Queda no preço da gasolina: é melhor ter um carro ou usar aplicativos de transporte?

Perfil do usuário e tempo de deslocamento devem ser levados em conta

Na última semana, o presidente da Petrobras, Jean Paul Prates, sinalizou que o preço da gasolina pode cair em breve. Com isso, uma dúvida volta à cabeça de muita gente: é melhor ter carro próprio ou usar aplicativo?

Mas antes de responder, precisamos fazer algumas ressalvas.

O sonho do carro zero

Para adquirir um carro zero mais barato do mercado, você terá de desembolsar cerca de R$ 68 mil. Mesmo que ocorra a queda no preço da gasolina, há outros gastos (por exemplo: seguro, impostos, estacionamento e manutenção) que também deverão ser considerados.

Além disso, o carro zero sofre depreciação de cerca de 20% nos dois primeiros anos de uso. Ou seja, carro não é investimento. Mas, é claro, também tem suas vantagens. O carro te dá a comodidade de poder se deslocar com mais independência.

Aliás, o preço do diesel caiu 4,5% nas refinarias recentemente e a expectativa é que o desconto também chegue no preço da gasolina.

De acordo com o último levantamento da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), entre os dias de 19 a 25 de março, a gasolina foi vendida em média no país a R$ 5,51 o litro.

Com isso, a redução foi de 0,54% ante os R$ 5,54 da semana anterior.

A queda no preço da gasolina já faz valer a pena comprar um carro?

Vamos fazer uma simulação para uma pessoa que more em São Paulo e gaste cerca de R$ 50 por dia com aplicativo de transporte. Nessas condições, consideramos uma pessoa que se desloca por cerca de 12 km por dia.

Também vamos considerar que o uso do app seja feito nos 30 dias do mês, porque aos finais de semana a pessoa precisará se deslocar para atividades de lazer.

Para efeitos de cálculo, estamos desconsiderando mudanças de tarifas em horários de pico e considerando o preço da gasolina no estado de São Paulo.

Aliás, nestas condições, a pessoa gastará R$ 1.500 e terá se deslocado por 360 km ao longo dos 30 dias. Assim, desembolsará, ao longo de um ano, R$ 18 mil, tendo usado o app por cerca de 4,3 mil km.

Agora vamos considerar que você já tenha um carro próprio no valor de R$ 68 mil. Carlos Castro, planejador financeiro CFP e sócio fundador da SuperRico – Projetos de Vida, nos explica que com esse perfil de veículo você tem um gasto fixo anual de R$ 9 mil.

Leia a seguir

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Nestas contas, ele considera despesas de: Licenciamento + IPVA + Seguro + Manutenção + Depreciação. Ou seja, se o carro estiver parado na garagem, você já tem esse gasto.

E o preço da gasolina?

Você precisará de combustível para se deslocar, obviamente. De acordo com o site da Petrobras, o valor médio da gasolina no estado de São Paulo é de R$ 5,34. Então, continuamos com as contas.

Assim, considerando que seu carro vá se deslocar pelos mesmos 360 km por mês utilizados no app e que ele consome 1 litro a cada 10 km, você gastará cerca de R$ 2.300 de combustível ao final de um ano.

Ou seja, os gastos fixos mais o de deslocamento serão de R$ 11.300. Neste caso, se você tem veículo e for utilizar nestas condições, será mais vantajoso que o app.

Resumindo, nas condições acima, o uso do carro próprio faz você economizar cerca de R$ 6.700 ao ano.

E se eu precisar comprar o carro?

Um carro zero no valor de R$ 68 mil, em 48 parcelas, custará cerca de R$ 1.500 por mês ao comprador. Você pode simular diversos tipos de veículos e prazos em vários sites de bancos e financeiras.

Mas será que vale a pena desembolsar essa grana mesmo com a queda no preço da gasolina?  Se você tiver esse dinheiro para pagar à vista, esses mesmos R$ 68 mil poderiam ser investidos e retornar como parte do pagamento pelo uso de um app.

É o que explica André Sandri, sócio da AVG Capital e fundador do EDUCA$. “Se você tivesse R$ 68 mil guardado e aplicasse, você teria em média R$ 680,00 por mês, o que daria quase a metade dos seus gastos com o aplicativo”, afirma.

Aliás, nesta conta, é usado como referência a atual taxa Selic (que está em 13,75% ao ano) para investimentos em renda fixa, como títulos da dívida pública ou Certificados de Depósitos Interbancários (CDIs).

“Além dos custos com combustível, IPVA, seguro e depreciação, caso você financie o automóvel, você terá os juros do empréstimo e ainda estacionamentos, pedágios e a manutenção em eventual colisão”, lembra. Ou seja, são muitos os gastos.

Por que comprar um carro?

“É claro, que é importante verificar a necessidade de cada cidadão, como por exemplo um representante comercial, que com um automóvel próprio ou da empresa, poderá atender mais clientes e trará maior resultado a empresa e a ele mesmo”, diz André.

Aliás, é também o que explica Carlos Castro. “Claro que a gente está falando de uma análise estritamente financeira. O que temos que levar em conta também é o lado da conveniência, de você ter o carro à sua disposição para quando você precisar ou também por gostar de carros, de determinada marca, enfim”, diz.

Para quem quiser usar uma nova opção de app de transporte em São Paulo, a prefeitura lançou um aplicativo para concorrer com as empresas existentes. Para os passageiros, uma das novidades é a ausência de tarifas dinâmicas, que ajustam o valor da corrida de acordo com os horários de pico de demanda.