Tesouro Direto: rentabilidade bate recorde em abril; o que esperar para maio?

Vale lembrar que quanto maior a taxa, menor o preço

Um mês de crescimento expressivo na rentabilidade dos títulos públicos foi o suficiente para que as taxas recuassem e voltassem a patamares anteriores. Bom para quem já tem os papéis na carteira e “ruim” para quem pretendia (ou pretende) se posicionar no Tesouro Direto. Os juros oferecidos pelo investimento está num patamar tão elevado, que chega a ser pecado dizer que uma queda de alguns pontos percentuais o torna ruim.

Por que a rentabilidade subiu?

Fato é que a rentabilidade subiu durante um mês de discussão do novo arcabouço fiscal, que vai substituir o teto de gastos do país, e termina os dias úteis de abril no Congresso, sob risco de alterações no texto final.

Tanto nos papéis prefixados como naqueles indexados ao IPCA, quanto maior a taxa, menor o preço. Quando as taxas sobem, portanto, apesar de ser uma boa notícia para quem vai investir — já que assegura rentabilidade maior se mantiver a aplicação até o vencimento —, o valor de mercado dos papéis diminui, o que implica em perda temporária para quem possui os títulos na carteira.

Valorização

Em abril, todos os papéis encerram no positivo. Destaque para os títulos do Tesouro Prefixado com vencimento em 2033, com pagamento de juros semestrais, que registrou alta de 4,78% em abril. Seguido pelo prazo de 2029, que também avançou, fechando o mês com rentabilidade positiva de 3,74%.

Como sempre, entre os papéis disponíveis para aplicação do pequeno investidor, os títulos atrelados à Selic seguem fechando o mês no patamar positivo (em termos nominais, sem considerar a inflação). Os retornos dos títulos com vencimentos em 2026 e 2029 foram de 0,98% e 0,90%, respectivamente.

O Tesouro IPCA+ 2045, campeão de queda, que já acumula algumas neste ano, fechou mais um mês em alta, o segundo consecutivo. O papel subiu 5,42% em abril.

A marcação a mercado pode trazer muita volatilidade ao investimento em Tesouro Direto. Tanto para o lado do bem, ampliando seu retorno potencial, quanto para o lado negativo, abrindo espaço para prejuízos.

No entanto, essa oscilação só atinge os investidores que resgatam os investimentos antes do fim do prazo “combinado” com o governo. Se levar o título até o seu vencimento, o retorno acordado na hora da compra está garantido.

O que esperar para maio?

No Brasil, o desenrolar do arcabouço fiscal vai guiar o termômetro do mês. O investidor precisa continuar de olho nos indicadores do mês, que devem reagir à proposta encabeçada pelo ministro da Fazenda, Fernando Haddad.

No exterior, a economia americana ora mostra que está fortalecendo, ora beira a temida recessão. A inflação segue preocupa as autoridades, que deixaram claro, durante todo o mês, a preocupação com o índice. A autoridade monetária se reúne na próxima quarta-feira (3) para decidir sobre os juros do país. A expectativa é de mais uma alta no horizonte.

Qual título público comprar agora?

Os papéis do Tesouro Prefixado e IPCA+, ambos com vencimento 2026, seguem sendo os mais favoráveis entre os de curto prazo, de acordo com a visão dos analistas.

O analista Igor Seixas, da Inove Investimentos, lembra que, quanto mais longo o vencimento, mais sensíveis eles serão às mudanças de expectativas. “Mas claro, o risco sempre é para os dois lados, não apenas pode passar por impactos negativos ao longo do tempo, como também pode haver boas surpresas boas nesse processo”, diz.

O Tesouro Selic é o menos propenso à possibilidade de variar negativamente (apesar de não ser impossível), porém ele também não é tão propenso a ter rentabilidades acima da média.

No caso do Tesouro IPCA, a classe garante (ao investidor que permanecer até o final) um determinado retorno acima da inflação. Mas vale lembrar que: caso a inflação diminua, o ganho total do investimento também diminui.

Se o investidor tiver apetite, apesar das incertezas, os economistas do Santander recomendam os títulos do Tesouro IPCA+ 2035. “A sugestão é alocação no Tesouro IPCA+, com proteção à inflação, mas com um alongamento no prazo, optando pelo vencimento de 2035. Se os ventos domésticos se provarem favoráveis para os ativos de risco (menor ruído político e fiscal, inflação convergindo à meta e promessas de responsabilidade fiscal em 2023), podemos ver um menor prêmio de risco para os títulos públicos reais”, diz o banco em relatório.

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