Morning call: bolsa opera hoje cercada de expectativas sobre juros no Brasil e EUA

Definição dos próximos passos da política monetária nos dois países deve influenciar a dinâmica dos mercados

O morning call de hoje (13) indica que o mercado financeiro vai operar vivendo a expectativa sobre a decisão da política monetária no Brasil e EUA. Afinal, trata-se da principal agenda econômica da semana. Por isso, ela é cercada de expectativas, embora os resultados sejam até previsíveis.

Vale lembrar que a bolsa de valores fechou na terça-feira em queda de 0,40%, a 126.403,03 pontos. O dólar, por sua vez, fechou em alta de 0,60%, cotado a R$ 4,9664.

Decisões importantes neste morning call

Sem espaço para surpresas, o Copom deve anunciar logo mais o quarto corte seguido da taxa Selic, para 11,75%. Isto é, derrubando os juros básicos brasileiros para o menor nível desde maio de 2022.

Os agentes financeiros aguardam o comunicado do Banco Central em meio ao debate sobre os próximos passos da política monetária.

Em linhas gerais: se a Selic vai seguir caindo em um ritmo de 0,50 ponto percentual a cada reunião ao longo de 2024. Ou se Roberto Campos Neto e demais integrantes do colegiado podem acelerar o ciclo de afrouxamento dos juros.

Na véspera, os números do IPCA de novembro mostraram uma desaceleração da inflação na leitura anual, de 4,82% para 4,62%.

Isso significa que a variação de preços aos consumidores no país esperada para 2023 caminha para fechar o ano dentro do teto de tolerância da meta. Ou seja, de 4,75%.

O que esperar da inflação

Para Rafaela Vitória, economista-chefe do Banco Inter, o comportamento da inflação segue uma dinâmica mais benigna do que se antecipava. Além disso, com o alívio no IPCA maior que o esperado no curto prazo, a Selic na avaliação dela, ficou em patamar ainda mais restritivo.

“Haveria espaço para cortes maiores nas próximas reuniões do Copom, que não devem ocorrer devido ao comprometimento feito pelo guidance nos últimos comunicados. (Para a decisão desta quarta), seria apropriado no comunicado o comitê deixar os próximos passos abertos para se adequar à evolução do cenário”, diz a economista do Inter.

Eduarda Schmidt, economista da Órama Investimentos, considera que uma comunicação mais “dove” (branda), com uma sinalização para a aceleração na magnitude dos cortes da taxa Selic a partir de março, seria coerente diante do atual quadro econômico brasileiro.

“Podendo ser explícita ou colocando o forward guidance (orientação) no singular, referindo apenas à reunião de janeiro. Apesar de ambas abrirem espaço para uma queda mais forte no segundo encontro do ano, passam mensagens diferentes”, comenta.

“A primeira pode trazer um ganho institucional, antes da substituição de dois diretores, alinhando o discurso e o compromisso em trazer a inflação para a meta entre as composições do comitê. Enquanto deixar apenas ‘próxima reunião’ reduz o comprometimento com a mudança de ritmo. E traz a ideia de data dependent, estratégia que vem sendo utilizada pelo Fed em suas comunicações”, explica a economista da Órama.

Como registramos anteriormente aqui na Inteligência Financeira, Mario Mesquita, economista-chefe do Itaú Unibanco, vai na mesma linha. Para ele, o Copom pode tirar do comunicado o que pretende fazer nos próximos encontros.

“Entendemos que, por um lado, o consumo resiliente e, por outro, uma dinâmica mais benigna da inflação criam uma conjuntura que poderia ser favorável para que o comitê se ‘desamarre’ desta prescrição futura sem necessariamente indicar com isso uma mudança do ritmo de flexibilização à frente”, aponta Mesquita em relatório.

“O benefício seria um maior grau de liberdade para a autoridade monetária reagir a mudanças no cenário ou no conjunto de informações”, afirma o economista do Itaú.

Powell guiará os mercados

Tratando agora da decisão de juros nos EUA e seus impactos neste morning call, o consenso é pela manutenção da taxa na faixa de 5,25% a 5,50% ao ano pela terceira vez seguida.

O anúncio ocorre com as bolsas de Nova York (e a do Brasil também) operando a todo vapor. Assim, os agentes estarão ligados na coletiva do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell.

Os dados mais recentes de atividade (PIB) e mercado de trabalho (payroll) reiteram a resiliência da economia americana mesmo com os juros no nível mais elevado desde janeiro de 2001. Dentro disso, a inflação (CPI) no país encerrou novembro com uma taxa anual de 3,1% e segue distante da meta de 2%.

Dessa forma, o mercado estará concentrado no tom de Powell e nas sinalizações do presidente do Fed. Pelos indicadores, parece improvável que o chefe do banco central americano irá alimentar as apostas de redução de juros já em março de 2024.

Mas pode ser que a autoridade monetária tire do radar a possibilidade de ainda subir mais os juros.

“Apesar de ter registrado uma composição não tão boa comparativamente a outubro, esse resultado do CPI de novembro permite ao Federal Reserve manter os juros inalterados”, avalia a Genial Investimentos.

“A não repetição do resultado mais benéfico de inflação de outubro deve levar o mercado a reprecificar o início do processo de afrouxamento monetário do final do primeiro trimestre (mar/24) para algo mais próximo da metade do ano que vem (jun/24)”, completa a casa em relatório.

Bolsas de Nova York

Importante ainda destacar que as bolsas de Nova York fecharam em alta nesta terça-feira. No fechamento, o índice Dow Jones avançou 0,48%, a 36.577,94 pontos. Enquanto isso, o S&P 500 ganhou 0,46%, a 4.643,70 pontos; e o Nasdaq se elevou 0,70%, a 14.533,40 pontos, na máxima do dia.

Bolsas da Ásia

 Os mercados acionários da Ásia não tiveram sinal único no morning call desta quarta-feira, mas o sinal negativo predominou. Xangai registrou perda de mais de 1%, com ceticismo entre investidores sobre novos estímulos da China. Seul ficou perto disso. Enquanto isso, em Tóquio houve ganho, com impulso limitado e expectativa pela decisão de mais tarde do Federal Reserve (Fed, o banco central americano).

Bolsas na China

A Bolsa de Xangai fechou em baixa de 1,15%, em 2.968,76 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, caiu 1,21%, a 1.930,53 pontos.

O quadro piorou à tarde, após uma conferência econômica anual local terminar sem anúncio de qualquer estímulo importante para impulsionar o crescimento. Economista-chefe do Hang Seng Bank, Dan Wang acredita que Pequim deve recorrer às medidas corriqueiras. Isso para tentar resgatar o setor imobiliário e lidar com a dívida dos governos locais, sem grandes novidades nessa frente.

Hoje, ações de bebidas e alimentos puxaram as perdas, com Shanxi Xinghuacun Fen Wine Factory em queda de 3,7% e Kweichow Moutai, de 2,9%. Por outro lado, farmacêuticas e empresas ligadas ao setor médico exibiram ganho, com Chongqing Taiji Industry em alta de 4,0% e Tasly Pharmaceutical, de 1,5%.

Hong Kong e Seul

Em Hong Kong, neste morning call o índice Hang Seng caiu 0,89%, a 16.228,75 pontos. Em Taiwan, o Taiex avançou 0,10%, a 17.468,83 pontos, chegando a oscilar no negativo em parte da tarde, mas confirmando ganho.

Na Bolsa de Seul, o índice Kospi recuou 0,97%, a 2.510,66 pontos. A praça sul-coreana registrou perdas na sequência de três dias de ganhos, hoje com ações de baterias, do setor de defesa e de robótica sob pressão. Fabricantes de baterias elétricas, LG Energy Solutions e Samsung SDI caíram 3,4% e 3,6%, respectivamente.

Oceania

Na Oceania, em Sydney o índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,31%, em 7.257,80 pontos. O mercado australiano manteve com isso o quadro positivo desta semana, mesmo que nesta quarta-feira ações do setor de energia tenham recuado. Papéis do setor de saúde puxaram os ganhos, com PolyNovo em alta de 5,5% e Ramsay Health Care, de 1,9%.

Com informações da Dow Jones Newswires e do Estadão Conteúdo