10 melhores séries e filmes sobre autismo

Netflix, Globoplay e Amazon Prime, entre outros serviços de streaming, refletem boom de produções de ficção, documentários e realities sobre pessoas dentro do espectro

Foto: Reprodução

Durante muitos anos a imagem do autista no cinema foi Dustin Hoffman balbuciando palavras e gritando em pânico ao ver água quente entrando na banheira. Mas, de “Rain Man” (1988) para cá, muita coisa mudou na sociedade, e filmes e séries acompanharam os avanços na medicina, nos diagnósticos, na tecnologia, na sociedade e na cultura. Não é exagero dizer que hoje há um boom de produções dedicadas ao amplo espectro do autismo ou, melhor dizendo, à neurodiversidade.

Se Hoffman ganhou o Oscar de melhor ator pelo papel de Raymond Babbitt, hoje é de bom tom escalar atores e atrizes autistas para interpretar personagens autistas — comunidades de pessoas dentro do espectro muitas vezes questionam as escolhas. Veja, a seguir, dez indicações de séries e filmes disponíveis nos serviços de streaming que o Valor selecionou sobre os autismos (no plural).

10. Jovem Sheldon

Um dos personagens mais queridos das 12 temporadas de “The Big Bang Theory”, o físico teórico Sheldon Cooper não escapou do filão das “prequências”. Afinal, o personagem dá margem a muitas questões sobre a sua genialidade e seu temperamento e hábitos peculiares, explorados de forma humorística. Sheldon não chega a ser “diagnosticado” em cena, mas suas dificuldades em se relacionar com os outros ou em entender o sarcasmo são características descritas pela Síndrome de Asperger.

“Jovem Sheldon”, em suas cinco temporadas, mostra de início o personagem como uma criança prodígio de 9 anos e sua luta para ser compreendido por família, colegas e vizinhos. Jim Parsons, que faz o personagem em “The Big Bang Theory”, atua como narrador e produtor executivo de “Jovem Sheldon”. Título original: Young Sheldon. EUA, 2017. Criadores: Steven Molaro, Chuck Lorre. Com Iain Armitage, Zoe Perry, Lance Barber.

Onde ver: HBO Max

9. Tudo que Quero

Atriz de filmes como “Guerra dos Mundos” e “The Runaways”, Dakota Fanning interpreta Wendy, uma jovem autista com fixação por “Star Trek”. Apesar de ser altamente funcional e trabalhar como atendente de uma padaria (podendo ser diagnosticada como Asperger), ela vive numa residência para autistas e é monitorada por uma cuidadora (Toni Collette). Quando é informada pela irmã de que a casa onde cresceram será vendida para ajudar na criação de sua filha, Wendy decide participar de um concurso de escrita da Paramount sobre “Star Trek”.

Com seu conhecimento enciclopédico sobre a saga intergaláctica e um manuscrito de 450 páginas, Wendy acredita que pode ganhar o prêmio de US$ 100 mil e comprar a casa. Mas, como perde o prazo do correio, Wendy decide ela mesma entregar seu livro, e o filme se transforma num road movie. Cheio de boas intenções, o filme pode irritar algumas pessoas da comunidade por não trazer uma atriz autista no papel principal, ao mesmo tempo que vai agradar fãs do Doutor Spock e cia. com as inúmeras referências e piadas internas ligadas a “Star Trek” — Wendy é fluente em “klingon”, por exemplo. Título original: Please Stand By. EUA, 2017. Direção: Ben Lewin. Com Dakota Fanning, Alice Eve, Toni Collette.

Onde ver: para aluguel na Apple TV, YouTube, Google Play, Amazon Prime Video

8. Rain Man

O ator Dustin Hoffman tem vários papéis memoráveis no cinema, mas foi pelo personagem de Raymond Babbitt, um autista com Síndrome de Savant, que ele ficou durante anos marcado no imaginário popular (é mencionado em “Breaking Bad”, “Se Beber, Não Case” etc.). No filme, ele tem uma memória excepcional que lhe permite citar estatísticas de jogos de beisebol, números de listas telefônicas, resolver problemas matemáticos complexos e vencer rodadas ao contar cartas em partidas de Blackjack.

Ao mesmo tempo, seu autismo é de grau mais elevado. “Rain Man” é um filme de estrada, e na trama ele faz o meio-irmão do personagem de Tom Cruise, Charlie, um jovem e egoísta malandro que decide sequestrá-lo quando descobre que Raymond herdou a fortuna do pai. Ao mesmo tempo em que ajudou a popularizar o autismo para o grande público, “Rain Man” criou um estereótipo hoje muito criticado,

em parte pela memorável atuação de Hoffman, que com seus trejeitos em crises e ataques de ansiedade, lhe rendeu seu segundo Oscar de melhor ator. EUA, 1988. Direção: Barry Levinson. Com Dustin Hoffman, Tom Cruise, Valeria Golino.

Onde ver: Amazon Prime Video; para aluguel em Apple TV, Google Play, YouTube

7. The Good Doctor – O Bom Doutor

O “bom doutor” do título é o jovem médico Shaun Murphy (Freddie Highmore), diagnosticado com autismo e a Síndrome de Savant. Diferentemente do epônimo Asperger (referência ao psiquiatra austríaco Hans Asperger), Savant vem do francês “savoir” (saber). Uma das peculiaridades dessa condição é o alto desenvolvimento mental, que garante uma capacidade de memorização e processamento de dados além do comum — por isso, na série, muitas vezes vemos imagens de como o cérebro do personagem funciona.

Esta é a deixa para as situações enfrentadas pelo protagonista de “The Good Doctor”, que consegue diagnosticar casos e captar detalhes que outros médicos deixam de lado. Mas, ao mesmo tempo em que rapidamente se destaca por se revelar um prodígio, o jovem médico esbarra nas dificuldades de interação social com outras pessoas, que o deixam muitas vezes em desvantagem. Com David Shore, o criador do popular drama médico “House” (Fox) como showrunner, “The Good Doctor” agradou ao público e já está em sua quinta temporada. EUA, 2017. Criador: David Shore. Com Freddie Highmore, Hill Harper, Richard Schiff.

Onde ver: Globoplay

6. Atypical

“Sou esquisito. É o que todos dizem. Às vezes não entendo o que as pessoas querem dizer.” Sam (Keir Gilchrist) é um jovem de 18 anos dentro do espectro autista que está determinado a conseguir uma namorada. Sincerão, ele diz à mãe (Jennifer Jason Leigh): “Eu realmente espero que, em algum momento, eu consiga ver peitos”. Se a primeira experiência sexual já é complexa para jovens tímidos, para os autistas a questão pode trazer dificuldades adicionais. “Atypical” busca tratar com realismo, leveza e sensibilidade a questão que no passado inspirou vários filmes popularescos sobre a perda da virgindade (“Porky’s”, “American Pie” etc.).

Não apenas Sam terá que passar por um processo de análise e descobertas, mas toda a sua família vai encarar um processo de readaptação para que o jovem siga seu próprio caminho e ganhe mais autonomia. Apesar de evitar clichês óbvios do tema, “Atypical” recebeu algumas críticas negativas da comunidade autista pelo fato de o ator Keir Gilchrist não estar no espectro e pelo roteiro, que em determinados momentos parecer usar o personagem apenas para ilustrar traços de comportamento. Apesar do sucesso que lhe garantiu quatro temporadas, “Atypical” foi cancelada. “Espero que esta temporada seja o abraço caloroso que cada um de nós merece após o ano que acabamos de ter”, disse em uma entrevista a criadora da série, Robia Rashid, sobre a última temporada, citando a pandemia de covid-19. EUA, 2017-2021. Criadora: Robia Rashid. Com Keir Gilchrist, Jennifer Jason Leigh, Brigette Lundy-Paine.

Onde ver: Netflix

5. Temple Grandin

Psicóloga e zootecnista, a americana Temple Grandin, de 74 anos, é uma destacada autora e palestrante sobre autismo e comportamento animal. Até os 3 anos ela não falava, e foi diagnosticada autista ainda criança. Como muitas pessoas dentro do espectro, ela era considerada esquisita e sofreu bullying. Tinha amigos apenas onde compartilhava interesses, como cavalos ou eletrônica, segundo seu site. Foi graças a um professor de ciência que Grandin recebeu o incentivo para estudar.

Atualmente, metade do gado dos Estados Unidos está em instalações que ela projetou. Sua atuação em favor de um tratamento mais digno aos animais lhe rendeu um prêmio da Peta (People for the Ethical Treatment of Animals). Esta cinebiografia feita para TV traz Claire Danes (de “Homeland” e “Romeu + Julieta”) no papel de Temple Grandin e recebeu elogios pelo destaque dado às conquistas de uma pessoa autista, em vez de enumerar tiques e sintomas. EUA, 2010. Direção: Mick Jackson. Com Claire Danes, Julia Ormond, David Strathairn.

Onde ver: HBO Max

4. Asperger’s Are Us

Formado em 2010 por quatro amigos num acampamento de verão em Massachusetts (EUA), o Asperger’s Are Us se autodenomina o primeiro grupo de humor formado por pessoas diagnosticadas com a Síndrome de Asperger. Desde então contabilizaram mais de 150 apresentações em dez países. Este documentário de 2016 mostra a preparação da trupe para sua última apresentação; em seguida, cada um deles partiria para uma carreira própria.

O grupo se desfez em 2018, mas depois se reuniu novamente. Como a trupe diz em seu site, eles não se ancoram em piadas ou menções sobre o Asperger e nem tentam provar que “pessoas autistas são engraçadas” — querem fazer apenas o público rir. Entre suas referências estão algumas instituições da comédia anglo-saxã, como o Monty Python e Andy Kaufman. “Por favor não esperem que sejamos como os sitcoms sobre autismo.” EUA, 2016. Direção: Alex Lehmann.

Onde ver: Netflix

3. Amor no Espectro

Documentário/reality australiano que já tem duas temporadas, “Amor no Espectro” parte, já da premissa, de algo com que todos (autistas ou não) têm grandes chances de se identificar: as dificuldade para encontrar um grande amor. Mas, como as barreiras de comunicação e socialização podem ser maiores para as pessoas dentro do espectro, o drama mostrado nesta série é ampliado. Não apenas os encontros, mas as conversas com os especialistas e reflexões dos participantes são mostrados em “Amor no Espectro”.

A proposta é mostrar essas dinâmicas sob o viés da vida “real”, sem os artifícios da ficção, ainda que a edição de documentários/realities tenham seu dedo de dramaturgia. São jovens adultos como Michael, que quer se casar, mas nunca teve um encontro antes; ou Olivia, que usa a inteligência e o humor para se destacar e encontrar um parceiro. A versão americana do reality, “Amor no Espectro: EUA”, estreia na Netflix na quarta (dia 18). Título original: Love on the Spectrum. Austrália, 2019. Produtores: Cian O’Clery, Karina Holden e Jenni Wilkes.

Onde ver: Netflix

2. Em um Mundo Interior

Originalmente lançada como um documentário em longa-metragem em 2017, esta série em sete episódios (de cerca de 13 minutos cada um) é uma das produções audiovisuais pioneiras a tratar exclusivamente de crianças e jovens com Transtorno do Espectro do Autismo no Brasil. “Em um Mundo Interior” traz, em cada episódio, a história de pessoas dentro do espectro e seus pais, com uma visão poética do assunto que busca desmitificar o padrão de comportamento autista. São histórias como as de Igor, de 4 anos, que faz terapia psicanalítica; Isa, 10, que tem a Síndrome de Phelan-McDermid; e Eric, 17, diagnosticado com a Síndrome de Asperger. Brasil, 2017. Direção: Flavio Frederico e Mariana Pamplona

Onde ver: Globoplay; para aluguel na Apple TV

1.AsWeSeeIt

Com atores autistas interpretando personagens autistas, esta série baseada na produção israelense “On the Spectrum” (2018) conta a história de três colegas de 20 e poucos anos que dividem um apartamento em Los Angeles. Jack (Rick Glassman) é um web designer temperamental cujo pai está com câncer; Harrison (Albert Rutecki) tem agorafobia e come demais; e Violet (Sue Ann Pien) trabalha como caixa numa rede de restaurantes e quer muito ter um namorado. Em um tom que mistura drama e comédia, “As Wee See It” faz parte de uma safra recente de séries e filmes que tratam da neurodiversidade de forma empática, sem recorrer a estereótipos e preconceitos, mas que também não adocicam uma realidade muitas vezes dolorosa. EUA, 2022. Criador: Jason Katims. Com Rick Glassman, Sue Ann Pien, Albert Rutecki

Onde ver: Amazon Prime Video


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