Investir em fundos imobiliários é seguro? Veja 4 pontos de atenção que você deve considerar

Os FIIs são uma boa opção de investimento, mas você deve observar os riscos que eles trazem

Se você sentiu um frio na barriga com a pergunta do título desse texto, se investir em fundos imobiliários é seguro, acalme-se. Vamos falar sobre o risco dos FIIs, mas isso não significa que eles sejam uma alternativa ruim de investimento. Até porque, quem vai decidir isso é você. E, para te orientar para que você tome as melhores decisões para o seu momento, tiramos algumas dúvidas com dois feras no assunto. Eles são: Ariane Benedito, economista especialista em mercado de capitais, e Gabriel Meira, especialista e sócio da Valor Investimentos.

Quais são os riscos de investir em fundos imobiliários?

É direto ao ponto que a gente prefere, certo? Para saber se investir em fundos imobiliários é seguro, precisamos antes de tudo saber quais são os riscos desse tipo de aplicação.

“O fundo imobiliário incorre nos riscos de mercado, cenário econômico, liquidez, crédito, inadimplência, risco físico dos imóveis, risco de concentração e risco de vacância”, afirma Ariane.

Faz sentido, afinal. Como explica Gabriel, os FIIs são basicamente imóveis dentro de um determinado fundo.

“O risco dos FIIs é principalmente a desvalorização do imóvel”, diz o especialista. “Diferentemente de um apartamento que você compra e sabe mais ou menos quanto está valendo, o fundo imobiliário tem alguém que indica seu preço todo dia, o dia todo”, diz ele.

Essa precificação faz com que o fundo imobiliário tenha valorização e desvalorização, o que pode assustar investidores menos abertos à risco e pouco acostumados com renda variável.

Há risco de perder dinheiro em fundos imobiliários?

A resposta de Ariane é sim. E a de Gabriel? É sim também. Portanto, não tenha dúvida: você pode perder dinheiro com os FIIs.

Como explica a economista, se você precisar resgatar, ou seja, vender suas cotas num momento de baixa de mercado, pode acontecer de ganhar por elas menos do que você pagou.

Gabriel alerta para que o risco é ainda maior quando investimos em fundos imobiliários monoativos, ou seja, que só têm um imóvel. “Por exemplo, já aconteceu de um fundo que tinha ativo a antiga sede da Petrobras sofrer quando a empresa decidiu mudar de local”, lembra.

Passar por isso, ele compara, é mais ou menos como comprar um imóvel por R$ 100 milhões e de uma hora para outra ficar sabendo que ele passou a valer apenas R$ 50 milhões. Esse tipo de desvalorização tem muito impacto na cota do fundo imobiliário.

Investir em fundos imobiliários é seguro?

Adivinha qual é a resposta dos especialistas? Os dois também dizem que sim: é seguro aplicar em fundos imobiliários. Principalmente se você estiver comparando FIIs com outros ativos de renda variável, com as ações.

FIIs ou ações: o que é mais arriscado?

“Geralmente as pessoas se assustam com essa modalidade de investimento por ser um ativo de renda variável”, diz Ariane. “No entanto, os FIIs costumam apresentar menor volatilidade em relação a uma ação de uma empresa e geralmente têm seu lastro de retorno definido, o que ameniza os riscos de mercado”, afirma.

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Quanto investir em FIIs?

Gabriel acredita que seja interessante aplicar em fundos imobiliários, mas faz uma ressalva importante. “Em geral, recomendamos um percentual de exposição de até 20% ou 30% da carteira do cliente em renda variável”, diz ele.

E – atenção aqui – dentro dessa fatia, ele acredita que seja conveniente destinar de 5% a 10% dos investimentos a fundos imobiliários.

Mas ainda não acabou. Além disso, dentro dos FIIs, ainda vale a pena diversificar entre 5 a 7 fundos, variando entre tijolo e papel e setores, como shopping, galpão etc. “Diversificação é a chave”, diz ele.

4 pontos para você considerar antes de investir em FIIs

Agora vamos aos pontos de atenção para quem pensa em diversificar a carteira aplicando em fundos de investimento imobiliário.

1. Fundos imobiliários não têm cobertura do FGC

Você sabia que os FIIs não têm cobertura do FGC (Fundo Garantidor de Créditos)?

Só lembrando que o FGC garante uma cobertura de R$ 250 mil por conta (CPF ou CNPJ) em entidades distintas ou até R$ 1 milhão somando o total investido em todas elas?

Pois é, fundo imobiliário não tem essa garantia. Então, muita atenção na instituição que está oferecendo o título.

2. Não existem FIIs prefixados

Outro ponto de atenção destacado pela economia é que, em FIIs, não existe modalidade de prefixados, em que o retorno do investimento é determinado no momento da aplicação.

Ou seja, você não consegue ter uma previsibilidade mínima do quanto o investimento poderá render. Aliás, você nem tem certeza se realmente vai ganhar.

3. FII é título de renda variável

Ninguém está dizendo que seja uma desvantagem, mas Gabriel ressalta que é preciso considerar o fato de fundos de investimento serem renda variável.

“O que o diferencia o FII de uma ação é que a ação é um pedaço de uma empresa e o fundo imobiliário é um pedaço de um imóvel ou um conjunto de imóveis”, explica.

Então, ao pensar em fazer esse tipo de aplicação, é preciso considerar que ela oscila, tanto para cima quanto para baixo, diferentemente da renda fixa.

“Isso pode trazer um pouco de dor de cabeça para o investidor que não está acostumado”, diz ele.

4. Você pode perder dinheiro

Esse ponto de atenção não pode faltar na nossa lista. Os fundos imobiliários têm risco de desvalorização.

E, como explicou Ariane, se você precisar vender cotas em um momento de baixa, pode ganhar menos do que pagou por elas.

Como minimizar os riscos ao aplicar em FIIs?

Por fim, vamos voltar ao assunto da diversificação. É essa a melhor estratégia para minimizar os riscos de investir em FIIs.

“Não se deve concentrar todo o portifólio em uma única categoria de ativos”, diz Ariane. E, dentro da própria classe de ativos, ainda vale a pena diversificar a estratégia.

“No caso dos fundos imobiliários é possível diversificar em FIIs de shoppings, lajes corporativas, galpões logísticos, FIIs de Hotéis, educacionais, Hospitais, agências bancárias, FIIs de Fundos, FIIs de desenvolvimento imobiliário, FIIs de Recebíveis Imobiliários (CRIs), FIIs Híbridos (Papel e Tijolo)”, esclarece a economista.

Gabriel assina embaixo. Para ele, o ideal é preciso definir um percentual menor para começar, 5% ou 10% da carteira, e dentro disso – claro! – ainda diversificar sua carteira.