Como fugir de decisões ruins e identificar ações com desconto

Saiba como evitar os principais erros cometidos por investidores em momentos de tensão no mercado

– Foto: Marga Santoso/Unsplash

Pontos-chave

  • Refletir os motivos de estar na Bolsa ajuda a enfrentar os períodos de incertezas
  • Estudar os fundamentos das empresas antes de comprar as ações também contribui para não embarcar no pessimismo
  • Aproveitar a baixa nos preços dos papéis não significa um bom negócio

A confirmação de que o governo federal vai estourar o teto de gastos para garantir o Auxílio Brasil de R$ 400 e a debandada no Ministério da Economia prejudicaram o desempenho do mercado brasileiro de ações, com a Bolsa de Valores no pior patamar desde 2021. O motivo é que o crescimento descontrolado da dívida pública deve trazer graves consequências para a economia real, como uma inflação persistente, uma subida maior da taxa Selic e o dólar valorizado. A outra avaliação é que o ministro Paulo Guedes perdeu mais uma parcela de prestígio, com a possibilidade até de sair, e as decisões econômicas tendem a ser guiadas de olho na melhora da popularidade e na reeleição do presidente Jair Bolsonaro.

No meio do cenário turbulento, que exige paciência e sangue frio de quem vê as suas aplicações em renda variável perdendo valor, aparecem dúvidas: o que fazer e como não tomar decisões precipitadas? Confira a seguir as respostas de Evandro Buccini, sócio e diretor de renda fixa e multimercados da Rio Bravo; e Alexandre Amorim, planejador financeiro e gestor de investimentos da ParMais.

Qual a orientação diante das atuais turbulências?

Evandro Buccini diz que os donos de ações precisam avaliar “se o processo de alocação foi bem feito, se o patrimônio pode ficar um prazo longo na classe de ativo e se nada mudou nos objetivos”. “Se houver espaço ainda na carteira, pode ser um momento para comprar ações, pensando no longo prazo. Se a pessoa não se sentir à vontade para ter ações específicas, é melhor investir via fundos ativou ou passivos.”

Alexandre Amorim comenta que a pessoa investidora deve considerar as razões de ter aplicado na Bolsa e também refletir como foi feita a escolha de um determinado papel. “Se entrou no mercado pensando nos juros baixos e um governo com responsabilidade fiscal, talvez tenha que rever a posição”, argumenta. “Se entrou olhando as empresas, tendo um bom embasamento e projetando ganhos de longo prazo, pode até identificar ações que estão com um preço barato e se aproveitar da queda.”

Que tipo de decisão não tomar?

Para Buccini, o erro mais comum na circunstância é “vender no pânico”, mas que também há o equívoco de “tentar comprar simplesmente porque o preço das ações caíram, sem se atentar com o risco da carteira”. “Deve-se lembrar que pode continuar caindo por algum tempo”, observa.

O gestor da ParMais fala que outro engano é seguir o “efeito manada” por causa viés negativo e vender um papel “sem saber a razão”. “O Brasil sempre tem períodos ruins na economia, mas boas empresas conseguem manter uma consistência no longo prazo. Então não pode se guiar por um otimismo exagerado, nem por um pessimismo exagerado.”

Quais os setores negativos e os positivos para colocar dinheiro agora?

Com a perspectiva de que o Banco Central prolongue o ciclo de alta da Selic, com a taxa podendo superar 10% ao ano no começo de 2022, o diretor da Rio Bravo não vê uma boa hora para comprar ações de empresas “que dependam de forte crescimento futuro e com alta correlação com os juros. “Já em uma opção mais segura, numa posição defensiva, temos companhias de commodities e com exposição a moeda estrangeira.”

Na linha de Buccini, Alexandre Amorim alerta para papéis de empresas com um endividamento elevado e setores ligados ao consumo, que podem ser influenciados pela queda no poder de compra das pessoas. “Só que tem outras características. As companhias aéreas, por exemplo, podem se beneficiar de um movimento que estava represado”, comenta. O gestor da ParMais também sinaliza uma perspectiva de menos incertezas “para empresas exportadoras e com receitas em dólar”. “O setor bancário, que normalmente se beneficia da alta dos juros, pode ser um possibilidade interessante.”


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