Por que o Ibovespa cai e o dólar sobe com discussões sobre o Auxílio Brasil

Os investidores reagem diante do receio de descontrole no orçamento do governo federal

Investidores observam painel no prédio da Bolsa de Valores em São Paulo
Pessoas observam painel eletrônico da da Bolsa de Valores, com gráfico do Ibovespa (Foto: Marco Ankosqui/Agência O Globo)

No início da tarde desta quinta (21), o Ibovespa, principal índice acionário da B3, recuava 3%, para 107.417 pontos. A Getnet, uma plataforma de serviços financeiros que incluem a comercialização de maquininhas de cartão, tinha a pior queda do pregão: 13%, a 7,28 reais. O dólar comercial subia 1,69%, vendido pelas instituições financeiras aos clientes por R$ 5,5654 na terça, e o dólar turismo avançava 1,75%, vendido a R$ 5,807.

A reunião da Comissão Especial da PEC (Proposta de Emenda à Constituição) dos Precatórios na Câmara dos Deputados, que poderia definir uma fonte de recursos para o substituto do Bolsa Família, foi adiada pelo terceiro dia seguido. Nessa reunião, seria votado o relatório do deputado federal Hugo Motta (Republicanos-PB) que limita o pagamento de precatórios federais.

Precatórios são dívidas do governo que resultam de decisões judiciais definitivas – por exemplo, o que um cidadão tem direito de receber após vencer, em última instância, um processo movido contra a administração federal. Se o governo destinar menos dinheiro do Orçamento para estas dívidas, podem sobrar recursos para financiar a parcela mínima de R$ 400 do Auxílio Brasil, anunciada pelo governo na quarta (20).

O programa irá substituir o Bolsa Família e o auxílio emergencial da pandemia de covid-19, que chega ao fim deste mês, estendendo até dezembro de 2022, ano eleitoral, o valor médio que vinha sendo pago aos beneficiários, de R$ 190. Como este aumento não estava previsto, não há dinheiro no Orçamento da União estimado para 2022. Além disso, o teto de gastos limita as despesas do governo ao Orçamento do ano anterior corrigido pela inflação.

Segundo as contas do governo, ficariam fora do teto cerca de R$ 30 bilhões, que podem ser financiados pelo dinheiro antes destinado a precatórios. Este valor equivale à fatia de R$ 100 do calor mínimo, ou seja, um Auxílio mais barato caberia dentro do teto. Por isso, até terça (19), o valor trabalhado pela equipe do ministro Guedes era de R$ 300. Os planos mudaram por determinação do presidente Jair Bolsonaro.

Como afeta seus investimentos?

Se o governo desrespeitar regras fiscais para financiar o Auxílio Brasil, a imagem do país perante investidores piora, pois passa uma mensagem de gastos desenfreados e falta de compromisso em pagar as contas. Tal cenário pode afugentar investimentos, aumentar o custo de dívida, desvalorizar o real e demais ativos brasileiros e desacelerar a economia.

Caso aprovado fora do teto de gastos, o Auxílio Brasil pode provocar uma venda generalizada de ativos brasileiros, derrubando os preços. A Bolsa pode voltar a registrar fortes quedas e o dólar fica mais caro. O cenário também traz a perspectiva de juros mais altos, o que beneficia ativos de renda fixa.


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