IF Hoje: Mercados operam com crise do SVB e taxa de juros dos Estados Unidos no radar

Entre os balanços, destaque para a educadora YDUQS e para a Arcos Dorados, controladora das lojas do McDonald’s na América Latina, listada na NYSE

A crise gerada após a quebra do Silicon Valley Bank (SVB) manteve os investidores em alerta sobre a possibilidade de alteração na política de juros dos Estados Unidos e seus possíveis reflexos na política monetária do Brasil.

Os mercados ontem operaram diante da hipótese de um arrefecimento no ímpeto contracionista do Federal Reserve (banco central americano) e já precificam uma alta de 0,25 ponto percentual na taxa básica de juros do país na reunião do dia 22.

Aqui no Brasil, hoje é o primeiro dia para declaração do Imposto de Renda 2023. O prazo vai até 31 de maio, no entanto, quanto mais cedo a declaração for enviada, maiores as chances de entrar nos primeiros lotes de restituição.

Ainda em solo brasileiro, apesar da inflação não dar sinais de queda, a pressão vinda do governo e dos investidores pode fazer com que o Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) adiante o ciclo de corte da taxa Selic, atualmente em 13,75% ao ano.

Na semana passada, os mercados se preparavam para mais um aumento de 0,5 ponto percentual. No Brasil, a curva de juros indicava um corte na Selic pelo Copom apenas no fim de junho, mantendo a taxa básica nos atuais 13,75% ao ano nas reuniões do próximo dia 22 e na de 3 de maio. Agora, a expectativa é de antecipação desse corte.

Busca por segurança

Depois do colapso de três bancos de menor porte nos Estados Unidos, as grandes instituições financeiras do país notaram um salto em depósitos diante do medo de que a crise se espalhe, segundo levantamento da agência de notícias Bloomberg.

Somente o JPMorgan, o maior banco do país, recebeu bilhões de dólares nos últimos dias, enquanto Bank of America, Citigroup e Wells Fargo também atraíram um volume maior do que o normal, segundo a agência.

Posse dos deputados estaduais em São Paulo

Em São Paulo, tomam posse hoje os novos deputados estaduais, eleitos em 2022. Esta será a última vez que a posse acontecerá no dia 15 de março, a partir da próxima legislatura, em 2027, ocorrerá em 1º de fevereiro, assim como no restante do Brasil.

Argentina

A inflação da Argentina chegou a 102,5% no acumulado em um ano, informou o Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) do país nesta terça-feira (14).

Essa é a primeira vez em mais de 30 anos que o índice de preços do país supera a barreira de três dígitos, atingindo o maior patamar desde setembro de 1991.

A alta mensal foi de 6,6%, registrada em fevereiro. Nos dois primeiros meses de 2023, a inflação argentina acumulou um avanço de 13,1%.

O país já vinha enfrentando um cenário de juros muito altos. Nos 12 meses encerrados em 2022, o índice de preços atingiu os 94,8%.

Agenda do dia

França divulga IPC mensal de fevereiro, com projeção de 0,4%. No acumulado de 12 meses, a projeção é de 7% inflação no período.

União Europeia divulga dados de produção industrial referente a janeiro e a taxa anualizada. A previsão do mercado é de alta de 0,5% no primeiro mês do ano.

Nos Estados Unidos sairá o índice do mercado hipotecário, pedidos de hipoteca e o índice de compras pela MBA.

Além disso, haverá divulgação do índice de inflação ao produtor (IPP) de fevereiro, com projeção de 0,3% e anualizado, com previsão de alta de 4,9% no núcleo, que exclui combustíveis e alimentos.

Também serão divulgadas as vendas no varejo e o Índice Empire State de Atividade Industrial de março, que mede a saúde econômica do setor de industrial através de um levantamento de cerca de 200 empresas no estado de Nova York.

Já caminhando para o final do dia começam a sair os indicadores do outro lado do mundo.

Nova Zelândia divulga seu PIB anual de 2022 e do quarto trimestre. As projeções são de avanço de 5,5% no ano e 0,9% no último período.

Japão divulga sua balança comercial de fevereiro, Austrália sua taxa de desemprego (projetada para 3,5%) e a China o índice de preço dos imóveis de fevereiro.

Balanços do dia

Destaque para YDUQS, depois do fechamento, e Arcos Dorados, controladora das lojas do McDonald’s na América Latina, que é listada na NYSE e reporta seus números antes da abertura do mercado. No exterior, balanços da BMW, Adobe e Prudential.

Mercado ontem

O Ibovespa fechou em queda após operar a maior parte do dia no azul, devolvendo os ganhos no final de pregão, diante da saída de capital estrangeiro.

O mercado refletiu as expectativas dos agentes para as reuniões de decisão de juros do Brasil e dos Estados Unidos, no próximo dia 22.

O dólar fechou em queda de 0,23%, a R$ 5,2563.

No exterior, o dado mais relevante foi o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) dos Estados Unidos, em linha com as projeções. A inflação subiu 0,4% em fevereiro. O núcleo avançou 0,5%, ante expectativa de 0,4%. No acumulado de 12 meses, as altas foram de 6% e 5,5%, respectivamente, ambas em linha com o consenso.

A turbulência no setor financeiro continuou no radar, assim como seus possíveis impactos em ações e nas taxas futuras de juros.

Entre as commodities, o petróleo Brent – utilizado pela Petrobras como referência de preços – fechou em queda de 4,11%, a US$ 77,45 o barril.

O minério de ferro também fechou em baixa na bolsa de Dalian, recuando 0,2%, aos 920 yuans (cerca de US$ 134) a tonelada.

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