Temores de lockdown em Pequim derrubam bolsas da Europa

Residentes da capital chinesa começaram a estocar comida em preparação para possível fechamento da cidade para conter o avanço da covid-19

Os principais índices acionários europeus terminaram a sessão desta segunda-feira (25) em queda, no início da última semana do mês de abril. O recuo de hoje foi marcado pelo temor do investidor acerca de um possível lockdown em Pequim diante de um surto de covid-19 na capital chinesa. A preocupação com o bloqueio da cidade acabou sobrepondo a reeleição de Emmanuel Macron, na França.

O índice Stoxx 600 terminou em queda de 1,81%, a 445,11 pontos. Já entre as bolsas, a de Frankfurt caiu 1,54%, a 13.924,17 pontos, enquanto a de Londres perdeu 1,88%, a 7.380,54 pontos e a de Paris recuou 2,01% a 6.449,38 pontos. Em Milão, a queda chegou a 1,53% a 23.908,55 pontos, enquanto em Madri, houve perdas de 0,90%, a 8.574,60 pontos.

A preocupação do investidor com uma economia global mais fraca já ocorre há algumas semanas, desde que se começou a desenhar que o aperto monetário mais severo pelo Federal Reserve (Fed, o banco central dos Estados Unidos) para controlar a inflação poderia levar a economia americana a uma recessão. Não bastasse esse temor, novos lockdowns na China para controlar surtos de covid também entraram no radar, uma vez que a paralisação de fábricas e o bloqueio da circulação de pessoas reduzem a demanda por commodities, como o petróleo.

Residentes de Pequim começaram a estocar mantimentos nesta segunda-feira, em preparação para um possível bloqueio na capital chinesa, depois que autoridades de saúde da cidade começaram a testar milhões de residentes e a fechar alguns centros comerciais, em meio a uma nova disparada do número de casos de covid. Dezenas de cidades chinesas seguem em situação de lockdown, com centenas de milhões de habitantes confinados em suas casas, com acesso limitado a alimentos e medicamentos. Em Xangai, que segue na sua quinta semana de lockdown, as restrições foram parcialmente relaxadas, com cerca de 8 milhões de habitantes podendo sair de casa, sem deixar os seus bairros, mas mais de 4 milhões seguem em confinamento.

Destaques

O setor de energia foi um dos mais penalizados na sessão de hoje entre os índices setoriais do Stoxx 600. O recuo foi de 4,82%. As ações da British Petroleum recuaram 6,18%, enquanto as da Shell recuaram 5,62%.

Outro setor que tem relação estreita com o consumo chinês é o segmento de artigos de luxo. Diante dos bloqueios, as ações da Hermès caíram 3,91%, enquanto as da LVMH perderam 3,75% na sessão.

Conforme pontua Michael Hewson, analista-chefe do CMC Markets, os mercados europeus ficaram em “um mar de vermelho hoje, após a Ásia abrir [a semana] com desempenho fraco, provocado por quedas acentuadas nos mercados chineses, à medida que a situação da covid em Xangai continuava a se deteriorar, com mortes subindo para um nível recorde. Os casos de covid agora estão começando a se manifestar em Pequim, levantando preocupações sobre um bloqueio estrito por lá.”

Ainda sobre as ações, em Amsterdã, a companhia de tecnologia Philips caiu 11,25% após a divulgação de resultados trimestrais, com prejuízo de 152 milhões de euros nos primeiros três meses deste ano, ante um prejuízo de 34 milhões no mesmo período de 2021. A empresa já havia alertado para um início de ano difícil por causa da escassez de peças e problemas com seus aparelhos de apneia do sono.

Hoje, os temores em relação ao possível lockdown em Pequim eclipsaram também o alívio com a reeleição do presidente francês Emmanuel Macron, no domingo (24). Macron, que é o candidato preferido pelos mercados financeiros, conseguiu uma vitória confortável sobre a sua oponente no segundo turno, a candidata de extrema direita Marine Le Pen, com 58,55% dos votos, contra 41,45%.

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