Quando o assunto é investimento, você tem fome de quê?

A pior coisa que pode acontecer é o investidor ficar pulando de uma aplicação para outra

Observo, principalmente, em momentos de crise, que muitos investidores sofrem com os prejuízos e abrem mão da oportunidade de aprender lições que pavimentariam rotas de sucesso no futuro.

É preciso viver a crise, entender o risco dos diversos mercados, da renda fixa, das ações, como é a evolução, qual é o desdobramento de cada ativo ao longo dos anos para, então, decidir por onde caminhar.

Se apenas sofrer na crise e voltar a trilhar os mesmos caminhos em momentos de euforia, olhando a rentabilidade, vai sair sempre com prejuízo. Sou capaz de apostar.

A pior coisa que pode acontecer com um investidor é ficar pulando de uma aplicação para outra. Quem entra na bolsa, toda vez que ela está em alta, e sai, quando ela está em queda, sabe bem o quanto esse movimento custa.

Qual é o melhor investimento?

Não existe o melhor investimento, costumam repetir os analistas. Existe o melhor investimento para você, que é o que vai lhe deixar mais tranqüilo e mais próximo de seus objetivos.

Nesses anos de jornalismo econômico, cobrindo tantos momentos de euforias, como de crises, aprendi algumas regras que podem nos ajudar na hora de escolher nossos investimentos:

1- Não é prudente ficar procurando “o investimento da hora”;

2- Bolsa de valores pode oferecer ganhos astronômicos, mas perdas, igualmente, de grande vulto;

3- É primário achar que investimento imobiliário é bom porque tijolo não desaparece;

4- Não são as dicas que vão ajudá-lo a ter sucesso, mas as informações de boa qualidade;

5- Alavancagem pode deixá-lo rico muito rapidamente, mas levá-lo a miséria em questão de horas.

Por isso, invista tempo, reflexão e informação na hora de escolher suas aplicações. A composição de uma carteira deve ser determinada por: traço cultural, conjuntura e objetivo de investimentos.

Como é na Alemanha

Os alemães, por exemplo, têm um mercado de ações bastante pequeno, se comparado com o PIB da Alemanha. Isso porque passaram por duas hiperinflações que ficaram marcadas no comportamento daqueles investidores. Eles preferem a renda fixa.

Como funciona na Inglaterra

Já os ingleses chegam a ser mais propensos ao mercado de ações do que até mesmo os americanos. Os fundos de pensão da Inglaterra chegam a ter mais de 50% do patrimônio investido em ações porque os investidores ingleses têm tradição no mercado de ações.

Enquanto isso, no Brasil…

Para o investidor brasileiro, a renda fixa é um caminho natural dado o histórico de juros muito elevados. É possível ter ganhos até mesmo maiores do que no mercado de ações. Falamos sobre isso no início do ano neste especial.

Os juros estão no centro do debate econômico e o mercado espera o início de um ciclo de afrouxamento monetário (redução de taxas) a partir de setembro.

Quem tiver na carteira títulos prefixados tende a ganhar uma rentabilidade que poderá ultrapassar até mesmo os melhores momentos da bolsa.