Vale (VALE 3) deve usar US$ 2,4 bi de acordo na VBM para pagar dividendos e recomprar ações

Mineradora planeja manter o uso de recompras como forma de criar valor para os acionistas

A Vale (VALE3) avalia usar US$ 2,4 bilhões de um acordo no seu negócio de metais básicos para pagar dividendos e recomprar ações. Foi o que sinalizou nesta sexta-feira (28) o presidente-executivo da Vale, Eduardo Bartolomeo, durante teleconferência com analistas sobre os resultados da mineradora no segundo trimestre.

“Podemos usar para pagar dividendos ou recomprar ações”, disse Bartolomeo. “Vamos conversar sobre isso com o conselho de administração”, acrescentou. A Vale anunciou na véspera acordos com o grupo árabe Manara Minerals e a companhia americana Engine No 1.

Juntas, as novas sócias pagarão um total de US$3,4 bilhões para terem uma fatia de 13% do negócio de metais básicos da mineradora VBM. Desse total, US$ 1 bilhão irá para o caixa da própria VBM. O restante será direcionado para o caixa da Vale.

Desde 2021, a Vale recomprou quase 500 milhões de ações, ou 16% da base acionária. Atualmente, tem um programa para comprar mais 500 milhões de papéis, e quase 2/3 desse montante já foi recomprado.

Geração de valor

Nesses programas, empresas usam o caixa para comprar seus próprios papéis no mercado, papéis que são depois cancelados. Consequentemente, o número de papéis em circulação diminui e o investidor assim passa a ter direito a receber uma fatia comparativamente maior de dividendos.

Gustavo Pimenta, vice-presidente de finanças e relações com investidores da Vale, afirmou que a recompra de ações deve concentrar os ganhos futuros aos acionistas em cerca de 20%.

IPO à vista?

Pimenta comentou que o foco da Vale envolvendo a VBM no momento é na execução do plano de investimentos do negócio. Os recursos que a VBM receberá devem ser suficientes para seu orçamento dos próximos dois a três anos.

Depois, a Vale avaliará se buscará mais recursos para a subsidiária, seja por meio da atração de mais investidores estratégicos ou da listagem da companhia em bolsa com uma oferta inicial de ações (IPO).

Balanço vem fraco e ações caem

A Vale também anunciou ontem que teve lucro de US$ 892 milhões no segundo trimestre, uma queda de 78,2% ano a ano, refletindo queda da receita devido a menores preços de minério de ferro e níquel.

Como resultado, a ação da mineradora caía 2,4% na B3, enquanto o índice mais amplo do mercado, Ibovespa, gravitava em torno da estabilidade.

Em relatório, o Itaú BBA, que tem recomendação outperform (acima da média do mercado) para a ação, classificou os resultados trimestrais como levemente negativos, embora esperados.

O analista do BBA Daniel Sasson afirmou que a operação envolvendo a VBM é um primeiro passo para ‘destravar valor’ e que uma vez que os resultados da divisão melhorem, a Vale poderia buscar opções, como a venda de uma fatia maior ou um futuro IPO.

Também em relatório, o BTG Pactual teve uma avaliação mais positiva em relação aos resultados trimestrais da Vale e reforçou recomendação de compra para os papéis da mineradora.