O que o cenário atual reserva para os seus investimentos?

Nicholas McCarthy, CIO do Itaú Unibanco, fala sobre as mudanças no cenário macroeconômico e os impactos em diversos ativos

Entender o cenário atual e as perspectivas para o futuro na economia é fundamental para fazer boas escolhas nos investimentos. Desse modo, na visão de Nicholas McCarthy, CIO do Itaú Unibanco e responsável pela elaboração de estratégias de investimentos recomendadas a todos os clientes investidores, o importante é montar uma carteira para ganhar da inflação ao longo do tempo.

“Se não ganharmos dinheiro além da inflação, nosso patrimônio vai caindo”, ressaltou o executivo durante a live “O que o cenário atual reserva para os seus investimentos?”, promovida pelo íon. 

Nicholas citou o início do aumento de juros no Brasil, em 2021, como um fator importante e que mexeu muito com os investimentos. “Acreditamos que isso também aconteceria no mercado internacional. Reduzimos todas as nossas classes de ativos e viemos zerados em bolsa europeia”, ressaltou. 

Então, cerca de um ano depois, os juros americanos também começaram a subir para conter a maior inflação no país em quatro décadas.

“Quando a curva de juros começou a precificar 5%, começamos a comprar os ativos novamente. Pela primeira vez, em meus sete anos de banco, compramos bolsa europeia. Hoje estamos com zero de caixa – comprados em todos os espectros de taxas de juros e bolsas, primordialmente as emergentes. Na nossa visão, o dólar entrará em uma trajetória de queda”, ressaltou Nicholas. 

Corte de juros nos EUA

Sobre a taxa de juros nos Estados Unidos, o executivo afirmou que a expectativa é de que um corte seja feito apenas no ano que vem. “Só veremos um corte se tiver uma recessão, o que será ruim para todos os ativos. Acreditamos que a taxa ficará parada em 5% por algum tempo, enquanto a inflação não ceder. Ano que vem, talvez vá para algo em torno de 3%”.  

Além disso, o dólar também deve passar por um processo de queda. “Ele demora alguns anos tanto para subir, quanto para cair. Com o dólar e commodities em queda, há um cenário para um corte de juros”, explicou. 

O que esperar para o Brasil 

No caso do Brasil, o CIO acredita que há espaço para uma queda de juros mais rápida. “Nossa visão é de que a inflação ficará perto de 4% em 12 meses”, afirmou Nicholas. Por outro lado, nas commodities, segundo o executivo, houve primeiro um processo inflacionário mundial. Agora, elas estão passando por um processo deflacionário.

Já a nova regra fiscal, na visão do CIO, aparentemente melhorou as perspectivas no Brasil. Desse modo, a inflação deve ficar abaixo de 6% em 2023, com queda gradual nos próximos anos. A atividade econômica tem se mostrado mais resiliente, com um PIB do primeiro trimestre bastante forte por conta do setor agrícola, mas com uma desaceleração esperada à frente.   

E nos investimentos? 

De um modo geral, a expectativa é de um movimento grande, no final do ano que vem, de queda de juros mundiais. “Os ativos precificaram isso no começo deste ano. Parece que houve um aperto monetário mundial extremamente forte”, afirmou o executivo. 

Na visão de Nicholas, a taxa de juros nominal já precifica bastante corte. Outros ativos, tanto na parte de juros real e bolsa, ficaram parados. “Achamos que a bolsa só vai reagir quando realmente a perspectiva de [queda] de juros acontecer”, ressaltou.  

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