Análise: Apple tem trimestre forte, mas economia preocupa investidores

Entre os fatores está a desaceleração da demanda entre consumidores de alto padrão

Loja da Apple (Foto: Divulgação)

A Apple apresentou um de seus melhores trimestres em 46 anos de história na quinta-feira. Mas os investidores continuam em busca de quaisquer sinais de que a fabricante do iPhone vê desaceleração da demanda entre consumidores de alto padrão em meio à alta inflação, lockdowns na China e a guerra na Ucrânia.

A receita da Apple no período de janeiro a março aumentou 9%, para US$ 97,3 bilhões, superando em muito as expectativas dos analistas de US$ 94 bilhões. O lucro por ação subiu para US$ 1,52, de US$ 1,40 um ano antes — superando as estimativas de US$ 1,42 por ação e estabelecendo um recorde para o segundo trimestre fiscal da Apple.

Os resultados foram beneficiados pela capacidade da empresa de enfrentar os desafios da cadeia de suprimentos que têm perturbado as indústrias de tecnologia e automobilística. “As restrições de oferta foram significativamente menores do que experimentamos durante o trimestre de dezembro”, disse Cook em entrevista na quinta-feira.

Os resultados de vendas ficaram dentro das estimativas da Apple em janeiro, quando a empresa previu um recorde para o período de março, embora com crescimento mais lento em relação ao trimestre anterior — que inclui o Natal — quando a empresa bateu recordes de receita e lucro graças aos mais recentes iPhones, computadores Mac e tablets iPad.

O trimestre de US$ 97 bilhões é o terceiro melhor da história da Apple em receita total, mas um dos mais lentos em crescimento desde o início da pandemia, há mais de dois anos. A empresa registrou um crescimento de dois dígitos ano a ano a cada trimestre desde o lançamento do primeiro iPhone com recursos 5G em outubro de 2020.

Daniel Morgan, gerente sênior de portfólio especializado em tecnologia na Synovus Trust, que tem recursos investidos na Apple, considera cadeia de suprimentos, covid-19 e inflação “as maiores preocupações de Wall Street” sobre o trimestre atual.

O analista da Bernstein Research Toni Sacconaghi ecoou esse sentimento em um comentário nesta semana, prevendo resultados trimestrais robustos e perguntando: “Mas e depois?”

Em janeiro, Cook disse esperar que os efeitos dos problemas da cadeia de suprimentos melhorem no período de março em comparação com os três últimos meses de 2021, quando a Apple estimou que perdeu mais de US$ 6 bilhões em vendas devido a restrições de estoque.

Mas seu otimismo veio antes que a pandemia explodisse novamente na Ásia e a guerra eclodisse na Europa. Os fornecedores da Apple na China foram atingidos este mês por rigorosos lockdowns governamentais destinados a conter a propagação da covid-19. A Loup Funds estima que 85% dos produtos da Apple são montados na China, enquanto a região responde por quase 20% das vendas anuais da empresa.

Em janeiro, o diretor financeiro Luca Maestri alertou que o trimestre de março enfrentaria uma comparação incomum com o ano anterior. As vendas do iPhone foram mais robustas do que o normal no período comparável de 2021 porque os atrasos relacionados à pandemia interromperam o lançamento típico do outono e atrasaram essas vendas. As vendas totais um ano antes aumentaram 54%.

As vendas do iPhone subiram 5% para US$ 50,6 bilhões no último trimestre em comparação com um ano atrás. Os analistas esperavam um crescimento de 1%. A empresa não divulga mais as vendas unitárias do smartphone, que representa cerca de metade da receita anual da Apple.

Essas vendas podem ter se beneficiado da forte demanda na China, onde os iPhones mais recentes estão repercutindo entre os consumidores, disseram analistas. Eles atribuíram parte da queda esperada nas vendas do iPad à Apple, que deu prioridade à produção do iPhone durante o período. As vendas do iPad caíram 2,1%, para US$ 7,6 bilhões. As vendas de computadores Mac aumentaram 15%, para US$ 10,4 bilhões, superando em muito as expectativas dos analistas de resultados estáveis.

Na entrevista de quinta-feira, Cook disse que os resultados do iPad foram prejudicados por “restrições de oferta muito significativas”.

Em meio à desaceleração das vendas de dispositivos, as vendas de conteúdo digital voltam ao foco. O chamado segmento de serviços, que inclui iTunes e App Store, cresceu 17% para US$ 19,8 bilhões nos três meses até março. Os analistas esperavam um crescimento de 17%.

Com conteúdo VALOR PRO, o serviço de informação em tempo real do Valor Econômico


Você também pode gostar
Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 11h27
Ibovespa sobe com ajuda de Vale e siderúrgicas

Mercado acionário doméstico resiste a nova abertura negativa em NY

2 min
Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 10h53
Como o trabalhador poderá usar o FGTS para comprar ações da Eletrobras

Tipo de investimento já foi feito anteriormente em vendas de ações da Petrobras e da Vale

3 min
Manhã Inteligente Publicado em 19.maio.2022 às 10h26
Guerra na Ucrânia, queda das ações da Amazon, Madonna e NFTs

Isabella Carvalho e Ítalo Martinelli falam sobre os assuntos que podem afetar seus investimentos nesta quinta (19)

Redação IF Atualizado em 19.maio.2022 às 09h39
Bolsas europeias caem mais de 2% e futuros de NY sinalizam continuidade das perdas

Clima de cautela prevalece nos negócios em meio às preocupações com o impacto da inflação elevada no crescimento econômico global

3 min
Redação IF Publicado em 19.maio.2022 às 09h06
IGP-M desacelera para 0,39% na segunda prévia de maio, aponta FGV

Houve recuos nos preços ao produtor, ao consumidor e nos custos da construção

1 min
Valor Econômico Atualizado em 19.maio.2022 às 08h39
Cenário global desperta interesse por Brasil, diz executivo da bolsa de Nova York

Chefe de mercados internacionais da bolsa de Nova York aponta que ADRs brasileiros são um dos ativos mais líquidos no mercado americano atualmente

4 min