Morning call: bolsa de valores opera com novos dados de inflação do Brasil e dos EUA

A bolsa de valores ontem fechou o dia em queda de 0,14%, aos 126.916,41 pontos

O morning call de hoje mostra que a bolsa de valores deve ser influenciada sensivelmente pelos dados de inflação que serão tornados públicos tanto no Brasil quanto nos Estados Unidos.

Além disso, às 9h o IBGE divulga a taxa de inflação de novembro no país. Posteriormente, às 10h30, será a vez da divulgação do CPI, a taxa de inflação do mesmo mês, mas nos Estados Unidos. Nesta terça-feira (12) começam também as reuniões do Copom e do FOMC sobre a taxa de juros vigente nos dois países.

Importante lembrar que a bolsa de valores ontem fechou o dia em queda de 0,14%, aos 126.916,41 pontos. O dólar, por sua vez, avançou 0,15% em relação ao real – cotado a R$ 4,9369.

IPCA sob pressão de alimentos

À espera da Super Quarta de decisões de juros, a agenda econômica começa a esquentar nesta terça. Isso por conta da divulgação de dados de inflação no Brasil e nos Estados Unidos.

Por aqui, o IBGE deve mostrar um avanço do IPCA em novembro na comparação com outubro. O consenso do mercado, conforme as Projeções Broadcast, aponta uma alta de 0,29% ante 0,24% da leitura anterior.

O índice de inflação local deve ser puxado principalmente pelo grupo alimentação e bebidas. Enquanto isso, os descontos da Black Friday tendem a aliviar a pressão dos preços na passagem de mês.

“Entendemos que o movimento será impulsionado, em grande parte, pela inflação de alimentos em domicílio, devido a pressões sazonais em itens de alimentos frescos e proteínas. Ademais, enxergamos espaço para uma leve aceleração no núcleo de serviços, apesar do qualitativo positivo apresentado no último IPCA-15”, destaca o BTG Pactual em relatório.

“Por outro lado, entendemos que fatores como a deflação significativa para produtos industriais, ocasionados pela Black Friday, ajudem a compensar parcialmente a aceleração do índice”, acrescenta o banco.

Para o IPCA acumulado em 12 meses, novamente de acordo com as Projeções Broadcast, a mediana de estimativas dos agentes financeiros sinaliza uma desaceleração entre outubro e novembro. Isto é, de 4,82% para 4,69%.

Isso significa que a inflação na base anual estará novamente dentro do teto da meta, de 4,75%.

Inflação estável nos EUA

Lá fora, o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) deve repetir a leitura de outubro e ficar estável (0%) em novembro. Assim, com o acumulado em 12 meses baixando de 3,2% para 3,1%.

“Isso se deve, sobretudo, pelas recentes quedas do preço do petróleo que, consequentemente, impactam preços de energia e passagens aéreas”, observa o BTG no mesmo relatório.

“A manutenção do ritmo visto em outubro seria sustentada, entre outros fatores, pela acomodação dos serviços de saúde, além da deflação ou desaceleração de bens como vestuário, artigos de residência, educação e também veículos usados”, complementa o banco no texto.

Ainda de acordo com as Projeções Broadcast, o núcleo da inflação americana, que desconsidera itens voláteis como alimentos e energia, deve indicar uma alta de 0,3% no mês contra 0,2% da pesquisa anterior. A leitura anual do núcleo, contudo, deve permanecer em 4%.

Mesmo com surpresas, tanto nos EUA como no Brasil, os dados não devem afetar as decisões de política monetária previstas para amanhã. No entanto, os indicadores tendem a alimentar as expectativas sobre os próximos passos dos juros lá e aqui.

Bolsas de Nova York

As bolsas de Nova York fecharam em alta, cercadas de expectativa em relação aos dados econômicos a serem divulgados.

O índice Dow Jones subiu 0,43%, aos 36.404,93 pontos. Enquanto isso, o S&P 500 avançou 0,39%, aos 4.622,44 pontos. E o Nasdaq fechou em alta de 0,20%, aos 14.432,49 pontos.

Bolsas da Ásia

 Os mercados acionários da Ásia registraram ganhos no morning call desta terça-feira. Expectativas de estímulo na China beneficiaram o mercado acionário local. Enquanto isso, em Tóquio o quadro foi mais contido, com expectativa por decisões importantes de política monetária na semana, inclusive a do Federal Reserve (Fed, o banco central americano), nesta quarta-feira.

Bolsa de Xangai

A Bolsa de Xangai fechou em alta de 0,40%, em 3.003,44 pontos, e a de Shenzhen, de menor abrangência, subiu 0,15%, a 1.954,25 pontos.

Havia especulações sobre mais medidas de estímulos por Pequim, após reuniões recentes de autoridades. Entre os setores, o imobiliário se destacou, com Poly Developments & Holdings Group em alta de 7,6% e Beijing Urban Construction Investment & Development, de 4,7%. Já ações ligadas ao setor médico caíram, como Eyebright Medical Technology Beijing, em queda de 2,5%.

Bolsa de Tóquio

Em Tóquio, o índice Nikkei avançou 0,16%, em 32.843,70 pontos. O mercado acionário japonês chegou a exibir mais fôlego, porém conteve o movimento, com alguma cautela antes de decisões importantes de política monetária nesta semana, segundo Michael Hewson, analista-chefe de mercado da CMC Markets. Entre papéis em foco, Renesas Electronics subiu 4,4% e Screen Holdings, 3,05%, enquanto Fujitsu teve alta de 2,4%.

Bolsa de Hong Hong e Seul

Em Hong Kong, o índice Hang Seng avançou 1,07%, a 16.374,50 pontos. Na Bolsa de Seul, o índice Kospi avançou 0,39%, a 2.535,27 pontos.

Ações de transporte marítimo de carga e semicondutores apoiaram os ganhos. Afinal, HD Korea Shipbuilding & Offshore Engineering registrou alta de 4,0% e SK Hynix também, de 1,6%. Em Taiwan, o índice Taiex subiu 0,19%, a 17.450,63 pontos.

Oceania

Na Oceania, na Bolsa de Sydney o índice S&P/ASX 200 fechou em alta de 0,50%, em 7.235,30 pontos. Quase todos os setores terminaram em território positivo, apesar da piora na confiança da empresas e do sentimento ainda fraco dos consumidores. Entre ações de tecnologia, Xero subiu 3,8% e WiseTech Global, 2,9%, com Altium em alta de 1,3%.

Com informações da Dow Jones Newswires e Estadão Conteúdo