Presidente da Petrobras chama de ‘desconexas’ críticas à política de preços após queda em lucro

Declarações derrubaram as ações da empresa no período final do pregão da bolsa

Após apresentar um lucro líquido de R$ 28,7 bilhões para o segundo trimestre de 2023 – 47% abaixo do mesmo período, no ano anterior – o presidente da Petrobras (PETR3 3 PETR4), Jean Paul Prates, negou que a estatal esteja sendo tolerante além da medida em relação à sua nova política de preços.

A estatal abandonou neste ano o sistema de paridade internacional para uma intermediária, que ajusta o intervalo de preços para um período maior de tempo, reduzindo com isso as flutuações dos preços dos combustíveis nos postos de gasolina.

Mas, segundo Prates, a queda no lucro da empresa se deve à redução no preço do petróleo no mercado internacional, e não pela nova política da petroleira.

“É absolutamente desconexo esse raciocínio sobre a política de preços e a queda de lucratividade da empresa”, disse Prates. “O que houve foi uma queda brutal de preço de petróleo e do diesel no mercado internacional”, diz.

Os preços do petróleo caíram em média 27,5% no mercado internacional, saindo de R$ 654,00 por barril, entre os meses de abril a junho de 2022, para R$ 474,00 em igual período de 2023, segundo dados do Instituto de Estudos Estratégicos de Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (Ineep).

Presidente da Petrobras, Jean Paul Prates
Jean Paul Prates, presidente da Petrobras. Foto Tomaz Silva/Agência Brasil

Para o presidente da Petrobras, apesar do balanço financeiro do período ter trazido uma queda de quase 90% no resultado da área de refino em relação ao mesmo período do ano, a Petrobras registrou um resultado superior às concorrentes.

“Nós desempenhamos melhor do que as nossas coirmãs e investindo mais”, afirma. “Estivemos, em termos de Fluxo de Caixa Operacional, com uma queda de 33%, redução de US$ 4,9 bilhões. Em média, as empresas caíram US$ 6,5 bilhões”, disse.

A empresa atendeu a imprensa nesta sexta-feira (4) para comentar os resultados operacionais referentes ao segundo trimestre do ano. Além de registrar queda no lucro líquido, a petroleira apresentou faturamento de R$ 113,8 bilhões, uma queda anual de 33,4%.

Já para o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização (Ebitda, na sigla em inglês) ajustado, o valor anotado foi de R$ 56,69 bilhões, queda de 42,3% na base de comparação anual.

Declarações do presidente derrubam ações da Petrobras

Após as declarações de Jean Paul Prates sobre a política de preços, as ações da Petrobras, que vinham em queda contida, mergulharam em terreno negativo e fecharam o dia com forte desvalorização.

As ações ordinárias da companhia, PETR3, que dão direito à voto e são as mais valorizadas, fecharam em queda de 3,99%, negociadas a R$ 32,95. Já as preferenciais, PETR4, caíram 2,85%, comercializadas a R$ 30,04.

Programa de recompra de ações da Petrobras

Com a desvalorização, a empresa perdeu, em um único dia, R$ 15 bilhões em valor de mercado, três vezes mais que o orçamento anunciado para o programa de recompra de ações, anunciado mais cedo, em teleconferência com acionistas e analistas.

A Petrobras comunicou o programa, como uma forma de para encontrar outra destinação aos dividendos distribuídos a acionistas nos anos anteriores.

O programa prevê a aquisição de até 3,5% das ações preferenciais da companhia. São até 157,8 milhões de ações, que hoje valem cerca de R$ 30, fazendo com que a operação possa alcançar cerca de R$ 5 bilhões.

Segundo o diretor financeiro da Petrobras, Sergio Caetano Leite, a ideia da recompra é a de transferir valor ao acionista de longo prazo. Isso porque a recompra têm o objetivo de aumentar o valor das ações disponíveis no mercado. “Escolhemos apenas as ações preferenciais para interferir o menos possível no mercado”, disse Leite.

O executivo não quis detalhar a aquisição. “O programa de recompra de ações será analisado de período em período pelo conselho da Petrobras”, limitou-se a dizer.

Exploração na Foz do Rio Amazonas

A empresa voltou a falar sobre a expectativa pela reversão da decisão do Ibama, que negou licença para a perfuração de um poço exploratório no Amapá, na bacia da Foz do Rio Amazonas.

“O nosso cenário é de iniciarmos a perfuração esse ano, na hipótese otimista”, afirmou Joelson Mendes, diretor de exploração e produção da Petrobras.

“Nós estamos em constante contato com o Ibama. Nós entendemos que atendemos a todas as exigências do Ibama. Uma semana após a negativa da licença, nós demos entrada com pedido de reconsideração, onde endereçamos todos os pontos colocados pelo Ibama”, disse

“Teve somente um ponto que nós não podemos ingressar, que se trata de uma avaliação ambiental de área sedimentar, que é algo que deve ser feito ou não antes da licitação da área”, afirmou.

Segundo Mendes, a perspectiva otimista em torno do assuno é natural do ‘exploracionismo’ da empresa e de seus diretores.

“Nós temos um grupo de exploracionistas que estão sempre olhando para o futuro. E, quando a gente olha para o passado, a gente verifica que, graças a esse otimismo exploracionista, chegamos a ser a empresa do porte que somos em termos exploração, produção. Estamos, sim, otimistas que receberemos licença para uma, quiçá as duas áreas (da Foz do Rio Amazonas)”.