Dúvidas sobre quais ações comprar? Veja 10 recomendações de especialistas para janeiro

Gestoras e casas de análises adicionam uma dose maior de cautela às estratégias

A mudança de governo no Brasil é o principal fato que move o mercado de ações no primeiro mês de 2023. Depois de o Ibovespa fechar 2022 com alta acumulada de 4,69%, os agentes do mercado financeiro estarão atentos principalmente às sinalizações e às definições econômicas da nova gestão de Luiz Inácio Lula da Silva.

Levantamento feito pela Inteligência Financeira aponta que, diante das incertezas, as gestoras e casas de análises adicionaram mais cautela às suas estratégias.

As carteiras recomendas avaliadas trazem um mix de empresas mais defensivas, outras que já tiveram seu valor excessivamente descontado ou ainda companhias que seus fundamentos poderão ser pouco afetados pela conjuntura macroeconômica.

A seguir, para ajudar na sua tomada de decisão, preparamos uma lista de 10 ações de setores variados para o mês.

Vale (VALE3)

“A Vale (VALE3) continua sendo um dos nossos nomes preferidos para exposição à reabertura da economia chinesa. À medida que avançamos para 2023, esperamos que a atividade econômica se recupere gradualmente à medida que o governo diminui as restrições e a ajudar a moderar a correção do mercado imobiliário. De uma perspectiva bottom-up, seu momento operacional deve continuar a se recuperar à medida que a produção e os custos (tanto para suas divisões de minério de ferro e metais básicos) devem melhorar nos próximos trimestres. Gostamos da entrada de um acionista de referência (Cosan) no conselho da Vale e vemos uma potencial monetização da divisão de metais básicos como um potencial gerador de valor para os investidores de longo prazo. Em nossa opinião, a administração permanece altamente disciplinada em sua estratégia de alocação de capital (pouco capex de crescimento), e esperamos que a maior parte da agenda estratégica de médio prazo seja voltada aos retornos de caixa dos acionistas – projetamos um yield de 10-11% para 2023, incluindo recompras de ações. Reiteramos nossa recomendação de compra, com a ação negociando a 4,2x EV/EBITDA 23E.” (BTG Pactual)

Cosan (CSAN3)

“As operações da Cosan (CSAN3) captam a melhora do cenário econômico local, além de demonstrar uma forte resiliência e eficiência operacional em relação ao cenário internacional mais desafiador. Nos últimos anos, acompanhamos a estratégia de fusões e aquisições (M&A) da Cosan, a partir de aquisições e joint ventures, estratégia que se mostrou muito bem-sucedida e que continua em andamento, aproveitando as potenciais sinergias entre os negócios adquiridos e novas oportunidades. Neste sentido, a Cosan anunciou recentemente a aquisição de ações ordinárias da Vale. O valor da operação, que supera os R$ 21 bilhões, será financiado por linhas de crédito de longo prazo e a companhia terá, no curto prazo, um incremento na sua dívida bruta na casa de R$ 8 bilhões, compensado pela inclusão das ações como títulos e valores mobiliários. O time de análise considera que essa aquisição vai ao encontro da visão da estratégia de diversificação via M&A da Cosan, e também a tese sobre a Vale que, por apresentar importantes vantagens comparativas e exposição à moeda forte, se torna uma excelente oportunidade para compor o portfólio da Cosan.” (Toro Investimentos)

Multiplan (MULT3)

“Estamos adicionando Multiplan (MULT3) na carteira por projetarmos um incremento no fluxo de pessoas nos shoppings no final de 2023, acima dos anos anteriores. Acreditamos que os consumidores estão mais dispostos e confiantes a irem às compras. Além disso, com o cenário de muita incerteza político-econômica, preferimos estar expostos a empresas de maior qualidade, com gestões comprovadas ao longo dos anos.” (Ativa Investimentos)

Bradesco (BBDC4)

“Bradesco (BBDC4) é uma ação descontada desde o início da pandemia. O momento de alta de juros pelo Banco Central, tradicionalmente, favorece o setor financeiro. O que nos faz aumentar o peso do setor como um todo na carteira. A empresa enfrentará o aumento da inadimplência, mas a possibilidade de aplicar spreads maiores nos chama a atenção.” (RB Investimentos)

Cielo (CIEL3)

“A Cielo (CIEL3) é líder no mercado de adquirência, sendo a maior credenciadora e processadora de meios de pagamento do Brasil e da América Latina, com aproximadamente 30% de market share do volume transacionado. Nos últimos anos a companhia vem sendo impactada pelo aumento da concorrência no mercado de pagamentos, principalmente de Stone, Pag Seguro, Rede e Getnet, resultando na compressão do yield de receita. Para voltar a crescer a rentabilidade, a companhia tem adotado a estratégia de aumentar a penetração de produtos de prazo na sua base de clientes, ampliar a atuação nos segmentos de varejo e empreendedores em relação a grandes contas, bem como expandir o portfólio de serviços. A Cielo publicou no 3T22 números acima das estimativas do mercado, saindo de R$ 212 milhões de lucro líquido no 3T21 para R$ 422 milhões no 3T22, aumento de 99%.” (Guide Investimentos)

Trisul (TRIS3)

“A Trisul (TRIS3) é uma incorporadora de pequeno porte, focada em imóveis de médio/alto padrão, exclusivamente na cidade de São Paulo. A companhia teve R$ 1,7 bilhão em VGV lançado em 2021, com vendas na casa de R$ 800 milhões e um lucro de R$ 120 milhões. Gostamos da Trisul pela sua gestão conservadora, que é necessária para operar um negócio volátil como incorporação imobiliária. A Trisul hoje vale apenas R$ 600 milhões na Bolsa, um preço bastante atrativo. Por múltiplos, a empresa opera a 0,5x valor contábil – também muito abaixo do que achamos justo para a incorporadora.” (Órama Investimentos)

Eletrobras (ELET6)

“A ação ainda combina um dos potenciais mais claros (14,2% de TIR real) no setor de serviços básicos e alta liquidez, junto com vários catalisadores nos próximos meses com a implementação da reestruturação. Wilson Ferreira Jr. assumiu o cargo de CEO em 19 de setembro e a empresa anunciou um programa de desligamento voluntário envolvendo 2,3 mil funcionários elegíveis em outubro, com um custo de R$ 1 bilhão e um payback de 11,2 meses, representando o início da agenda de reestruturação definidos pela gestão e aguardados com ansiedade pelo mercado. A empresa adiou recentemente sua migração para o Novo Mercado, mas a nossa visão é que a migração acabará acontecendo. Além disso, vemos um risco de reestatização muito baixo, considerando que os termos da privatização limitaram o poder de voto de qualquer acionista individual a 10% (incluindo todas as entidades relacionadas ao governo) e estabeleceram uma poison pill de 200% caso o governo (ou qualquer outro acionista) decida adquirir o controle acionário da empresa (50+1%).” (BTG Pactual)

JBS (JBSS3)

“A JBS (JBSS3) reportou resultado em linha com nossas expectativas no 3T22, com expansão de receita (+6,8% YoY). Ademais, realçamos o panorama positivo para as operações de aves, com Seara reportando um EBITDA ajustado de R$1,7 bilhão (+80,9% YoY) e margem 15,1% (+4,9 p.p. YoY), expandindo sua capacidade de produção e capturando o cenário positivo para exportações, com os volumes aumentando 10% YoY. Avistamos uma retomada da Austrália, com margens resilientes de carne suína. Observamos também um desconto perante os pares, assim, apoiada na sua diversificação e avicultura a JBS será incluída na carteira.” (Ativa)

RaiaDrogasil (RADL3)

“A RaiaDrogasil (RADL3) é a maior varejista farmacêutica em termos de faturamento e quantidade de lojas do país. Ao final do 2T21 a companhia possuía 2.374 lojas e um faturamento bruto de R$ 23,5 bilhões nos últimos dozes meses e market share de 14,1%. Seu foco é o crescimento orgânico, apesar de ter realizado algumas aquisições ao longo de sua História. A varejista farmacêutica compra os medicamentos e produtos direto dos fabricantes e/ou de distribuidores farmacêuticos. Seu público-alvo originalmente com foco nas classes A, B e recentemente expandiu sua estratégia para um formato popular/híbrido que atende também a classe C. Possui onze centros de distribuição para atender as suas mais de 2.300 lojas físicas, além de atender o canal digital.” (RB)

3R Petroleum (RRRP3)

“A 3R Petroleum (RRRP3) é uma empresa que atua na operação e produção de petróleo e gás em campos maduros, minimizando o risco exploratório. A empresa visa crescer de forma inorgânica, via aquisições de campos vendidos pela Petrobras e outras companhias, contribuindo para a geração de valor aos acionistas no futuro. A equipe de gestão experiente e especializada na operação de campos onshore e offshore, aliado aos elevados níveis de governança corporativa, são vantagens competitivas relevantes nesta indústria. A companhia está no processo de finalização dos processos de transição operacional nos Polos Pescada, Papa-Terra e Potiguar, e também tem expandido sua estratégia offshore a partir da aquisição do Polo Peroá, na Bacia do Espírito Santo. Ao longo dos últimos trimestres, a 3R apresentou forte crescimento operacional, fruto da retomada das atividades econômicas no Brasil e no mundo, assim como da elevação dos preços internacionais do barril do tipo Brent, que possibilitaram maiores ganhos de receita no período. Contando com margens elevadas e múltiplos atrativos para o padrão da indústria, a 3R Petroleum possui vantagens competitivas relevantes, que conectadas às futuras aquisições de campos, tendem a gerar valor aos acionistas no longo prazo.” (Toro)

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