Saiba como montar uma carteira de ações para aproveitar a queda da Selic

À Inteligência Financeira, especialistas apontam uma carteira de ações (conservadoras e arrojadas) para surfar queda nos juros

Com a queda da Selic, todas as empresas listadas no mercado financeiro ganham algum tipo de benefício. Seja pelo ganho de margem ou amortização de dívidas. Contudo, o mercado pode escolher sua carteira de ações “favoritas” para surfar a queda projetada da Selic de 11,75% até o final do ano, segundo estimativas do Boletim Focus.

A diversidade da carteira de ações que mais se beneficiam do corte de juros pode variar de acordo com o apetite por risco do investidor. O investidor pode montar um portfólio de ações variando entre setores, perfil de consumo e grau de risco, com opções arrojadas e conservadoras. E nós, da Inteligência Financeira, buscamos comentários de gestores sobre como montar uma carteira que aproveite a queda da Selic.

Carteira de ações com baixo risco com juros baixos?

De todos os setores que ganham com o corte dos juros, o setor financeiro é o um dos mais sólidos e resilientes dentro do mundo dos investimentos. Isso porque bancos e instituições financeiras tendem a se proteger dos juros altos, mas quando a taxa cai, a carteira de crédito das empresas se expande.

Desde a pandemia, alguns bancos vêm apresentando bons resultados trimestrais, destaca a estrategista-chefe da Inter Research Gabriela Joubert. E os bons ventos continuarão mesmo com a queda da Selic, afirma.

No setor bancário, Gabriela destaca os papéis de Itaú (ITUB3; ITUB4) e do Banco do Brasil (BBSA3). “Nesse sentido (as ações) de Itaú são boas pela resiliência. As do BB tem um risco de fator político, mas ultimamente as ações estão bastante comportadas”, diz a especialista. Além disso, “trazem bons dividendos”, complementa.

Ainda pelo viés de menor risco, o gestor e sócio da Mantaro Capital, Leonardo Rufino, elenca as ações do BTG Pactual (BPAC11) como uma opção sólida entre bancos. A maior posição da Mantaro está nos papéis preferenciais da instituição financeira.

O ativo que apresenta o maior risco do setor, afirma, é o BDR da XP Investimentos (XPBR31), que são mais voláteis a estresses de crédito e juros. Mas se por um lado a XP cai mais com a gangorra da Selic, a empresa pode tirar o maior proveito de uma projeção de cortes.

“Obtivemos posição nas ações da XP em abril, mas acreditamos que o negócio da empresa pode fazê-la mais do que dobrar de tamanho”, diz Rufino. Outra “queridinha” da Mantaro para surfar a baixa de juros é a BR Partners (BRBI11).

Empresas de energia devem sentir alívio na dívida e são para conservadores

Apesar de sentirem menos os cortes da Selic por serem ‘anticíclicas’, as companhias de energia na bolsa ganham margem maior para desalavancar suas operações.

O setor de energia é um dos mais defensivos, mas algumas companhias possuem um grau de endividamento maior. A Mantaro tem na carteira a Equatorial (EQTL3). “A Equatorial tem retrospecto de operação bom e com alavancagem alta. Ainda assim, não diria que é investimento muito arriscado”, comenta Rufino, sócio da gestora.

Ao recomendar ações do setor, o analista da Planner Corretora, Victor Martins, cita Taesa (TAE11) e Companhia de Transmissão de Energia Elétrica Paulista, ou Cteep (TLPL3;TLPL4). “Nas companhias de utilities gostamos das transmissoras, com nível de receita atrelado à disponibilidade de linhas de energia. Algumas delas estão mais alavancadas, como a Cteep, Taesa e Equatorial”, pontua.

A Sabesp (SBSP3) também é apontada pelo analista como uma boa ação defensiva para aproveitar a privatização, assim como o corte da Selic.

Pelo lado dos dividendos, a Coelce (COCE5) apresenta uma boa oportunidade diante da queda dos juros. Além disso, a empresa pode ser vendida em breve pela Enel “o que apresenta uma oportunidade de realização de lucro pelos acionistas minoritários”, frisa Cristiane Fernsterseifer, analista e fundadora da plataforma Investe10.

Carteira agressiva para surfar juros baixos

As ações das S.A.s de varejo, construção civil, imobiliárias e de educação devem sentir os maiores benefícios de uma Selic a 11,75% até o final de 2023. Esta é a avaliação dos analistas ouvidos pela reportagem.

Entre os gestores, a Cyrela aparece como escolha preferida para compor a carteira de um investidor com maior apetite por risco. “As ações de Cyrela (CYRE3) estão baratas e confiamos na direção da empresa”, diz Rufino. A estrategista do Inter, Gabriela Joubert, enfatiza que os resultados da companhia no último trimestre foram bem-recebidos pelo mercado.

Além da construção civil, a indústria é outro segmento que merece atenção do investidor, conforme aponta Gabriela. O ramo das siderúrgicas na bolsa entra na carteira mais agressiva para surfar a queda da Selic, com nomes como Gerdau (GGBR4), CSN (CSNA3) e Usiminas (USIM5).

Carteira de ações de vestuário e moda com alto potencial

O varejo é o segmento que tem maior potencial de valorização com a queda dos juros. Gestores e analistas divergem sobre quais ações valem a pena dentro de uma carteira de risco, no entanto.

Para Cristiane, o holofote de queda de juros dá protagonismo a duas varejistas: C&A (CEAB3) e Lojas Renner (LREN3). “No caso de C&A vimos resultado bom (no segundo semestre), reagindo bem à concorrência e se mostrando competitiva dentro do varejo.”

Quanto à competição dentro do varejo, para Cristiane, as Lojas Renner “são um caso mais consolidado dentro do Brasil”.

“Várias vezes essa questão da concorrência foi pontual para Renner, como nos casos de Forever 21 e Zara. Mesmo assim, a empresa entregou resultados sólidos e persistiu no setor”, explica a analista.

Por outro lado, Inter Research e Mantaro Capital recomendam a ação da Vivara (VIVA3). A avaliação é de que a companhia pode aproveitar juros menores sem muito risco, já que a maior parte do consumo vem de brasileiros de alta renda.

Shoopings e varejo esportivo também entram no radar com Selic menor

A estratégia das análises diverge sobre qual é a melhor ação do varejo esportivo.

Gabriela, da Inter, ressalta que apesar de resultados vistos como negativos, as ações do Grupo SBF (SBFG3), dono da Centauro, têm potencial alto de valorização até o final do ano. Para Rufino, a empresa na ponta da língua nesse caso é a Track&Field (TFCO4).

Mas os analistas concordam que um dos setores cujas ações das empresas podem decolar com juros mais baixos é o de shoppings. As companhias reportaram resultados positivos, com recuperação “surpreendente” em aluguéis, afirma Gabriela.

O retorno do consumo em shoppings deve beneficiar Iguatemi (IGTI3), Multiplan (MULT3) e Aliansce Sonae (ALSO3). De acordo com Rufino, da Mantaro, esta última ação deve se beneficiar mais da recuperação do consumo do que suas concorrentes, especialmente por concentrar ativos no interior de regiões como Norte e Centro-Oeste.

Afinal, a lista de ações defensivas e agressivas é…

Confira uma lista de ações conservadoras e mais agressivas com base nas sugestões dadas na reportagem:

Carteira de ações conservadora

  • Itaú (ITUB3; ITUB4)
  • BTG Pactual (BPAC11)
  • Banco do Brasil (BBSA3)
  • Equatorial (EQTL3)
  • Taesa (TAE11)
  • Cteep (TLPL3;TLPL4)
  • Sabesp (SBSP3)
  • Coelce (COCE5)
  • XP Investimentos (XPBR31)
  • BR Partners (BRBI11)

Carteira de ações agressiva

  • Cyrela (CYRE3)
  • Gerdau (GGBR4)
  • CSN (CSNA3)
  • Usiminas (USIM5)
  • C&A (CEAB3)
  • Lojas Renner (LREN3)
  • Vivara (VIVA3)
  • Grupo SBF (SBFG3)
  • Track&Field (TFCO4)
  • Iguatemi (IGTI3)
  • Multiplan (MULT3)
  • Aliansce Sonae (ALSO3)