Morning call: com PIB melhor que o esperado, bolsa tenta retomar busca por patamar recorde

A alta de ontem da bolsa de valores foi de 0,08%, aos 126 mil pontos; dólar recuou frente ao real

O morning call de hoje começa indicando que a bolsa de valores vai operar nesta quarta-feira (6) sem indicadores relevantes no radar. Entre os principais, por exemplo, está a pesquisa de geração de empregos privados nos Estados Unidos e, no mesmo país, conheceremos hoje a balança comercial.

Importante lembrar, além disso, que a bolsa de valores reagiu relativamente bem após a divulgação do PIB. A alta foi de 0,08%, aos 126.903,25 pontos. O dólar registrou queda frente ao real: recuo de 0,47%, a R$ 4,9255.

Sem chance de recessão técnica

Na véspera, a variação de 0,1% do PIB no terceiro trimestre de 2023 surpreendeu os agentes financeiros. O dado ficou acima do consenso do mercado, que apontava para uma retração de 0,3% na comparação com o segundo trimestre.

A repercussão geral foi de que o número teve como destaque a resiliência dos serviços e a aceleração do consumo das famílias. Além disso, a expansão da atividade entre julho e setembro tira do radar a possibilidade de recessão técnica.

Ou seja: de a economia contrair por dois trimestres seguidos.

“O resultado do PIB do 3° trimestre mostra que a atividade econômica segue mais resiliente do que antecipado e não está em um processo de queda acentuada”, indica João Savignon, head de pesquisa de macroeconomia da Kínitro Capital.

“Os serviços e o consumo das famílias seguem em seus picos históricos e representam um importante suporte para o crescimento da economia. Fundamentos básicos, como a renda dos trabalhadores, continuam dando sustentação ao nosso cenário base de desaceleração gradual da atividade”, acrescenta o especialista.

Nesse sentido, o Banco Inter revisou a projeção de alta de 2,7% para 3% em 2023, e de crescimento de 1,5% para 1,8% em 2024.    

“O ciclo de investimento deve retomar apenas em 2024 após uma queda mais significativa da taxa de juros e redução sobre as incertezas acerca da política fiscal”, avalia Rafaela Vitória, economista-chefe do Inter.

“A inflação sob controle e cortes da Selic devem impulsionar o crescimento da economia a partir da segunda metade de 2024”, aponta a economista.

Ibovespa a 155 mil pontos

Também na véspera, a Guide Investimentos aumentou o target do Ibovespa para 155 mil pontos no fim de 2024. Entre os fatores, por exemplo, está justamente o afrouxamento da política monetária ao longo do ano.

“No Brasil, acreditamos que os juros irão continuar em queda por todo 2024. Historicamente, períodos de quedas de juros foram positivos para os investimentos, incluindo ações (e também renda fixa pré-fixada, fundos imobiliários, fundos de infraestrutura)”, diz o relatório assinado por Fernando Siqueira, head de research da casa.

“Acreditamos que em 2024 não será diferente. Até agora a queda dos juros teve pouco impacto no mercado, particularmente não vimos entrada de recursos nos fundos de ações e fundos multimercados. Acreditamos que esta situação deve mudar em 2024, particularmente com a redução da Selic para níveis abaixo de 10%, o que deve ocorrer na reunião de junho”, prossegue o texto.

A Guide considera que a valorização do Ibovespa no ano que vem deve vir também tanto do crescimento dos lucros das empresas quanto do aumento da relação preço/lucro. “Algo que normalmente ocorre quando os juros estão em queda”, sustenta o avaliação.

“Apesar da alta recente do índice, a relação preço/lucro está em aproximadamente 8x ante uma média histórica de 11x. Acreditamos que com a queda dos juros, a relação preço/lucro deve aumentar em 2024”, projeta o relatório de Siqueira.

“Além do crescimento econômico, os lucros vêm crescendo em função de menor pressão inflacionária (por exemplo, menor custo com matérias-primas como grãos, combustíveis, entre outros). A queda dos juros deve ajudar no crescimento dos lucros via redução das despesas financeiras”, reforça a Guide.

Vale lembrar que a máxima histórica do Ibovespa é de 131 mil pontos, alcançada em junho de 2021.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam sem direção única na terça-feira (5), importante destacar. O índice Dow Jones caiu 0,22%, aos 36.124,56 pontos. O S&P 500 recuou 0,06%, aos 4.567,18 pontos e o Nasdaq fechou em alta de 0,31%, aos 14.229,91 pontos.

Além das bolsas norte-americanas, costuma fazer preço por aqui o desempenho das bolsas na Ásia. Vamos acompanhar agora como foi o fechamento por lá e impactos neste morning call.

Bolsas asiáticas

Os mercados acionários da Ásia não tiveram direção única nesta quarta-feira. Em Xangai o quadro foi de perdas contidas, um dia após a Moody’s ter reafirmado o rating da China em A1, mas alterado a perspectiva de estável para negativa. Já em Tóquio houve avanço de cerca de 2%, com investidores em busca de barganhas após perdas recentes no mercado japonês.

China

A Bolsa de Xangai fechou em baixa de 0,11%, em 2.968,93 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 0,55%, a 1.940,72 pontos.

Em Xangai, bancos estiveram sob pressão, mas ações ligadas a commodities agrícolas e a alimentos subiram. Fabricante de baterias elétricas, BYD subiu 2,5%, após seu executivo-chefe anunciar plano de comprar até 200 milhões de yuans em ações.

O índice CSI300, de ações de blue chips da China, atingiu hoje mínima desde fevereiro de 2019, estendendo perdas da terça-feira, mas se recuperou e fechou em alta de 0,16%, a 3.399,60 pontos.

Hong Kong e Japão

Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 0,83%, a 16.463,26 pontos. Vários planos de recompra de ações colaboraram para apoiar o humor. Swire Pacific, por exemplo, subiu 17% após dizer que planeja recomprar até 6 bilhões de dólares de Hong Kong em ações.

Na Bolsa de Tóquio, o índice Nikkei subiu 2,04%, para 33.445,90 pontos. Busca por preços mais baixos após perdas recentes foi um motivo apontado neste pregão.

Coreia do Sul

Na Bolsa de Seul, o Kospi avançou 0,04%, a 2.495,38 pontos, mas encerrou na mínima do dia. Ações do setor de entretenimento subiram, enquanto as de transporte marítimo estiveram entre as baixas. Pan Ocean caiu 5,5%, entre papéis em foco. Em Taiwan, o índice Taiex subiu 0,19%, a 17.360,72 pontos.

Bolsas na Oceania

Na Oceania, o S&P/ASX 200 fechou em alta de 1,65%, em 7.178,40 pontos, na Bolsa de Sydney. A praça australiana registrou com isso seu maior ganho diário desde novembro de 2022, após dados mostrarem desaceleração econômica no país no terceiro trimestre, em quadro de aperto recente na política monetária. Ações ligadas ao consumo e as de bancos estiveram entre os ganhos.

Com informações da Dow Jones Newswires e Estadão Conteúdo