser discutido, levando a uma queda das taxas futuros. Os números de inflação estão muito comportados”, diz o diretor da BB Asset.

Empresas de ciclo doméstico

A percepção de que a bolsa brasileira está mais barata do que deveria é, neste momento, compartilhada por outros pesos-pesados do mercado.

Pedro Jobim, da Legacy Capital, que administra um portfólio de R$ 26 bilhões, também aposta numa esticada do Ibovespa nos próximos meses. “Existem muitas oportunidade no Brasil”, diz ele, “Vejo espaço, por exemplo, para empresas relacionadas ao ciclo doméstico, como Banco do Brasil e Localiza”, afirma.

Bolsa barata: Valuation está 30% abaixo

Alguns números sustentam essa aposta de Jobim. Um deles foi recentemente apresentado por Aline Cardoso, chefe da área de pesquisa e análise de ações do banco Santander, a investidores institucionais em um roadshow pela Europa.

“A gente pegou 20 anos de juros real no Brasil e comparou o valuation da bolsa. E mostrou que, para precificar esse atual momento, historicamente, a bolsa deveria subir 30%, que é o quanto a gente acha que a bolsa pode se valorizar”, afirma a especialista.

“Para ações, especificamente, eu estou bem positiva para o ano de 2024. Acho que pode ser o ano que os astros estão todos se alinhando”, diz Cardoso.