Apenas 11 das 88 ações do Ibovespa subiram em fevereiro

Boa parte dos papéis que subiram é de commodities; Itaú está na lista

Em um mês muito negativo para a bolsa brasileira, apenas 11 das 88 ações do Ibovespa subiram em fevereiro. Entre as que ganharam, boa parte foram companhias atreladas a commodities, como São Martinho (SMTO3) e Ultrapar (UGPA3), ou conservadoras em seus modelos de negócio, como WEG (WEGE3) e Itaú (ITUB3, ITUB4). Essas empresas chamam a atenção em ambientes difíceis como o atual, porque são menos sensíveis à economia brasileira.

“A lista dos melhores papéis teve uma composição típica de um mês de piora na perspectiva econômica, sem nada muito exposto a juros e tecnologia”, afirma Phil Soares, chefe de análise de ações da corretora Órama.

Além disso, empresas com balanços positivos divulgados neste mês se destacaram, como Multiplan (MULT3) e Tim (TIMS3). “Em um cenário desafiador, ressalta-se o mérito da gestão de companhias”, diz Enrico Cozzolino, chefe de análise e sócio da casa de análises Levante Investimentos.

“Mas a maioria das empresas andou para baixo devido ao cenário macroeconômico e à falta de clareza sobre os gastos do governo e a meta de inflação, que causam aversão a risco”, acrescenta.

A seguir, confira as 11 ações que ganharam em fevereiro e o contexto que contribuiu para cada um desses papéis estar no ranking.

As melhores ações do Ibovespa em fevereiro

ClassificaçãoAçãoCódigoVariação (%)Cotação (R$)
1SÃO MARTINHO ONSMTO38,7627,20
2MULTIPLAN ONMULT35,8025,17
3GRUPO NATURA ONNTCO35,2915,32
4TIM ONTIMS33,9912,26
5WEG ONWEGE32,9939,16
6SUZANO PAPEL ONSUZB32,9847,74
7KLABIN UNTKLBN112,2519,46
8EMBRAER ONEMBR31,4716,59
9BRASIL ONBBAS30,7840,30
10ULTRAPAR ONUGPA30,6613,18
11ITAÚ UNIBANCO PNITUB40,4525,43
fonte: B3/Valor PRO

1. São Martinho (SMTO3)

Após apanhar bastante em 2022, a ação da São Martinho, comerciante de açúcar, álcool e seus derivados, começou a se recuperar. “A companhia divulgou que passará a produzir etanol a partir de milho, aumentando a capacidade produtiva, e o mercado gostou disso”, afirma Leandro Petrokas, diretor diretor de análise de investimentos e sócio da casa de análises Quantzed.

Além disso, o governo vai retomar a cobrança dos impostos federais sobre os combustíveis, usando estratégia que levará a gasolina a pagar mais tributos do que o etanol. Essa reoneração tende a melhorar a competitividade do etanol e beneficiar a empresa.

2. Multiplan (MULT3)

A Multiplan, que comercializa empreendimentos imobiliários, lucrou R$ 239 milhões no quarto trimestre do ano passado, alta de 11,9% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior. Já entre janeiro e dezembro de 2022, a companhia lucrou R$ 769,25 milhões, aumento de 69,8% em relação a 2021, um resultado recorde para a empresa.

O Bradesco BBI avaliou que a Multiplan apresentou resultados positivos em todas as frentes e que o anúncio do novo diretor-presidente faz parte de uma sucessão familiar natural e não deve trazer surpresas.

3. Natura (NTCO3)

A Natura, indústria de cosméticos e higiene pessoal, acumula valorização das ações no ano com as negociações que a companhia vem realizando para vender uma participação na Aesop.

A empresa anunciou em outubro do ano passado que estudava uma eventual cisão da Aesop, com possibilidade de uma oferta inicial de ações, para destravar valor da marca.

Conforme o Citi, a Aesop é o ativo da Natura que tem maior lucratividade e maior velocidade de crescimento.

Fábio Barbosa, CEO da Natura & Co., conversou com a Inteligência Financeira e explicou a estratégia da empresa para este ano, veja logo abaixo:

4. Tim (TIMS3)

A Tim, prestadora de serviços de telecomunicações, registrou recuo de 47% no lucro no quarto trimestre do ano passado, para R$ 538 milhões. Apesar disso, os resultados da companhia vieram em linha com as expectativas e os dividendos 15% acima do que os analistas previam surpreenderam os investidores.

Além disso, após perder a diretora financeira Camille Faria para a encrencada Americanas, a empresa anunciou que a Andrea Viegas assumirá o cargo. O nome foi bem recebido, considerando a experiência de 20 anos da executiva no setor de telecom e o conhecimento sobre a companhia, onde ocupava até agora a diretoria de planejamento e controle.

5. WEG (WEGE3)

A WEG, comercializadora de motores elétricos e equipamentos de energia, virou uma queridinha entre os gestores. O aquecimento dos negócios da companhia tanto no Brasil quanto nos principais países em que atua no exterior deu o tom do balanço da empresa no quarto trimestre de 2022.

Soma-se a isso a melhora nos custos e estabilização no fornecimento de commodities, que também contribuíram para o desempenho da WEG, que teve teve lucro de R$ 1,19 bilhão no período, alta de 36,5% em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior.

6. Suzano (SUZB3)

A ação da Suzano, produtora de papel, continua descontada mesmo após a correção nos preços da celulose, segundo analistas.

O CEO da Suzano (SUZB3) Walter Schalka conversou com a Inteligência Financeira, e você pode assistir no vídeo abaixo:

7. Klabin (KLBN11)

A Klabin, maior produtora e exportadora brasileira de papéis de embalagens e líder em caixas de papelão ondulado, encerrou 2022 com lucro líquido atribuído aos sócios da controladora de R$ 4,69 bilhões, uma alta de 55,3% frente ao apurado no exercício anterior, beneficiada pela forte melhora do desempenho operacional.

Apesar da queda do lucro no quarto trimestre em comparação ao mesmo intervalo do ano anterior, a companhia é beneficiada pela alta do dólar e tem um modelo de negócio resiliente, conforme Petrokas, da Quantzed

8. Embraer (EMBR3)

A Embraer ainda não divulgou o seu balanço do quarto trimestre do ano passado, mas já reportou 80 jatos vendidos no período, praticamente metade do valor total de 2022. “O mercado está antecipando o resultado positivo, também por conta da companhia ter exposição ao dólar”, afirma Petrokas.

9. Banco do Brasil (BBAS3)

O Banco do Brasil registou lucro ajustado de R$ 9,04 bilhões no quarto trimestre, aumento 52,4% em relação a igual período de 2021. Para analistas, o perfil defensivo da carteira de crédito da estatal continuou prevalecendo e, apesar do índice de inadimplência ter crescido, segue abaixo dos pares. Além disso, o resultado da instituição financeira foi impulsionado por uma forte receita líquida de juros.

10. Ultrapar (UGPA3)

A Ultrapar, distribuidora de combustíveis e gás, está promovendo uma mudança importante em sua governança. Após concluir a revisão dos negócios e vender a Oxiteno e a Extrafarma, a companhia vai renovar mais de 50% do conselho de administração, que passa a ter um perfil mais alinhado ao propósito da empresa de atuar como holding de participações.

A missão do novo conselho, que assume em abril, será encontrar alternativas de crescimento que remunerem adequadamente o acionista, que, é claro, gostou disso.

11. Itaú Unibanco (ITUB4)

Analistas classificaram como positivos o balanço do Itaú no quarto trimestre. O Credit Suisse afirmou que os resultados são uma prova do poder de execução do banco e disse que acredita fortemente que a performance operacional da instituição financeira continuará se deslocando da de outros pares do setor privado, em maio ao aumento da inadimplência.

Roberto Setubal, copresidente do Conselho de Administração do banco, conversou conosco, e você pode acompanhar no vídeo logo abaixo: