Quais são os 10 BDRs preferidos pelos brasileiros?

Levantamento mostra a perda de espaço das Big Techs no ranking

Os BDRs (Brazilian Depositary Receipts) são ótimas opções de investimento para quem deseja aportar em empresas do exterior sem abrir uma conta lá fora. Por isso, cada vez mais, investidores brasileiros têm buscado esta alternativa.

Vale lembrar que os BDRs são ativos de renda variável, ou seja, podem se valorizar ou desvalorizar conforme os movimentos do mercado. Para investir nele, é essencial que você saiba antes qual o seu perfil de investidor.

Um levantamento realizado pela plataforma Dividendos.me em sua própria base de dados formada por 190 mil usuários mostrou os 10 BDRs mais escolhidos pelos investidores brasileiros por meio da B3.

Na liderança do ranking aparece a Alibaba (BABA34), empresa do setor de software e tecnologia; em segundo lugar, está a Tesla (TSLA34), companhia do setor automotivo; e completando o pódio está a Alphabet (GOGL34), outra empresa de tecnologia.

Em quarto lugar está a Amazon (AMZO34), do ramo de varejo. Líder no ranking passado, a Apple (AAPL34) aparece na quinta colocação neste ano, seguida pela Meta (M1TA34), Walt Disney (DISB34), que atua no ramo de mídia, e Microsoft (MSFT34).

A Nike, que no levantamento anterior nem aparecia entre as 20 primeiras na preferência do público, agora ocupa a nona colocação e a Berkshire Hathaway (BERK34) ganhou duas posições, saindo da 12ª para a 10ª colocada.

Confira a lista completa

Veja abaixo os 10 BDRs mais escolhidos pelos investidores brasileiros:

Posição EmpresaTickerSetor
AlibabaBABA34Software e tecnologia
TeslaTSLA34Automotivo
AlphabetGOGL34Tecnologia
AmazonAMZO34Varejo
AppleAAPL34Tecnologia
Meta M1TA34Tecnologia
Walt DisneyDISB34Mídia
MicrosoftMSFT34Tecnologia
Nike NIKE34Vestuário
10ºBerkshire HathawayBERK34Financeiro
Fonte: Dividendos.com

Big Techs perdem espaço

Apesar do setor de tecnologia ainda ser o queridinho na escolha dos BDRs, as Big Techs, termo que se refere às maiores empresas do setor de tecnologia, como Alphabet, Amazon, Apple, Meta e Microsoft, caíram no estudo feito pela Dividendos.me.

No ranking do ano passado, a lista das top 10 contava com seis companhias da área de tecnologia: Apple (1º), Facebook (2º), Google (3º), Microsoft (7º), Alibaba (8°) e Mercado Livre (9º).

As quatro posições restantes eram ocupadas por empresas de ramos diversos com a Disney, do ramo de mídia, em quarto lugar, a Tesla em quinto, a Amazon em sexto e a Coca-Cola, do setor de bebidas, na décima posição. O Mercado Livre não aparece mais no top 10.

De acordo com Guilherme Gentile, head de Análise da Dividendos.me, a redução do interesse pelas Big Techs se explica pelo receio que os investidores têm da recessão global, que cresce gradualmente com os aumentos das taxas de juros em países do mundo todo e também pelas últimas declarações dadas pelo presidente do Federal Reserve, o banco central dos Estados Unidos.

“Empresas de tecnologia, por dependerem muito de capital de terceiros, têm custos elevados que afetam seus resultados e geram uma queda em suas atividades, uma vez que o valor dessas empresas está no fluxo de caixa futuro que ela vai gerar”, explica.

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Outro ponto a ser considerado é que as Big Techs não costumam ser boas pagadoras de dividendos.

No último ano algumas companhias chegaram a reduzir ainda mais o pagamento de proventos. Por exemplo, a Microsoft, que possui um dividend yield médio de 2%, mas atualmente esse valor se encontra em 1%.

Tesla salta entre os BDRs queridinhos

Segundo o head da Dividendos.me, a principal razão para a Tesla ter saltado da quinta para a segunda posição no ranking das BDRs preferidas do investidor brasileiro é que, mesmo com uma possível recessão e o aumento dos juros nos Estados Unidos, a companhia consegue apresentar resultados crescentes e acima das expectativas do mercado.

“Como o mundo passa por um momento de transição do combustível fóssil para combustíveis renováveis, a empresa, que produz carros elétricos e painéis solares, conta com grande vantagem sobre seus concorrentes”, afirma. “Até porque a implantação de tecnologias mais limpas são incentivadas pelos governos para reduzir custos aumentar as margens de ganho. Com isso, um investidor que procura aumentar seu patrimônio irá procurar empresas com mercados crescentes (veículos elétricos) e com resultados que deem base a esta ideia”.

Moeda forte

Seja bigtech ou não, uma das vantagens de se investir em ativos internacionais, que pagam dividendos ou não, está no fato de que eles estão atrelados a uma moeda forte, contribuindo para que o investidor tenha menos exposição ao risco Brasil.

Assim, mesmo com uma possível crise, as empresas de tecnologia continuam a ser atrativas para os investidores brasileiros.

“Entretanto, é necessária muita cautela ao investir nelas, afinal com a incerteza no cenário global (guerra/recessão/inflação/juros), seria seguro dizer que as Big Techs continuarão a ter atratividade sim em 2023, mas com menos força. Isso, inclusive pode levar a uma tendência de investimentos em BDRs de outros ramos ou até mesmo na renda fixa brasileira”, conclui Gentile.