Ibovespa sobe 0,5% com commodities nesta sexta e acumula alta de 0,41% na semana

Petrobras, Vale e frigoríficos tiveram as maiores altas e impulsionaram a Bolsa de Valores brasileira

As commodities garantiram um pregão de alta para a Bolsa de Valores brasileira B3 nesta sexta-feira (4) – o setor tem peso de cerca de 40% no Ibovespa, principal índice acionário brasileiro.

Acompanhando a alta de 2,18% do petróleo tipo Brent, a US$ 93,10 o barril, a ação preferencial da Petrobras subiu 2,1%, para R$ 32,74, e a da PetroRio avançou 6,9%, a R$ 24,30. A Vale, maior produtora de minério de ferro do mundo, foi a ação mais negociada hoje, com elevação de 2,5%, para R$ 87,91.

Tiveram destaque, ainda, as processadoras de carne bovina depois que a Abrafrigo (Associação Brasileira de Frigoríficos) informou que as exportações desse alimento pelo país cresceram 25,85% em volume e 46% em receita em janeiro mesmo com uma redução das compras por parte da China, que ainda é o principal destino do produto. A JBS subiu 1,2%, para R$ 34,28, a da Minerva avançou 2,6%, a R$ 9,03, e a Marfrig teve alta de 0,79%, a R$ 20,30.

O Imat, índice que reúne as companhias do setor de matérias-primas, subiu 1,7% hoje. A alta de 0,5% do dólar comercial, vendido a R$ 5,322, também ajudou a encorajar os investidores a comprar ações das exportadoras. O Ibovespa ganhou 0,5%, terminando o dia aos 112.244 pontos. Na semana, subiu 0,41%.

Entre as maiores baixas ficaram as construtoras, que devem sofrer nos próximos meses com os juros na casa dos dois dígitos. Na quarta (2), o Copom (Comitê de Política Monetária do Banco Central) aumentou a taxa Selic em 1,5 ponto percentual, para 10,75% ao ano, o maior nível desde abril de 2017. O setor da construção civil depende bastante de financiamento – tanto para suas obras como para os clientes que comprar imóveis parcelados –, daí as perspectivas para o negócio ficarem piores. O Imob, que reúne as ações das empresas de construção, perdeu 3,14%. A EZTec teve a pior baixa do pregão, de 6,41%, cotada a R$ 19,14.

Tech não é (mais) pop?

As ações de grandes companhias de tecnologia subiram nos Estados Unidos, nesta sexta-feira (4), após a Amazon anunciar na quinta (3) que seu lucro dobrou no último trimestre de 2021 em relação ao mesmo período de 2020. A notícia deu alívio aos investidores, que tiveram uma semana marcada por grande volatilidade em função de resultados divulgados pelas brig techs, as maiores empresas de tecnologia do mundo. Os papeis da maior varejista global subiram 5,2% hoje.

Na quinta, os principais índices do mercado americano foram arrastados pela queda de 26% das ações da Meta, dona do Facebook, que espera ter resultados abaixo do estimado neste primeiro trimestre de 2022. O desânimo se deve, na prática, à mudança adotada pela Apple no ano passado em sua política de privacidade, que impactou negativamente o mercado de publicidade on-line.

A Apple fez mudanças relevantes nas configurações de privacidade de seu sistema operacional em 2021, permitindo que usuários do iPhone escolham se anunciantes podem rastreá-los. Desde a implementação dessa função, a vasta maioria das pessoa que usa iPhone optou por bloquear o acesso aos anunciantes.

Apenas 24% dos usuários do iPhone em todo o mundo permitiram o rastreamento, segundo dados divulgados em dezembro pela consultoria Flurry. Isso significa que uma ampla fatia de usuários do iPhone está fugindo do rastreamento pessoal preferido pelos anunciantes.

Foi um balde de água fria para os anunciantes, que há anos rastreiam as pessoas on-line para determinar quantas vendas seus clientes estavam fazendo. Os anunciantes também contam com o rastreamento para voltar a exibir produtos que os consumidores visualizaram mas ainda não compraram, lembrando-os de que talvez seja hora de comprar. Para os ativistas de privacidade, porém, a mudança é uma verificação bem-vinda contra a vigilância, devolvendo o poder de decisão aos usuários comuns de tecnologia.

Meta, Apple, Netflix e Alphabet registravam altas entre 0,5% e 2% nesta sexta (4).