Auren (AURE3) prevê desalavancagem rápida com geração de caixa e descarta follow-on após compra da AES

Segundo o CEO da empresa, o que deve balizar a desalavancagem será a forte geração de caixa combinada com a entrada em operação de novos projetos de aproximadamente 700 megawatts (MW) de capacidade em 2024

Em teleconferência com analistas e investidores para tratar da aquisição da AES Brasil, os executivos da Auren Energia (AURE3) disseram que a geração forte de caixa da nova companhia permitirá a rápida desalavancagem, combinada ao pagamento recorrente de dividendos e sem necessidade de follow-on.

Pelo arranjo da transação, os acionistas da AES Brasil vão receber 100% em dinheiro, já que a empresa vai deixar o Brasil. A consultoria PSR apoiou a Auren na avaliação da transação.

A AES já era uma empresa mais alavancada. Pela relação dívida líquida/Ebitda ajustado, a companhia encerrou o quarto trimestre de 2024 em 5,3 vezes, enquanto que a Auren tinha mais conforto no balanço e caixa disponível. Com o novo negócio, a Auren fica com alavancagem final de 4,9 vezes.

Segundo o CEO da empresa, Fabio Zanfelice, o que deve balizar a desalavancagem será a forte geração de caixa combinada com a entrada em operação de novos projetos de aproximadamente 700 megawatts (MW) de capacidade em 2024 e geração adicional de caixa associada. Além disso, alguns ativos da AES podem ser usados para reciclagem de capital, por não ter escala ou não ter geograficamente sinergia com a estratégica da Auren.

“A geração de caixa é 0,5 vezes Ebitda ajustado por ano. Então, em três anos, a gente chega na alavancagem ótima, entre 3 vezes e 3,5 vezes”, diz Zanfelice.

O diretor financeiro e de relações com investidores, Mário Antônio Bertoncini, diz que a empresa já contratou quatro bancos para resgate de até R$ 5,4 bilhões para a liquidação desta operação e que a empresa estará preparada para quitação de dívidas.

“Não será preciso nenhum follow on, apesar de um maior nível de alavancagem, mas vamos desalavancar muito rápido”, afirma Bertoncini.

Com a incorporação, a nova Auren foca com um portfólio de 54% hidrelétrico, 36% eólico e 10% solar. As duas empresas tinham operações similares, já que as duas operam as mesmas fontes de energia e têm ativos concentrados em São Paulo e Nordeste, o que permite redução de R$ 120 milhões por ano com pessoal, material, serviços e outras despesas (PNSO).

Há um plano de recuperação da performance de alguns ativos da AES, que vão até 2032.

Com informações do Valor Pro, serviço de notícias em tempo real do Valor Econômico