Em novo livro, Felipe Miranda ensina aos jovens 11 princípios para o sucesso na vida e nos investimentos

Estrategista-chefe da Empiricus se inspirou na obra do megainvestidor Ray Dalio

Felipe Miranda, cofundador e estrategista-chefe da Empiricus (Foto: Mariana Pekin/IF)

Felipe Miranda é um dos fundadores da casa de análise de investimentos Empiricus, que, com 12 anos de operação, se multiplicou em sites de notícias, plataforma para aplicação do dinheiro, aplicativo para acompanhar os rendimentos, e foi vendida para o banco BTG Pactual em 2021 por R$ 690 milhões. Para quem começou do nada, parece um ótimo retorno em pouco mais de uma década.

Uma matéria sobre uma entrevista com o estrategista-chefe da Empiricus deveria, então, passar logo às dicas sobre como ter sucesso empreendendo e quais são os investimentos mais promissores no momento, certo? Calma. Miranda defende que, antes da construção de um negócio e de pensar em como cuidar bem do seu dinheiro, existem princípios universais que aumentam as chances de dar certo. Mais precisamente, 11 princípios, que ele e seus sócios seguiram ao criar e impulsionar a Empiricus ao longo dos anos.

A primeira vez em que o economista escreveu sobre esse assunto foi em 2020, quando publicou o livro “Os princípios do estrategista”, junto com o jornalista Ricardo Mioto, e inspirado no clássico “Princípios”, do lendário gestor de investimentos americano Ray Dalio. Agora, traduziu esses cânones para um público mais jovem, querendo contribuir com a educação financeira no Brasil. “O filho rico: 11 lições para a riqueza e o sucesso”, também em parceria com Mioto, acaba de sair pela editora Intrínseca e pretende ensinar a construir riqueza de uma forma mais ampla e sólida do que simples apostas na Bolsa de Valores poderiam fazer. São conselhos para a família toda. “Fui criado na ética judaico-cristão, que valoriza a empatia, a generosidade, o trabalho com seriedade, acredito na igualdade de oportunidades. São valores que transcendem gerações”, diz. “Hoje em dia, o ESG [responsabilidade social, ambiental e boa governança corporativa] está na moda no mercado financeiro, mas eu também fui ensinado, quando criança, a cuidar do meio ambiente.”

A obra começa desmistificando os lugares-comuns sobre como ter êxito na vida: receber uma herança, ter inteligência e talento, e sonhar alto. No entanto, herança não é exatamente uma escolha. O mundo está repleto de gente inteligente e talentosa que não desenvolveu o seu potrencial. Sonhar alto não é suficiente – quem conta as histórias de como a força de suas convicções e a vontade de crescer levaram ao topo é uma minoria. A maioria dos que sonharam grande ficaram pelo caminho.

Todos os 11 princípios têm um quê de pragmatismo. “Tento tratar o mundo de uma maneira probabilística, buscando maximizar a chance de dar certo, mas sabendo que pode dar errado. Por isso, a persistência é fundamental”, diz o estrategista de investimentos. É importante ter paixão por um trabalho – mas tão importante quanto é investir suor para ficar realmente bom no que se faz. É importante buscar o equilíbrio financeiro – mas não ficar escravo do consumismo e do desejo por status, que acabam levando a escolhas ruins. O propósito do dinheiro é exatamente o contrário, afirma Miranda: é dar liberdade.

No que diz respeito a investimentos financeiros, o economista prova com números que a prosperidade é fruto da paciência e da compreensão de como funcionam os ganhos exponenciais. “Adoraria que fosse possível construir um patrimônio ou uma carreira no curto prazo, mas simplesmente não dá. Tudo que é relevante é feito no longo prazo”, diz o economista. Dependendo do tamanho desse longo prazo, dá para decidir quanto risco se quer correr em cada área da vida. Reconhecendo, claro, que a aleatoriedade tem um papel importante.

Não vai ter mesmo dicas de investimentos?

Vai.

Seguem as opiniões de Felipe Miranda sobre três aplicações quentes neste momento:

Bolsa de Valores brasileira

“Acho um bom momento para comprar Bolsa brasileira pensando no longo prazo. Quer dizer que daqui a três meses não vai ter um ponto melhor? Pode ter, mas estamos em um ambiente internacional muito cheio de nuances, há muita incerteza. A Bolsa está no ponto mais barato desde a era Dilma. Existe um prêmio de risco muito grande sobre a renda fixa.”

Criptomoedas

“Tem quem ama cripto e só vê benefícios e tem quem deteste cripto e só veja malefícios. Acho que o melhor é o meio do caminho. Pode ser uma revolução, mas faço algumas ressalvas. Existe um desafio regulatório enorme. Ninguém conseguiu ainda apresentar um modelo consistente de valor justo para o bitcoin, por isso, tem que ser visto como um jogo de assimetria, não de valor. E, enfim, me parece improvável que todo o ambiente de tecnologia no mundo inteiro passe por um brutal ajuste e as criptomoedas fiquem alijadas desse processo. Acho que é um ajuste geral. O bitcoin nunca passou por um momento de aperto monetário como agora. Circunstancialmente, não estou otimista com as criptos.”

Ações de empresas de tecnologia

“Não é hora de ter tech ainda. Pode até ter, mas das que dão lucro. O momento agora é mais de valor do que de crescimento. Vai ter uma hora de comprar tech, mas não é agora. Acho que agora é um jogo de bancos, commodities e consumo doméstico, que está muito barato.”