Como começar a investir no exterior?

Você não precisa de muito dinheiro, mas tem que ter uma boa estratégia de investimento

A ideia de começar a investir no exterior gera curiosidade, mas nem sempre sabemos se essa é uma alternativa viável nem por onde começar. Se você está nessa situação, veja as recomendações de Charles Burrows, chefe de investimentos internacionais do Neela Bank, que te mostra como identificar oportunidades no mercado externo.

Como começar a investir no exterior?

É difícil responder essa pergunta porque existem várias opções dependendo do perfil de investidor de cada pessoa. Mas para dar um grande resumo podemos falar de renda fixa e renda variável.

Como identificar oportunidades para investir em ações no exterior?

Se olharmos hoje o S&P500, bolsa com as 500 maiores empresas americanas, veremos que ele está supervalorizado – cerca de 61% acima do que estava no pré-covid. Ou seja, não é um bom momento para compra, porém é possível encontrar boas oportunidades entre essas 500 companhias. Para isso, minha dica é basicamente entender duas métricas financeiras para identificar o que está descontado e o que está supervalorizado.

Quais são essas métricas?

A primeira delas é o PriceEarnings (PE), ou seja, o preço atual da ação dividido pelo lucro da empresa por ação. No S&P500, o PriceEarning de longo prazo está em 14x. Isso significa que demoraria 14 anos alcançar retorno sobre o seu investimento apenas com a renda daquela empresa.

A outra métrica é o Priceto Book (PB), que calcula o valor patrimonial da empresa. A média do S&P500 é 2,8x. Ou seja, se você encontrar uma ação com PriceEarnings (PE) de 14x e book price de 2,8x, pode saber que está na média de mercado.

Hoje em dia, porém, o mercado americano está com PE de 24,79x. Ou seja, está quase chegando ao dobro da média. E o PB está em 4,7x. Hoje eu buscaria aqueles que estão oferecendo um desconto abaixo da média a longo prazo para saber que estou aplicando bem meu dinheiro.

E como o investidor descobre oportunidades?

Imagina que você vai comprar uma padaria que tem receita de R$ 1 milhão. O dono da padaria quer vender por R$ 24 milhões, enquanto o resto do mercado está pedindo R$ 14 milhões. Imagina ainda que essa padaria tenha bens que valem R$ 1 milhão. Ou seja, pela média do longo prazo do S&P 500, seu preço de mercado deveria ser de R$ 2,8 milhões. Não parece um bom investimento, certo?

É isso o que está acontecendo com a médias das empresas do S&P 500. Os papéis estão muito valorizados e isso é um risco, principalmente considerando que estamos em um momento de alta inflação e guerra.

A lógica, então, para investir no exterior é buscar o melhor valor possível. Ou seja, descobrir empresas que tenham dinheiro e estejam com PE relativamente baixo.

Pode dar algum exemplo?

Para explicar, vou comprar ações da Amazon com ações da JD.com, que é uma empresa bem parecida com Amazon, mas do mercado chinês.

A Amazon, hoje em dia, não paga dividendos, e tem PE de 51x; e PB de 8x.

JD.com, por outro lado, tem 13x PE, ou seja, está 5x mais barata, em termos de ganhos do que Amazon. O book cost está em 1,5x – em vez dos 8x da Amazon. 

Leia a seguir

Leia a seguir

Para completar, a companhia está cheia de dinheiro, pagando 2,55% de rentabilidade ao investidor. É uma oportunidade, principalmente se considerarmos que seus papéis caíram em consequência de questões políticas da China e não de problemas internos da empresa

Você já teve retorno operando desta forma?

Sim, uma vez fiz muito dinheiro com baixo risco comprando papéis da Meta (Facebook) no final de 2022. Vi que estavam negociados 14x PE, quando o normal é de 30x a 50x, e que o book value estava em 2,5x, mas normalmente fica entre 6x e 8x.

A análise dessas métricas me deu o alerta para comprar uma das maiores empresas por preço baixo. E de lá para cá sabe qual foi o resultado? Em um ano e meio, a rentabilidade foi de quase 99%. É assim que identificamos valor e oportunidade de mercado.

E qual é a melhor estratégia para um investidor conservador?

Quem tem menos disposição ao risco, pode buscar alternativas com menos volatilidade como papéis de renda fixa.

Para investidores que não querem comprar ações, nem volatilidade e risco, há opções em renda fixa que seguem, por exemplo, as maiores empresas de mineração de ouro – Newmont, Anglo Gold, First Majestic e Pan American. Assim, os investidores podem se beneficiar da força do ouro.

Como começar a investir no exterior?

Para investir no mercado externo, primeiramente é preciso ter uma conta internacional, que você pode abrir online, sem precisar ir a outro país.

A maioria dos brasileiros opta pelo Estados Unidos, mas é preciso considerar que contas americanas têm uma série de restrições, o que dificulta o acesso a ações de fundos que não sejam domiciliados nos Estados Unidos.

A melhor opção, na minha opinião, é usar a plataformas de investimento de arquitetura aberta, que dá acesso ao mundo todo, não apenas a dólar ou bens americanos. E oferece mais segurança para o cliente contra risco financeiro.

E além dos EUA onde pode ser interessante investir no exterior?

Vários produtos e fundos lançados na Europa oferecem maior rentabilidade de papel que a dos Estados Unidos. Se futuramente o dólar cair, na arquitetura aberta você pode trocar dólar por mais de 35 outras moedas, evitando a desvalorização.

Outra vantagem dessas plataformas é que, dentro dos Estados Unidos, a rentabilidade tem imposto de 30%. Agora, se você tiver papéis europeus na arquitetura aberta, elimina o imposto cobrado, o que dá um baita aumento no resultado.