Por que empréstimos não são a melhor forma de sair da inadimplência

Se essa for a única opção, é sempre necessário ficar atento aos riscos e cuidados. Entenda quais são eles

O número de brasileiros em situação de inadimplência vem crescendo no Brasil desde o último ano, de acordo com o recente levantamento do Serasa. Os dados mostram que, apenas em fevereiro de 2023, mais 430 mil pessoas se juntaram aos demais devedores no país, elevando o total de inadimplentes para 70,53 milhões. O levantamento ainda mostra o perfil dessas pessoas, a maioria (35,2%) de 26 a 40 anos.

Nesse cenário, o empréstimo pessoal online ganhou força nos últimos anos, por ser prático, popular e feito em em poucos minutos. Contudo, recorrer ao crédito exige planejamento.

Para Thiago Godoy, educador financeiro da Rico Investimentos, é indicado fazer um empréstimo para sair da inadimplência apenas se a dívida que a pessoa tiver for muito mais cara do que a taxa que ela vai ter do crédito adquirido. Trocando uma dívida cara por uma mais barata.

“Se a pessoa não consegue pagar o rotativo do cartão de crédito, a um juros altíssimo que pode chegar a 350% ao ano, uma alternativa é pedir um empréstimo que cobre menos do que isso. Dessa forma, ela paga a dívida do cartão e segue com um financiamento mais baixo”, exemplifica.

Segundo Godoy, a primeira e mais efetiva opção para quitar dívidas é a tentativa de uma negociação do valor, levando em conta que os credores sempre têm interesse em quitar o débito.

“Para os credores é sempre melhor uma dívida paga mais barata, do que uma não paga. Então, dependendo da situação, consegue-se baixar muito os juros para a se organizar financeiramente e sair da inadimplência”, diz.

Cuidados com empréstimo

Se o empréstimo pessoal for a única solução para o problema, é sempre necessário ficar atento aos riscos e cuidados que devem ser tomados.

“Muitas vezes, as pessoas acabam contraindo um empréstimo sem traçar com antecedência qual será o destino desse dinheiro. É importante ter consciência para não pedir crédito por impulso e planejar como ele será aplicado, antes de fazer a solicitação. Assim, o empréstimo se torna solução e não mais um problema”, comenta Túlio Matos, sócio fundador da iCred, fintech que facilita o empréstimo pessoal e consignado.

O especialista orienta que, seja qual for a necessidade do dinheiro (pagar uma reforma, despesas de educação, viagens ou urgências inesperadas), antes de solicitar o empréstimo, é preciso ter certeza de que, em longo prazo, será possível pagar as parcelas e ainda guardar uma reserva para imprevistos.

“Primeiramente, a pessoa deve avaliar se tem como pagar as parcelas e os juros. E em segundo lugar, é importante não comprometer toda a renda disponível nesse parcelamento para que sobre algo como reserva de segurança. É fundamental conhecer as próprias contas e seguir um planejamento para não aumentar o endividamento, em vez de saná-lo”, orienta Matos. 

Para o educador financeiro da Rico, o principal risco é a pessoa ficar trocando de dívida e criar uma cultura de endividamento. “É bom lembrar que a dívida se faz em casos de exceção, de emergência, em casos de imprevisto extremo. Ou seja, ela só faz dívida se realmente precisar”.

Dicas para ajudar a sair da inadimplência

O executivo da iCred orienta que manter uma lista de prioridades de contas a serem quitadas e de novos planos, ajuda a termos uma visão do todo e facilita uma aplicação inteligente do dinheiro. 

“É necessário estabelecer prioridades. Pagar o carro ou a reforma da casa? Quitar contas antigas ou fazer novos investimentos? É provável que existam diversas vontades, mas é fundamental analisar o que é mais urgente e importante, levando em conta a saúde financeira”, explica ele.

Outro cuidado apontado pelo especialista é escolher instituições de confiança para solicitar o empréstimo.

“Muitas instituições podem agir de má fé e enganar o cliente, iludindo-o sobre as condições de contratação e da liberação do dinheiro. É preciso estar atento e fazer escolhas prudentes, sobre quando e onde solicitar o crédito. Esse recurso deve ser o fim de problemas e não um risco de mais endividamento desnecessário”, finaliza Matos.