Pagamento digital ganha força em 2021

Transações on-line e via ‘app’ crescem em todas as gerações, aponta estudo

Ilustração: Pixabay

Pontos-chave

  • Pandemia acelerou hábitos digitais na população brasileira, mas um estudo empresa de tecnologia para serviços financeiros FIS mostra que o processo ganhou ainda mais força neste ano

O open banking, iniciativa de compartilhamento de dados financeiros promovida pelo Banco Central (BC), prevê a integração dos meios de pagamentos em sua terceira etapa, agora em curso. No entanto, a digitalização do setor já ocorre a passos largos.

Já se sabe que a pandemia acelerou hábitos digitais na população brasileira, mas um estudo empresa de tecnologia para serviços financeiros FIS mostra que o processo ganhou ainda mais força neste ano. Intitulado “Pace Pulse Brazil”, o levantamento mostra que, enquanto 36% dos entrevistados disseram ter reduzido pagamentos em dinheiro ou cheques no ano passado, uma parcela de 47% disse ter diminuído o uso de espécie na fotografia feita em agosto de 2021. Ao mesmo tempo, a proporção dos que fizeram pagamentos on-line e via aplicativos aumentou de 46% em 2020 para 52% neste ano.

Fonte: Pesquisa Pace Pulse 2021, da FIS. Reprodução Valor Econômico

A tendência, como se pode esperar, é ainda mais forte entre os mais jovens. Dos entrevistados da geração Z (18 a 24 anos), 62% fizeram pagamentos on-line com frequência em 2021, contra 51% em 2020. Mas houve crescimento em todas as gerações.

Marcelo Goes, gerente de soluções e produtos da FIS para América Latina, diz que já se vê um contexto de maior digitalização e democratização dos serviços financeiros. “Isso foi acelerado depois da pandemia pelas necessidades das circunstâncias de mercado.”

Uma das tônicas dos resultados do setor financeiro no terceiro trimestre deste ano foi a ênfase dos executivos ao falar sobre suas plataformas digitais. O Itaú Unibanco comemorou que o iti chegou à marca de 10 milhões de clientes digitais. O Bradesco, por sua vez, exaltou que o next chegou a 7,7 milhões de clientes e que a nova meta é atingir 10 milhões.

No Bradesco, inclusive, a administração demonstrou, nas teleconferências com analistas, certo descontentamento com o “valuation” [avaliação da empresa] diante do potencial de crescimento que os executivos veem no banco digital na comparação com fintechs.

Para Goes, independentemente da disputa entre as instituições financeiras tradicionais e as fintechs, o que realmente importa para o consumidor são conveniência e a segurança na hora de contratar serviços bancários. “A possibilidade de pagamento por Pix e mensagem instantânea torna a solução digital cada vez mais convergente ao misturar serviços um único aplicativo. Quem oferecer o produto mais conveniente sairá vencedor”, afirma.

Conforme a pesquisa, o cartão de crédito ganhou ainda mais espaço e é o método principal de pagamento para 81% dos entrevistados (71% entre pessoas da geração Z). No entanto, é esperado que, com o avanço do open banking, essa modalidade perca relevância frente à comodidade dos pagamentos via aplicativos de mensagens e ferramentas como o Pix.


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