DNA Capital adquire 25% do braço de medicina da Ânima por R$ 1 bi

Avaliada em R$ 5 bilhões, Inspirali ganha aporte para aquisições e expansão orgânica

Daniel Castanho, da Ânima: Tecnologia vai ajudar o atendimento médico e o aprendizado serem mais humanizados. Foto: Carol Carquejeiro/Valor

Pontos-chave

  • Com o aporte, esse braço do grupo educacional Ânima, que já se posiciona como o segundo maior no mercado de cursos de medicina

A DNA Capital – gestora de fundos especializada em saúde que tem a família Bueno como maior acionista – está investindo R$ 1 bilhão por 25% da divisão de cursos de medicina da Ânima. Com o aporte, esse braço do grupo educacional, que já se posiciona como o segundo maior no mercado de cursos de medicina, a graduação mais rentável do ensino superior, , é avaliado em R$ 5 bilhões.

Para efeitos de comparação, a Ânima é avaliada em R$ 2,7 bilhões, de acordo com a cotação de ontem na B3. “Esse valuation só mostra como as nossas ações estão desvalorizadas. Um estratégico, especializado em saúde, avaliou em muito mais. Isso mostra o potencial de valorização da companhia”, disse André Tavares, vice-presidente financeiro da Ânima.

Reprodução: Valor Econômico

Os recursos são destinados à expansão orgânica, aquisições e uma entrada mais forte em tecnologia na Inspirali, nome dessa divisão da Ânima que tem 10 mil alunos hoje. Com a deflagração da pandemia e a chegada do 5G, há uma demanda crescente por soluções digitais para telemecidina, cirurgias a distância e simulações de procedimentos médicos dentro de sala de aula. A DNA Capital, controladora da Dasa e da Viveo, tem forte expertise em saúde, tendo já feito cerca de 20 investimentos em startups voltadas para o segmento.

O aporte de R$ 1 bilhão foi fechado para esse fim, mas ao entrar no caixa da companhia vai servir também para reduzir o endividamento da Ânima que, hoje, está no limite de 4,1 vezes o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda) – um ponto muito questionado por investidores. O grupo tem esse passivo devido à aquisição da Laureate Brasil por R$ 4,4 bilhões. “Nossa alavancagem cai para 2,8 vezes o Ebitda. Com esse aporte, vamos destravar nosso crescimento em medicina. Poderemos aproveitar as oportunidades que surgem no mercado”, afirmou Tavares. “O nosso interesse é bem amplo, pode ser ‘edtech’ com vínculo de saúde, faculdades de medicina ou ampliação de unidades”, disse Luis Felipe Costa, sócio da DNA Capital, que recentemente levantou um fundo específico para esse aporte.

Outro caminho de crescimento são os cursos de pós-graduação e de atualização na área médica, que são muito demandados por profissionais de saúde. “Hoje, nossa área de ‘lifelong learning’ é bem pequena, há muita oportunidade”, disse Guilherme Soárez, CEO da Inspirali. A Afya, líder neste mercado, tem 16 mil alunos em graduação de medicina e outros 3 mil em cursos de pós-graduação.

Daniel Castanho, presidente do conselho de administração da Ânima, pondera que a tecnologia vem para ajudar na formação dos alunos e médicos para que eles tenham um olhar mais humanizado. O atendimento médico com esse viés é visto como tendência. “Na saúde, olhar agora é para saúde, não para a doença. Na educação, um diploma só não vale, , precisa ter um aprendizado contínuo, há os empreendedores. Nos dois setores, o que vale é o propósito, o olhar humanizado faz a diferença. Por isso, essa combinação de negócios é tão rica”, disse Castanho.


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